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22 de julho de 2026

The Eternal lançará em breve "Obscured Horizons": ouvimos o novo álbum em primeira mão e conversamos com a banda

Foto: Divulgação



Por Luciana Paltila (@lucianapaltila_media)


No dia 25 de junho, o Big Rock N’ Roll teve a oportunidade de participar de uma  listening session exclusiva de Obscured Horizons, o aguardado oitavo álbum de estúdio  do The Eternal. Fomos convidados pela Reigning Phoenix Music para participar da  sessão junto com alguns outros representantes da mídia. Ao chegarmos ao intimista  estúdio Moon Unit, em Helsinque, fomos recebidos não só com bebidas e aperitivos,  mas também com as boas vindas de Ute Linhart, da gravadora Reigning Phoenix Music,  e dos músicos do The Eternal Jan Rechberger (bateria) e Niclas Etelävuori (baixo). Após a  audição completa do disco, também conversamos com eles e ainda com Mark Kelson  (que participou online). Em nossa conversa, falamos sobre o processo de composição e  produção das novas músicas, e os conceitos por trás daquele que promete ser um dos  trabalhos mais marcantes da carreira da banda.


Foto: AJ Savolainen
Da esquerda para a direita: Niclas Etelävuori (baixo), Jan Rechberger (bateria), Mark Kelson (voz e guitarra)
e Richie Poate (guitarra)


O novo álbum Obscured Horizons:

O The Eternal é uma banda australiana-finlandesa de metal progressivo e gótico lançará Obscured Horizons mundialmente em 18 de setembro de 2026, via Reigning Phoenix Music. O álbum reúne nove faixas inéditas, incluindo os singles já divulgados, "Lament For the Hollow" e "Existing to Expire", que já davam uma boa ideia do caminho que a banda seguiria. Contudo, ouvir o álbum completo revelou uma experiência muito mais rica, imersiva e emocional.

Desde os primeiros minutos, fica claro que Obscured Horizons foi pensado como uma jornada. É um disco carregado de emoção, envolto em atmosferas sombrias e cinematográficas, mas que finaliza com momentos de luz e renascimento. A voz limpa ehipnotizante de Mark Kelson continua sendo um dos grandes trunfos da banda. 

A abertura com "Lament For the Hollow" estabelece imediatamente o clima do álbum. Guitarras pesadas, ótimos backing vocals e uma cadência marcante criam uma introdução envolvente.

Na sequência vem "Existing to Expire”, mais rápida e com um refrão extremamente marcante. Apesar de já ser conhecida, foi uma das músicas que mais me chamou atenção durante a audição do álbum por completo. É impossível não se perguntar por que ela não abre o disco, tamanha sua energia.

"Colours Fade" mergulha em uma atmosfera mais obscura logo de início, impulsionada pelos sintetizadores. Aos poucos, a faixa cresce de forma grandiosa até culminar em um belo solo de guitarra.

Em "Harmony Breaks", o lado mais sinfônico do The Eternal ganha destaque, ampliando ainda mais a dimensão cinematográfica do disco. "I've Seen the Dream" começa quase como uma balada, carregando uma atmosfera etérea e transcendental. É uma das faixas mais emotivas do disco, na minha opinião, e é daquelas que prendem o ouvinte muito mais pelo sentimento do que pelo peso.

O peso retorna com força em "Liminality", talvez a música mais extrema do álbum. Ela começa bem sombria, flertando com o death metal, mas aos poucos incorpora elementos progressivos. Os pianos em camadas enriquecem ainda mais os arranjos, evidenciando o quanto o lado progressivo do The Eternal continua sendo uma parte essencial da identidade da banda.

A faixa-título, "Obscured Horizons", chega como um verdadeiro ponto de virada na narrativa do álbum. A introdução já conquista imediatamente com uma guitarra poderosa, e logo fica evidente por que ela empresta seu nome ao disco. Segundo a própria banda, se o álbum atravessa um estado de colapso emocional, e dá para sentir que esta música representa justamente o momento do renascimento, como quem deixa uma caverna após um longo período de escuridão e finalmente recuperar a própria força.

Foto: Luciana Paltila


Essa sensação continua em "Yesterday's Gone”. Também com um solo de guitarra marcante, ela transmite perfeitamente a ideia de superação: o momento em que finalmente se recupera o fôlego depois da crise e se percebe que o passado ficou para trás.

O encerramento do álbum fica por conta de "Awaken", que abre com baterias estrondosas e termina o disco de maneira grandiosa, elegante e surpreendente. Quando tudo parece caminhar para um final épico tradicional, a música muda completamente de direção e assume uma atmosfera psicodélica que remete ao Pink Floyd, encerrando Obscured Horizons de forma inesperada e memorável.

Enfim, este próximo álbum do The Eternal é um prato cheio não só para os fãs da banda, mas também para os apreciadores do estilo.


Um bate-papo informal com a banda

Depois da audição de Obscured Horizons, tivemos a oportunidade de conversar com Mark Kelson, Jan Rechberger e Niclas Etelävuori sobre o processo criativo do álbum.

Da esquerda para a direita, Niclas Etelävuori (baixo), Luciana Paltila (representante do Big Rock N’ Roll) e Jan Rechberger (bateria)


Mark revelou que o trabalho em Obscured Horizons começou há cerca de três anos. O processo de pré-produção foi longo e bastante detalhado, permitindo que a banda refinasse cada música antes das gravações. Segundo ele, um dos conceitos centrais do disco gira em torno da ideia de "lugares paralelos", tema que permeia as letras escritas por ele. Mark comentou que teve um cuidado especial para construir letras inteligentes e reflexivas, buscando um equilíbrio entre emoção e profundidade.

Ainda segundo os músicos, a banda tomou uma decisão consciente de evitar um álbum excessivamente longo ou repleto de músicas de dez minutos. A ideia, segundo eles, era criar um trabalho compacto, objetivo e coeso, em que cada faixa tivesse um papel muito claro dentro da narrativa.

Kelson e Rechberger nos revelaram ainda que nem todas as músicas chegaram facilmente ao formato final. Enquanto a maioria passou por apenas duas revisões, "Yesterday's Gone" foi retrabalhada cerca de nove vezes até que a banda encontrasse exatamente o resultado que procurava.

Já "Awaken" foi apontada por Mark como a faixa mais difícil de escrever, principalmente pela carga emocional e pela complexidade de sua letra.

Ao final da conversa, ficou ainda mais evidente que Obscured Horizons não é apenas uma coleção de músicas, mas um álbum cuidadosamente arquitetado para ser ouvido do início ao fim. É um trabalho que equilibra peso, melancolia e sofisticação sem perder objetividade (e talvez justamente por isso tenha potencial para se tornar uma das obras mais fortes da discografia do The Eternal). E aos fãs do grupo: só se preparem para um álbum absolutamente fantástico!


Obrigada à banda The Eternal e à gravadora Reigning Phoenix Music por essa experiência incrível!

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