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23 de julho de 2026

Masters Of Voices - Santo Rock Bar - Santo André/SP

Foto: Alexandre Veronesi 


Masters of Voices - Santo Rock Bar - Santo André/SP - 11 de julho de 2026


Por: Alexandre Veronesi (@alexandreveronesi)

Fotos: Alexandre Veronesi (@alexandreveronesi)


Não é a todo momento que temos a oportunidade de testemunhar, em cima de um mesmo palco e na mesmíssima noite, vozes que fizeram parte de bandas icônicas - ou até mesmo lendárias, em alguns casos - do Heavy Metal e do Hard Rock mundial, como Judas Priest, Mr. Big, Journey, Angra, Iced Earth, Yngwie Malmsteen, Talisman etc., certo? Pois bem, isso se tornou uma realidade neste Julho de 2026. Idealizado por Paulo Baron, fundador e CEO da Top Link Music, o projeto MASTERS OF VOICES reuniu ninguém menos que Eric Martin, Jeff Scott Soto, Tim "Ripper" Owens e Edu Falaschi, com o suporte dos instrumentistas Marcelo Barbosa (guitarra), Léo Mancini (guitarra), Felipe Andreoli (baixo) e Edu Cominato (bateria), formando assim a poderosa banda de apoio que completou este time absolutamente estrelado. O giro brasileiro do supergrupo teve o seu pontapé inicial em 11/07 no Santo Rock Bar, aconchegante casa de shows localizada em Santo André, na região do ABC Paulista.

A abertura da noite ficou a cargo do VELVET CHAINS, banda de 2018 baseada em Las Vegas, EUA. O quinteto, composto por Chaz Terra (vocal), Philip Paulsen (guitarra), Von Boldt (guitarra), Nils Goldschmidt (baixo) e Jason Hope (bateria), realiza um som que podemos classificar grosseiramente como 'Hard Rock moderno', pois alia a base do gênero com elementos de Rock alternativo, Metalcore e similares. Durante cerca de 45 minutos, foram apresentadas todas as 7 músicas do recém-lançado EP "How The Story Ends", mais alguns exemplares do registro de 2025, "Last Rites", com destaque para a interessante versão de "Suspicious Minds", canção de Mark James que foi eternizada pelo vozeirão de Elvis Presley em 1969.

A despeito de uma boa entrega por parte da banda, com presença de palco e direito até aos guitarristas tocando no meio da pista junto à galera em alguns momentos, a atuação não conseguiu empolgar à majoritária audiência, muito provavelmente pela enorme discrepância de estilos entre eles e a atração principal do evento.


Setlist:

01 - War

02 - Ghost In The Shell

03 - Dead Inside

04 - Stuck Against The Wall

05 - Wasted

06 - Suspicious Minds [Elvis Presley / Mark James]

07 - Wide Awake

08 - Hurt Me

09 - Sins

10 - Dead In The Head

11 - How The Story Ends

Foto: Alexandre Veronesi 


Por volta das 22h30, os supracitados Marcelo Barbosa, Léo Mancini, Felipe Andreoli e Edu Cominato tomaram os seus respectivos lugares, indicando assim o início do espetáculo, e o primeiro 'mestre da voz' a subir ao altar do Santo Rock foi Eric Martin, já ao som da pancada "Daddy, Brother, Lover, Little Boy (The Electric Drill Song)" - faixa que abre o mais aclamado disco do Mr. Big, "Lean Into It" - então, veio "Take Cover" com sua marcante introdução de bateria, logo dando lugar à bela "Wild World", tema originalmente composto e gravado pelo artista folk Cat Stevens. 

Dono de uma simpatia ímpar, Martin segue com o gogó bastante conservado mesmo no alto de seus 65 anos, além de interagir e brincar com o público a todo momento, provando-se mais uma vez um verdadeiro 'entertainer'. A pesada "Colorado Bulldog" abriu alas para o maior hit do Mr. Big, "To Be With You" (naturalmente cantada a plenos pulmões por todos), e na sequência tivemos "Green-Tinted Sixties Mind", a qual o frontman definiu como detentora do tema inicial mais reconhecível de sua carreira, estabelecendo paralelos com "Ain't Talkin' 'Bout Love" (Van Halen), "Burn" (Deep Purple), "Rock 'n' Roll" (Led Zeppelin) e outras, brevemente executadas pelos músicos durante o discurso de Eric, o que gerou uma dinâmica divertida ao momento. 

Foto: Alexandre 


"Addicted To That Rush" pôs fim ao primeiro ato do show, e o bastão (ou melhor, o microfone) foi imediatamente passado à Tim "Ripper" Owens, que entrou em cena com a dobradinha "The Hellion" e "Electric Eye", devidamente emendada a "Burn In Hell", o petardo mais conhecido de seu período junto ao Judas Priest, substituindo assim o veludo do Hard Rock pelo aço e o couro do mais puro Heavy Metal. Cafonices à parte, o show seguiu com 2 dos maiores hinos da história do gênero: "Painkiller" e "Breaking The Law", sendo a primeira aqui magistralmente interpretada por Ripper, cuja voz não apresenta sequer sinais de desgaste, mesmo levada ao limite ano após ano já há algumas décadas. Para o encerramento do set de Owens, foram selecionados os clássicos absolutos "Highway To Hell" e "Heaven And Hell", que mesmo não sendo parte do catálogo do vocalista, empolgaram em cheio ao público presente, colocando a todos para bater cabeça e cantar junto.

