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28 de agosto de 2025

Ney Matogrosso - Tokio Marine Hall - São Paulo/SP

Foto: João Zitti 

Ney Matogrosso - Tokio Marine Hall - São Paulo/SP - 17 de agosto de 2025


Por Marcela Monteiro

Fotos: João Zitti (@joaozitti.work)


Em turnê desde 2019, o show Bloco na Rua segue encantando o público paulistano.

No último dia 17, Ney Matogrosso lotou o Tokio Marine Hall, em São Paulo, para mais uma apresentação de seu show Bloco Na Rua, em turnê desde 2019. Com pouco menos de uma hora e meia, o espetáculo é uma sequência deliciosa de sucessos da música nacional. A banda, formada por Sacha Amback (teclados, arranjo e direção musical), Marcos Suzano (percussão), Dunga (baixo e vocais), Maurício Negão (guitarra e violão), Felipe Roseno (percussão), Everson Moraes (trombone) e Aquiles Moraes (trompete e flugelhorn), mostra uma energia contagiante do início ao fim. Com arranjos bem trabalhados, conferem novas cores às canções, resultando em versões cativantes que, juntamente com a voz incomparável de Ney, animam o público e mantêm o espetáculo mais e mais vibrante, não importa quantos anos se passem.

O repertório de Bloco na Rua reúne 20 joias da música brasileira, cuja ordem ou presença pode mudar, tornando cada apresentação única. Algumas sempre figuram no palco, como Eu quero é botar meu bloco na rua, de Sérgio Sampaio, e inspira o nome do show; Pavão Mysteriozo, de Ednardo; Jardins da Babilônia, de Rita Lee; A maçã, de Raul Seixas; Já que tem que, de Alzira Espíndola; Yolanda, de Pablo Milanés; Sangue Latino, de João Ricardo; Como 2 e 2, de Caetano Veloso, entre outras.

Foto: João Zitti 

Foto: João Zitti 

Foto: João Zitti 

No domingo, dentre as alterações do setlist, o público contou com uma leitura pulsante de Pro Dia Nascer Feliz, de Cazuza, já cantada em outros shows, e uma adição maravilhosa, que eu ainda não havia visto (foi meu quarto Bloco na Rua): Estranha Toada, do pernambucano Martins.

Martins figura entre os nomes mais promissores da música brasileira contemporânea e lançou seu primeiro álbum em 2019, do qual Estranha Toada faz parte. A original é um deleite em si própria, mas a versão de Ney Matogrosso deixa seus versos ainda mais viscerais, e o instrumental preenche os sentidos. Desde domingo, meu vício é ouvir uma em seguida da outra para aproveitar cada uma das particularidades das duas interpretações. Um dos versos da música de Martins afirma que sua personalidade, justificada pelo signo, não lhe permite escrever uma canção à pessoa que o feriu tanto, ainda que, mesmo assim, o faça. O verso “virginiano que sou / e tendo lua em leão / não vejo motivo em te fazer uma canção” tornou-se, na voz de Ney, “leonino que sou / lua em escorpião / não vejo motivo em te fazer uma canção”, lembrando que o cantor, leonino, completou 84 anos no dia primeiro de agosto. Não entendo nada de signos, mas achei a troca uma jogadinha gostosa na releitura da faixa.

Enfim, todo Bloco na Rua é um grande e inebriante carnaval subversivo e esse não foi diferente. Assistir ao Ney Matogrosso no palco é daquelas experiências surreais e que precisam ser vividas. Então, não importa quantas vezes o Big Rock me mande lá, será sempre como a primeira.

Foto: João Zitti 


Foto: João Zitti 


Foto: João Zitti 


Setlist completo:

Eu quero é botar meu bloco na rua

Jardins da Babilônia

O beco

Álcool (bolero filosófico)

Já sei

Pavão Mysteriozo

Tua cantiga

A maçã

Yolanda

Postal de amor

Ponta do lápis

Tem gente com fome

Corista de rock

Já que tem que

O último dia

Inominável

Sangue latino


Bis:

Como 2 e 2

Coração civil

Mulher barriguda


Agradecimentos à MM Assessoria de Imprensa e Tokio Marine Hall pelo credenciamento e atenção.

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