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20 de abril de 2026

De Papo Com...Evergrey

Foto: Patric Ullaeus


Por: João Pedro Zitti 

Agradecimento: Agência TAGA / Bangers Open Air



A nova edição do Bangers Open Air está se aproximando, com duas datas de apresentações (agendadas para os dias 25 e 26 de abril) e um lineup com quase 40 bandas nacionais e internacionais. 

No início do mês, a Big Rock N’ Roll teve a oportunidade de conversar com o baterista Simen Sandnes, da banda Evergrey, e descobrir um pouco mais sobre a nova fase do grupo, seu próximo disco de estúdio e seus dois primeiros shows do ano, que irão acontecer nos dias 22 e 25 de abril no Manifesto Bar e no festival, respectivamente.

Para começar a conversa, o músico explicou porquê a banda quis iniciar sua nova fase no Brasil: “Bem, o Bangers Open Air, especialmente para mim, é um festival no qual sempre quis tocar. Nós já tínhamos a turnê na Austrália planejada, que virá logo em seguida, mas quando fomos convidados ao festival pensamos: ‘OK, nós temos que ir lá’. Porque é o que eu já disse em outras entrevistas: o Brasil é fantástico, os fãs são incríveis, e o festival é muito único e especial. Então nós obviamente dissemos que tínhamos que fazer aquilo acontecer. E quando nós tivemos a chance de fazer um show separado, no qual fôssemos os headliners e pudéssemos fazer algo especial, pensamos: ‘Fantástico! Agora podemos realmente começar essa nova fase (como você disse)’. E não será necessariamente uma nova versão da Evergrey, mas sim a concretização de tudo que vínhamos trabalhando nos últimos dois anos, que foi quando entrei na banda, finalmente vendo o mundo. Eu acho que será a maneira perfeita de começarmos isso, no melhor lugar do mundo para se tocar metal. Então eu estou muito animado para isso!”.

Em seguida, perguntamos um pouco sobre o novo álbum da banda, “Architects Of A New Weave”, programado para ser lançado no dia 05 de junho, e o que esse disco traz de novo tanto para o catálogo quanto para a sonoridade do grupo. E o baterista não poupou elogios: “Eu acho que esse é o melhor álbum da banda, de longe! Eu o amo. Quando estávamos escolhendo singles para esse disco, nós mudávamos de opinião tantas vezes porque era impossível escolher somente três músicas. Em um dia, pensávamos: ‘Essas são as nossas três favoritas’, e no outro nós dizíamos: ‘Me desculpa, mas essas são realmente nossas favoritas’. E isso se repetia no dia seguinte. E a faixa bônus foi uma das favoritas de algumas pessoas da banda, que inclusive queriam que ela fosse um dos singles. E nós dissemos: ‘É uma faixa bônus!’, e mesmo assim argumentaram que era uma das melhores canções do álbum. Então isso mudou o tempo inteiro, têm sido impossível achar os melhores singles. Eu acho que todas as canções estão em um nível praticamente perfeito, e eu sei que não podemos falar isso sobre arte, mas para nós elas estão perfeitas. Não há nada nessas músicas que eu mudaria, eu acho que elas estão fantásticas. E de uma perspectiva sonora, se você já escutou um pouco do ‘Theories Of Emptiness’, é um álbum que leva para um lado mais pesado da Evergrey, mas também mais animador em algumas músicas, como em ‘Say’ e ‘Falling From The Sun’, que possui um lado mais otimista. E nesse novo álbum, você vai se deparar com algumas músicas muito pesadas, mas também algumas faixas muito felizes. Eu comentei isso em algumas entrevistas, mas você vai escutar o Tom cantar de uma maneira que nunca fez antes.

 

E o mais legal dessa canção específica (que nós gravamos um videoclipe para ela no fim de semana passado) é que ela é a canção mais animada do álbum inteiro, mas que tem as letras mais pesadas do disco. É uma música sonoramente muito pop e animada, mas com uma letra muito sombria. Eu acho que esse é o melhor álbum que a banda já lançou, e que os fãs mais antigos, que adoram Evergrey desde o ‘In Search of Truth’ e ‘Recreation Day’, vão amar esse novo disco, porque ele combina muito daquele peso tão único que a banda tinha nesses trabalhos com essa nova sonoridade. A música ‘Architects Of The New Weave’ (que lançamos há algumas semanas) foi para um caminho mais old-school da banda, mas ao mesmo tempo trouxe esse peso que queríamos explorar, por exemplo, em tonalidades, na maneira como eu toco a bateria, e também nos vocais de Tom, o que a deixou única. Então eu diria que, por ser tão diverso, o álbum tem algo para todo mundo, mas ainda sim preserva toda aquela melancolia tão característica que conhecemos. Pra mim, pessoalmente, é o álbum que eu estou mais orgulhoso de ter participado e tocado até hoje - eu acho que a maneira como as músicas foram compostas e como elas ficaram no final são perfeitas”.

