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7 de abril de 2026

MONSTERS OF ROCK 2026 — A crônica da batalha que fez tremer o Allianz Parque

Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts


Monsters Of Rock – Allianz Parque - São Paulo/SP - 04 de abril de 2026


Por Leo Wacken (@leowacken)

Fotos: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts



Na noite de sábado (04), São Paulo não testemunhou apenas um festival. 

Testemunhou uma convocação. 

Como antigos tambores de guerra ecoando pelos vales, milhares de guerreiros vestidos de preto marcharam rumo ao Allianz Parque. O estádio do Palmeiras deixou de ser arena esportiva para tornar-se uma fortaleza sonora, onde aço, eletricidade e paixão se encontrariam em um confronto destinado à eternidade. 

Ali não havia espectadores. 

Havia um exército. 

Punhos erguidos, coletes repletos de brasões metálicos e vozes prontas para o grito coletivo que apenas o heavy metal é capaz de despertar. O Monsters of Rock retornava mais uma vez — não como evento, mas como ritual sagrado. 

Porque o Monsters of Rock não pertence ao calendário. 

Pertence à história. 

Desde 1994, quando KISS, Black Sabbath, Slayer e os brasileiros Viper e Angra abriram os portões dessa saga em solo nacional, o festival passou a existir como uma linhagem de batalhas sonoras que moldaram gerações inteiras. Cada edição tornou-se um capítulo gravado em riffs e suor. 

Ao longo das décadas, titãs atravessaram essa arena: Ozzy Osbourne, Alice Cooper, Iron Maiden, Motörhead, Manowar, Megadeth, Helloween, King Diamond, Mercyful Fate, Skid Row e Judas Priest. Mais tarde vieram Scorpions, Deep Purple, Savatage e a soberana Doro Pesch, mantendo viva a chama que jamais se apagou. 

Celebrado como um ciclo quase mítico, aguardado com ansiedade religiosa pelos fãs, o festival sempre retornou fiel à sua essência: heavy metal e hard rock como força vital.

Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts
 

E nesta edição, o chamado foi atendido com ainda mais fúria. 

Veteranos lendários dividiram o campo com novas forças do hard rock, como Jayler e Dirty Honey — prova viva de que o metal não sobrevive… ele evolui, se fortalece e retorna mais feroz a cada geração. 

Naquela noite, o Allianz Parque não recebeu um público. 

Recebeu uma legião.

Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts

Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts

Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts

Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts

Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts

Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts

Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts


Setlist Jayler:

Down Below

The Getaway

No Woman

Riverboat Queen

Lovemaker

I Believe to My Soul (Ray Charles cover)

Need Your Love

Over the Mountain

The Rinsk


Setlist Dirty Honey:

Gypsy

California Dreamin'

Heartbreaker

The Wire

Don't Put Out the Fire

Another Last Time

Lights Out

When I'm Gone

Rolling 7s


O Virtuoso e o Despertar da Arena 

Quando Yngwie Malmsteen surgiu, foi como a chegada de um mago guerreiro empunhando uma espada flamejante. Sua guitarra cortava o ar com velocidade sobrenatural, notas disparadas como flechas encantadas. 

O público ainda ocupava o território lentamente, e a recepção inicial foi contida — como um campo ainda silencioso antes da explosão da guerra. Ainda assim, o sueco demonstrou domínio absoluto, provando que técnica também pode ser poder bruto. 

Era apenas o prelúdio. 

O verdadeiro trovão veio logo depois.

Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts

Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts

Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts


Setlist:

Rising Force

Top Down, Foot Down

No Rest for the Wicked

Soldier

Into Valhalla

Baroque And Roll

Relentless Fury

Now Your Ships Are Burned

Wolves at the Door

Concerto #4 / Adagio / Far Beyond the Sun / Bohemian Rhapsody

Fire and Ice

Evil Eye

Smoke on the Water (Deep Purple cover)

Trilogy Suite Op: 5

Overture

Badinerie / Black Star

I'll See the Light Tonight



Halestorm — A Tempestade que Tomou o Reino 

O Halestorm não entrou em cena. 

Invadiu. 

Sob o comando de Lzzy Hale e Arejay Hale, a banda ergueu uma muralha sonora implacável. Desde os primeiros acordes, ficou claro que o palco agora pertencia a eles. 

A voz de Lzzy não apenas ecoava — ela comandava. Drives ferozes, rasgados intensos e presença avassaladora transformaram o show em uma ofensiva sonora direta. 

O ápice veio com “Like a Woman Can”, momento em que a vocalista assumiu também o teclado, conduzindo o público como uma general diante de suas tropas. 

Não havia resistência possível. 

A arena estava conquistada.

Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts

Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts

Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts


Setlist:

Fallen Star

Mz. Hyde

I Miss the Misery

Love Bites (So Do I)

WATCH OUT!

Like a Woman Can

I Get Off

Familiar Taste of Poison

Rain Your Blood on Me

Freak Like Me

Wicked Ways

I Gave You Everything


Sob Chuva e Raios — A Resistência do Extreme 

Quando a chuva caiu, parecia que os céus desejavam testar a força dos presentes. 

