Rádio Big Rock

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quarta-feira, 4 de outubro de 2017

De papo com Judge

Trinta anos de história não é para qualquer um, e na musica então, nem se fala. O fato é que algumas bandas, além de terem ajudado a moldar um estilo, se mantêm sendo referência para novas gerações. Nesse caso, podemos mencionar o Judge como um dos pilares do hardcore Straight Edge, e que mesmo com uma pausa em sua história, manteve intacto seu legado. Aproveitando a turnê Latino-americana, que ainda tem datas confirmadas por México, Chile, Colômbia e Argentina, e que no Brasil, fará o ultimo evento Straight Edge do mítico Hangar 110, (que fechará as portas no final desse ano).  O lendário John Porcell, falou com o Big Rock N' Roll, sobre a importância da banda e lembrou de sua ultima passagem pelo Brasil, em 2014. Confiram!



Já são trinta anos de carreira sem perder um milímetro de peso e violência dos velhos tempos. Ao contrário de muitas bandas que desaceleram com o passar do tempo, o Judge mantém uma pegada poderosa e os shows são sempre uma aula de energia. Qual o segredo para manter essa pegada por tantos anos?
 
Porcell: Ainda temos paixão pelas músicas que escrevemos há muito tempo. Elas significaram muito para nós e ainda significam. A música é pesada porque o clima das músicas exige isso. A banda Judge era um pouco diferente das outras bandas Straight Edge na época. Éramos mais sombrios e o Mike cantava sobre coisas com as quais ele estava lidando. É daí que vem o peso. A música tinha que caber no tom das letras.



*  Se levarmos em consideração que o último lançamento de vocês foi em 2005 "What It Meant – The Complete Discography", (que como o nome já sugere, reúne todos os discos da banda), o que os fãs podem esperar em termos de lançamentos de material inédito?

Porcell: Gostaríamos de nos juntar e escrever algumas músicas novas. É desafiador considerando nossos horários. Estamos todos extremamente ocupados. Temos filhos e famílias para cuidar, mas espero que no próximo ano possamos lançar algo novo. A voz de Mike soa melhor do que nunca e isso me motiva a voltar no estúdio e deixar a magia acontecer.


     
*  “There Will Be Quiet – The Story Of Judge”, documentário lançado em 2015, que conta a história da banda (e que também conta com algumas entrevistas), mostra a importância do legado do Judge e a influência que exerceram e ainda exercem para o hardcore em geral. Mesmo depois de “uma pausa” a relevância do Judge permaneceu intacta. Para vocês, qual o significado dessa admiração por parte de músicos, bandas e fãs?

Porcell: Sinceramente, não tenho muita certeza. O Judge é BEM maior agora. Mais do que quando começamos a tocar. Sem falsa modéstia, acho que as músicas são ótimas e elas parecem tão relevantes para mim agora quanto na época. Talvez tenha algo a ver com isso. Uma música realmente boa tem uma qualidade atemporal, então eu acho que é por isso que os jovens estão curtindo a banda em 2017, tanto quanto os mais velhos.



*  A primeira vez que o Judge esteve no Brasil, foi no ano de 2014, e os fãs brasileiros finalmente puderam externar a felicidade por receber uma das maiores referencias do hardcore Straight Edge. Fale-nos sobre suas lembranças daquela apresentação em São Paulo, no Clash Club?

Porcell: Em primeiro lugar, nunca sequer sonhamos que tocaríamos em São Paulo. Quando começamos, jamais pensamos tocaríamos fora de Nova York. É incrível para mim que possamos viajar e tocar nesses lugares mais distantes e não importa para onde nós vamos, sempre há fãs cantando. É muito legal e me sinto tão afortunado! Aquele show, em que tocamos no mesmo fim de semana com Gorilla Biscuits, foi incrível e também foi fantástico termos podido compartilhá-lo com nossos bons amigos no GB. Loucos mergulhos na galera naquele show. Vocês não estão para brincadeira!



*  O Judge está prestes a tocar novamente no Brasil e dessa vez será muito especial, pois marcará a despedida de uma das casas mais queridas do cenário underground paulista, o Hangar 110 (uma espécie de CBGB local). Já recebeu shows de bandas históricas como Cro – Mags e Earth Crisis. O que os fãs podem esperar dessa apresentação?

Porcell: Nós temos o nosso estilo. Nós já nos apresentamos em milharais, pizzarias, clubes, de tudo até chegar a grandes festivais. Para nós, não importa se há 10 jovens lá ou 10.000, nós sempre vamos tocar como se fosse nosso último dia na Terra. Foi assim que aprendemos com as bandas que nos influenciaram, como Black Flag e Agnostic Front. Apenas seja movido pela música e a paixão e a multidão vai sacar isso e devolver essa energia para você. Isso é o que torna o hardcore tão especial.





Por: Roberio Lima
Foto: Divulgação
Agradecimento: Erick Tedesco  /  John Porcell (Judge)

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