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16 de setembro de 2026

Sanctuary - Burning House - São Paulo/SP

Foto: Alexandre Veronesi


Sanctuary - Burning House - São Paulo/SP - 30 de agosto de 2026


Por: Alexandre Veronesi (@alexandreveronesi)

Fotos: Alexandre Veronesi (@alexandreveronesi)


Inicio este texto convidando o(a) estimado(a) leitor(a) a um breve exercício de retorno no tempo, mais especificamente para algum momento entre os anos de 2005 e 2006, o qual minha parca memória não permitiu lembrar com exatidão. Este que vos fala, em versão adolescente e no limiar da paixão pelo Heavy Metal, era um ávido consumidor da finada MTV Brasil, que muito embora não possuísse enfoque no gênero, oferecia aos fãs do mesmo, à época, o programa "Total Massacration", apresentado pelos humoristas do grupo Hermes e Renato - a caráter como integrantes do Massacration, naturalmente - e que tinha como seu mote central a exibição de videoclipes, veiculados entre esquetes humorísticas e piadas quase sempre relacionadas ao universo da música pesada. Certa feita, o meu eu de 16/17 anos viu-se completamente impactado por um vídeo em especial: a filmagem carregava uma paleta de cores pálida, e o tema musical da peça abria com um lento riff de baixo que logo dava lugar ao instrumental completo, em cadência pouco usual para os padrões do Metal clássico, até que uma figura imponente, cujas vestimentas pretas contrastavam em demasiado com as (muito) longas madeixas loiras, entrava cantando com potência, dramaticidade e fortes contornos teatrais, de maneira a beirar o exagero, mas que funcionava incrivelmente bem dentro daquele contexto. É claro que estou me referindo ao célebre e saudoso Warrel Dane no clipe de "Future Tense", da banda estadunidense SANCTUARY - participante do movimento oitentista intitulado "US Power Metal" - que está a todo vapor comemorando os 40 anos de carreira, e recentemente fez a sua tão aguardada estreia em palcos sul-americanos, sendo que o capítulo brasileiro aconteceu no dia 30 de Agosto na Burning House, em São Paulo, única data reservada para o nosso país na ocasião.

Passados poucos minutos das 20hs e com a casa bem próxima de sua lotação máxima, subiu ao palco o quinteto Joseph Michael (vocal), Lenny Rutledge (guitarra), Will Wallner (guitarra), George Hernandez (baixo) e Dave Budbill (bateria), sem introduções ou firulas, abrindo a atuação com "Arise And Purify", extraída diretamente do mais recente álbum de estúdio da banda, "The Year The Sun Died" (2014), do qual veio também a faixa seguinte, a melancólica "Frozen". O microfone de Michael apresentou falhas durante esse início, mas que logo foram resolvidas e o show pôde prosseguir sem maiores intercorrências.

A essa altura, o público já se mostrava nitidamente feliz e emocionado por estar na presença de tão icônico representante do Heavy Metal 80's pela primeira vez, mas foi mesmo aos acordes iniciais de "Die For My Sins" que a Burning House incendiou-se de fato (com o perdão do trocadilho infame). Desse momento em diante, o que pudemos testemunhar foi uma longa e bem vinda fila inteiramente composta de petardos dentre os melhores presentes nos clássicos cult "Refuge Denied" e "Into The Mirror Black" - discos lançados em 1987 e 1990, respectivamente: "Seasons Of Destruction", a densa "Veil Of Disguise", o supracitado 'hit' "Future Tense", "Taste Revenge", "Long Since Dark", "Epitaph" - tema belíssimo, o ápice do desempenho vocal de Joseph, simplesmente assombroso aqui - e a quase épica "The Mirror Black". 


Foto: Alexandre Veronesi

Foto: Alexandre Veronesi


É claro como cristal que a banda atravessa um excelente momento, pois isso transparece bem no palco. Os músicos esbanjaram presença e simpatia - inclusive Wallner, que é o mais contido dos cinco em termos de performance - e não há uma única ressalva a se fazer em relação às execuções individuais, afinal, a entrega de todos foi irretocável. Destaques para Rutledge e Budbill (únicos remanescentes da formação clássica), e à Joseph Michael, o vocalista que em 2018 assumiu a ingrata tarefa de substituir Warrel Dane, missão esta que vem cumprindo com maestria: sua voz é poderosa e versátil; o domínio de palco, invejável; tem grande carisma, alta capacidade interpretativa... enfim, o homem só não faz mesmo chover, porque de resto está tudo ali, é o pacote completo dos frontmen.

A grande surpresa da noite veio na forma de "Breathe", linda canção do Pink Floyd e parte integrante do lendário "The Dark Side Of The Moon", cuja letra inteligentemente convergiu com a de sua sucessora no setlist, "White Rabbit", releitura do grupo Jefferson Airplane que o SANCTUARY gravou no full-lenght de estreia (com direito a um solo de Dave Mustaine, líder do Megadeth e produtor da bolacha em questão). Adentrado a reta final do show, tivemos nada menos do que a avassaladora "Battle Angels", uma das mais celebradas na noite, que foi logo sucedida pela recente "Not Of The Living", lançada no formato 'single' em Abril do ano vigente. "The Year The Sun Died", dedicada ao falecido antigo vocalista, encerrou a etapa regular da apresentação, então baquetas e palhetas foram lançadas à pista, as luzes da casa se acenderam e os fãs começaram a deixar o local. Entretanto, após alguns minutos a banda retornou inesperadamente ao palco, pois ainda tinha uma última dívida para com os seus devotos seguidores: "Soldiers Of Steel", canção das mais soberbas de seu catálogo, agora sim finalizando essa atuação de gala com o primor que lhe era devido.

Em suma, as minhas duas décadas de espera pelo SANCTUARY foram devidamente recompensadas, pagas com juros e correções, e acredito piamente que todo e qualquer headbanger que tenha estado presente na Burning House naquela memorável noite de 30/08 compartilhe desse sentimento de plena satisfação e alma lavada. Um dos grandes shows de 2026, sem sombra de dúvidas!


Setlist:

01 - Arise And Purify

02 - Frozen

03 - Die For My Sins

04 - Seasons Of Destruction

05 - Veil Of Disguise

06 - Future Tense

07 - Taste Revenge

08 - Long Since Dark

09 - Epitaph

10 - The Mirror Black

11 - Breathe [Pink Floyd]

12 - White Rabbit [Jefferson Airplane]

13 - Battle Angels

14 - Not Of The Living

15 - The Year The Sun Died

16 - Soldiers Of Steel



Agradecimento à JZ Press e Dark Dimensions pelo credenciamento e atenção.

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