Foto: Divulgação


Diante da expectativa para esse novo trabalho, que contará com 12 músicas no total, Simen deu uma prévia do que veremos nos shows: “Esse ano vamos tocar ao vivo os singles, porque o álbum só será lançado no meio do ano. Mas eu acho que no Brasil vamos tocar uma ou duas músicas que serão inéditas. Não tenho certeza, não me lembro exatamente pois temos tantos setlists diferentes até o meio do ano que eu acabei me perdendo ao acompanhar tudo. Mas, no geral, iremos tocar os singles”. Ele ainda comentou quais músicas especificamente que poderemos ver nos shows da banda, incluindo tanto uma faixa já lançada quanto uma inédita: “Nós vamos tocar também ‘The World Is On Fire’, o que vai ser irado, é uma música fantástica. E também acho que iremos tocar ‘Leaving the Emptiness’. Essas serão as músicas desse novo disco que vão estar mais presentes ao vivo por enquanto, mas eu espero que nos Estados Unidos nós consigamos expandir e incluir mais faixas. Nós começamos a ensaiar algumas dessas músicas juntos há alguns dias, e é impressionante a facilidade com que conseguimos tocá-las, é algo muito natural. Em alguns momentos dizíamos: ‘Vamos tocar essa música’, e já na primeira tentativa parecia que estávamos prontos para tocá-las ao vivo, é só ensaiarmos mais algumas vezes que estará tudo certo. E eu realmente espero que nós consigamos tocar muitas dessas faixas ao vivo”.

Ao perguntarmos qual faixa poderá se destacar mais entre os fãs, o baterista foi direto e já apresentou sua queridinha, chamada “The Shadow Self”: “Para mim - o que é muito esquisito, porque ninguém mais na banda teve isso - a faixa ‘The Shadow Self”, quando eu a escutei pela primeira vez, pensei: ‘Essa é a melhor música que a banda já fez’, porque ela é uma obra de arte! Eu não vou dizer quem, mas outra pessoa na banda achou ela a pior música que Evergrey já havia feito! E eu disse: ‘Do que você está falando, é fantástica’. Então nós temos opiniões divergentes em relação a algumas músicas, mas eu acho que “The Shadow Self” é uma das canções mais pesadas desse trabalho, mas novamente: seguindo o bom e velho estilo da Evergrey, o refrão da canção é insano! Nós temos a filha do Tom cantando nessa música, e quando finalmente chegamos no último refrão, é algo realmente fantástico. Então eu realmente espero que nós consigamos tocar essa música ao vivo, especialmente nos Estados Unidos”.

Foto: Patric Ullaeus


Chegando na reta final da conversa, Simen Sandnes revelou o que o público brasileiro poderá esperar das duas apresentações da banda no país, abordando também o estado atual da Evergrey: “Eu não sei se teremos isso no Manifesto, mas no Bangers tenho certeza: temos trabalhado muito com telões de LED ao fundo nas nossas apresentações, e será algo novo que trará ao show uma história mais coesa. E eu também acho que será o Evergrey em seu estado mais intenso, pois todo mundo está muito confiante com o que estamos trabalhando. Tanto com a equipe quanto conosco, estamos construindo um time muito sólido. É a banda em seu auge, tanto em performance quanto em sonoridade, acho que nunca soamos tão bem anteriormente, e está começando a se tornar algo muito especial. E nós finalmente temos a energia e o tempo para pensar e planejar nossos shows, como por exemplo as interações com os fãs. Sempre tiveram ao redor do grupo muitas interferências e cuidados que precisavam ser tomados, pelo que eu escutei, que fizeram com que a banda nunca tivesse tempo para trabalhar nesses detalhes, e agora é diferente, pois toda a nossa estrutura está 100% sólida. Nossas bases estão muito firmes, então agora podemos realmente trabalhar nesses novos detalhes. Acho que os fãs podem esperar Evergrey em seu melhor estado, e com uma energia que eles nunca viram antes

Confira a entrevista na íntegra:

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