Foto: Alexandre Veronesi 


Aos primeiros acordes do teclado de "One Love" que soaram nos PA's da casa, chegava a vez do multifacetado Jeff Scott Soto, entretanto, o microfone falhou logo em sua entrada, forçando uma pausa de alguns minutos. Problema resolvido, e o carismático cantor de ascendência porto-riquenha retomou a notável canção do W.E.T., oriunda do autointitulado álbum de estreia do grupo, lançado em 2009. Como já era de se esperar, considerando a quantidade absurda de projetos dos quais o cara participa ou já participou, o repertório de Soto foi o mais diversificado da noite: para a execução de "Separate Ways (Worlds Apart)", hit do Journey - banda que integrou durante boa parcela do ano de 2006 - Jeff convidou ao palco seu fiel escudeiro BJ (S.O.T.O. e Spektra), parceiro de várias empreitadas, e que assim como Mancini e Cominato, possui um vínculo profissional e pessoal com o vocalista há mais de duas décadas. 

A festa continuou com "I'll Be Waiting", do Talisman, e o medley completamente matador entre "I Am A Viking" e "I'll See The Light Tonight", sons gravados por JSS no segundo registro de estúdio do guitarrista sueco Yngwie Malmsteen, "Marching Out" (1985). O supergrupo Sons Of Apollo também não ficou de fora, representado por "Coming Home", densa e cadenciada, que precedeu a derradeira "Stand Up", concebida exclusivamente para o filme "Rockstar", de 2001, da banda fictícia Steel Dragon, na qual Jeff performou os vocais do primeiro cantor - coincidentemente ou não, a obra nada mais é do que uma representação da história de Tim Owens e o seu ingresso ao Judas Priest (com muitas liberdades artísticas tomadas, é claro).

Foto: Alexandre Veronesi 


Por último, mas obviamente não menos importante, recebemos a participação de Edu Falaschi. Tão ou até mais celebrado do que os seus companheiros internacionais, Edu iniciou a atuação com "Acid Rain" e depois "Millennium Sun", ambas extraídas de "Rebirth", o álbum de exatos 25 anos atrás que marcou a sua estreia na linha de frente do Angra. Naturalmente, Andreoli e Barbosa estavam 'em casa' executando tais canções, mas é justo citar também a desenvoltura de Léo Mancini para com as intrincadas linhas 'guitarrísticas' do expoente máximo do Power Metal nacional, ao passo que Edu Cominato precisou de algumas adaptações - isso devido ao seu estilo mais voltado ao Hard Rock tradicional e a pouca familiaridade com os bumbos duplos em alta velocidade - mas ainda assim conseguiu entregar um ótimo resultado.

Do folclórico "Temple Of Shadows" (2004) tivemos "Waiting Silence" como única representante na ocasião, e logo após, o frontman explicou que a próxima música do set havia alcançado grande sucesso em âmbito nacional e fora da bolha do Heavy Metal por conta de uma regravação em português, e que o público poderia se sentir à vontade para cantar a versão que preferisse, então veio "Bleeding Heart", uma das mais prestigiadas na noite - muito embora não seja do agrado deste humilde redator que vos fala. A mesma catarse aconteceu com os temas que a sucederam: "Rebirth" e "Heroes Of Sand", 2 dos maiores hinos da música pesada brasileira, bradados em uníssono pelos fãs que tomaram o Santo Rock Bar de assalto naquele sábado frio do dia 11. 

Foto: Alexandre Veronesi 


Ao término, Falaschi convidou os demais cantores a retornarem ao palco, para que unidos apresentassem "Living After Midnight", encerramento pujante e simplesmente perfeito para um evento memorável!


Setlist:


- ERIC MARTIN -

01 - Daddy, Brother, Lover, Little Boy (The Electric Drill Song) [Mr. Big]

02 - Take Cover [Mr. Big]

03 - Wild World [Cat Stevens]

04 - Colorado Bulldog [Mr. Big]

05 - To Be With You [Mr. Big]

06 - Green-Tinted Sixties Mind [Mr. Big]

07 - Addicted To That Rush [Mr. Big]


- TIM "RIPPER" OWENS -

08 - The Hellion / Electric Eye [Judas Priest]

09 - Burn In Hell [Judas Priest]

10 - Painkiller [Judas Priest]

11 - Breaking The Law [Judas Priest]

12 - Highway To Hell [AC/DC]

13 - Heaven And Hell [Black Sabbath]


- JEFF SCOTT SOTO -

14 - One Love [W.E.T.]

15 - Separate Ways (Worlds Apart) [Journey]

16 - I'll Be Waiting [Talisman]

17 - I Am A Viking / I'll See The Light Tonight [Yngwie Malmsteen]

18 - Coming Home [Sons Of Apollo]

19 - Stand Up [Steel Dragon]


- EDU FALASCHI -

20 - Acid Rain [Angra]

21 - Millennium Sun [Angra]

22 - Waiting Silence [Angra]

23 - Bleeding Heart [Angra]

24 - Rebirth [Angra]

25 - Heroes Of Sand [Angra]


- TODOS -

26 - Living After Midnight [Judas Priest]


Agradecimento ao Santo Rock Bar e Top Link Music pelo credenciamento e atenção

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