Mas headbangers não recuam. 

O Extreme transformou o temporal em cenário épico. Gary Cherone avançava incansável, energia intacta, enquanto Nuno Bettencourt disparava riffs precisos como golpes de lâmina perfeitamente forjada. 

Então veio o silêncio coletivo. 

“More than Words”.

Por alguns minutos, o campo de batalha tornou-se santuário. Vozes substituíram amplificadores, e milhares cantaram juntos, criando um momento de união quase espiritual. 

Não era fraqueza. 

Era humanidade antes do próximo confronto.

Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts

Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts

Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts

Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts

Setlist:

It ('s a Monster)

Decadence Dance

#REBEL

Play With Me (with Queen’s “We Will Rock You” intro)

Am I Ever Gonna Change

THICKER THAN BLOOD

Hole Hearted

Flight of the Wounded Bumblebee

Midnight Express

More Than Words

Get the Funk Out

RISE


Ecos Imortais de Uma Estrada Sem Fim 

Quando o Lynyrd Skynyrd assumiu o palco, não era apenas uma banda que surgia — era história viva atravessando gerações. 

Sob o comando de Johnny Van Zant, o grupo mostrou que sobreviver ao tempo, às perdas e às tragédias exige uma força que vai além da música. Cada acorde carregava memória, resistência e legado. 

O público respondeu como uma irmandade reunida ao redor de um fogo ancestral. 

Não havia distância entre palco e plateia — apenas celebração coletiva. 

O Lynyrd Skynyrd não revive o passado. 

Ele o mantém vivo. 

E preparou o terreno para a chegada dos soberanos da noite. 

Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts

Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts

Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts

Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts


Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts


Setlist:

Workin' for MCA

What's Your Name

That Smell

I Need You

Gimme Back My Bullets

Saturday Night Special

Down South Jukin'

Still Unbroken

The Needle and the Spoon

Tuesday's Gone

Simple Man

Gimme Three Steps

Call Me the Breeze

Sweet Home Alabama


Encore:

Free Bird


Guns N’ Roses — A Coroação dos Reis 

O rugido inicial de “Welcome to the Jungle” foi o sinal. 

O Allianz Parque explodiu. 

Não havia mais cadeiras, setores ou divisões — apenas uma massa humana cantando como se cada verso fosse um juramento de guerra. 

O Guns N’ Roses assumiu o palco com autoridade absoluta. Logo na sequência veio “Slither”, homenagem ao legado do Velvet Revolver, seguida por “It’s So Easy” e “Live and Let Die”, estabelecendo um ataque sonoro sem pausa. 

O setlist foi uma jornada profunda para os devotos: “Mr. Brownstone”, “Bad Obsession”, “Rocket Queen”, “Perhaps” e “Dead Horse” dividiram espaço com hinos eternos como “You Could Be Mine”, “Civil War” e “Estranged”. 

As surpresas — “Bad Apples” e “Junior's Eyes”, do Black Sabbath — ecoaram como relíquias raras desenterradas diante de uma multidão em êxtase. 

No centro do furacão estava Axl Rose.

Aos 64 anos, entregou tudo. Correu, girou, reviveu gestos clássicos e sustentou momentos intensos em “November Rain” e “Sweet Child O Mine”. 

E ali ficou clara uma verdade antiga: Quando dezenas de milhares cantam juntos, a perfeição técnica deixa de importar. 

O metal pertence ao povo. 

Slash disparava solos eternos como relâmpagos dourados, enquanto Duff McKagan mantinha o coração rítmico pulsando com precisão inabalável. 

Era mais do que uma banda. 

Era uma instituição em plena marcha.

Foto: Guns N' Roses

Foto: Guns N' Roses

Foto: Guns N' Roses


O Último Grito Antes do Silêncio 

Então veio o encerramento inevitável. 

“Paradise City”. 

O estádio inteiro transformou-se em celebração absoluta — vozes, luzes e energia fundidas em um único momento catártico. 

Quando a última nota desapareceu no ar, restou apenas a certeza: O Monsters of Rock não é um show. 

É uma convocação ancestral. 

Uma guerra celebrada em riffs. 

Uma irmandade forjada no som pesado. 

Um ritual que atravessa gerações. 

Foto: Guns N' Roses

Foto: Guns N' Roses

Foto: Guns N' Roses


Setlist:

Welcome to the Jungle

Slither (Velvet Revolver cover)

It's So Easy

Live and Let Die (Wings cover)

Mr. Brownstone

Bad Obsession

Rocket Queen

Perhaps

Dead Horse

Double Talkin' Jive

Nothin'

You Could Be Mine

Civil War

Junior's Eyes (Black Sabbath cover)

Knockin' on Heaven's Door

New Rose

Atlas

Sweet Child o' Mine

Estranged

Bad Apples

November Rain

Nightrain

Paradise City


Naquela noite, o Allianz Parque foi castelo, arena e templo. 

E mais uma vez ficou provado: O metal não pede passagem. O metal conquista territórios. O metal reina eterno. 


Agradecimento à Catto Comunicação e Mercury Concerts pelo credenciamento e atenção

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