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| Foto: Divulgação |
Greta Van Fleet encontra novos caminhos em Palace For The People, mas mantém sua grandiosidade característica
Por: Mayara Abreu
Agradecimento: Universal Music Brasil
O Greta Van Fleet construiu uma identidade muito própria dentro do rock contemporâneo. Os vocais de Josh Kiszka, as guitarras de Jake Kiszka e a combinação de baixo, teclados e bateria criam uma sonoridade que remete ao rock clássico, mas que também ganhou características particulares ao longo dos anos. Em Palace For The People, quarto álbum de estúdio da banda, essa identidade continua sendo o ponto central.
O disco não representa uma ruptura com o que o grupo apresentou anteriormente. Pelo contrário, é um trabalho que parece confortável dentro da sonoridade que desenvolveu, alternando entre instrumentais grandiosos, músicas mais acústicas e momentos em que os integrantes podem explorar suas habilidades. É justamente aí que está o principal ponto de discussão do álbum: o Greta Van Fleet tem recursos para experimentar, mas nem sempre parece disposto a sair da própria zona de conforto.
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| Foto: Lewis Evans |
A abertura com “Into The Beginning” estabelece a atmosfera do disco por meio de uma introdução instrumental que remete bastante a The Battle at Garden’s Gate. É uma escolha que prepara o ouvinte para o que vem a seguir e reforça a familiaridade com o universo musical da banda.
Na sequência, “Tear It Down”, último single lançado antes do álbum, apresenta uma abordagem mais calma. O instrumental cresce aos poucos, preenchendo os espaços até chegar ao solo de guitarra, que aparece apenas no final. A sensação é de que toda a música está construindo o caminho para esse momento, e a espera acaba sendo recompensada pelo trabalho de Jake. O refrão é simples e direto, enquanto a interpretação de Josh acompanha a atmosfera da composição sem precisar transformar cada passagem em uma grande explosão vocal.
“Heart and the Beat” é o grande destaque do álbum para mim. A faixa trabalha muito bem as mudanças de andamento, as pausas e a entrada dos instrumentos, criando uma dinâmica que prende a atenção do início ao fim. Em determinado momento, o silêncio prepara o terreno para uma entrada de bateria impressionante de Danny Wagner, enquanto as guitarras seguem ocupando um espaço importante na construção da música. É uma composição completa, que evidencia a química entre os integrantes e tem potencial para se tornar um dos momentos mais fortes do repertório ao vivo.
Já “Boughten Bliss” segue por um caminho mais acústico, colocando os vocais e a letra em primeiro plano. A mudança de intensidade funciona como um respiro depois da movimentação de “Heart and the Beat”. Em vez de apostar na grandiosidade dos arranjos, a faixa encontra espaço em uma interpretação mais contida, mostrando que a banda também consegue trabalhar com menos elementos sem abandonar sua identidade.
“Field of Stars” dá continuidade ao repertório antes de “Play Your Games”, uma das músicas que ajudam a compreender a proposta do disco. A faixa mantém o caráter expansivo do Greta Van Fleet, com destaque para a interpretação vocal de Josh e para a energia que conduz a composição. É um exemplo de como a banda conhece bem os elementos que fazem sua música funcionar, ainda que essa familiaridade também contribua para a sensação de que o grupo poderia arriscar um pouco mais.
Na sequência, “Dreams You Hold”, “Lost in the Golden” e “Touch Again” formam uma parte importante do álbum para quem espera encontrar novas texturas na sonoridade da banda. “Lost in the Golden”, em particular, trabalha escalas e elementos melódicos que remetem a tradições musicais do Oriente Médio, criando uma atmosfera diferente daquela encontrada nos momentos mais diretamente ligados ao blues e ao rock clássico.
“Dreams You Hold” e “Touch Again” também ajudam a diversificar a sequência, explorando uma abordagem mais intensa em determinados momentos. Ainda assim, a presença dessas nuances não significa necessariamente que o álbum esteja buscando uma reinvenção. A banda continua trabalhando dentro de um território familiar, e as mudanças aparecem mais como variações dessa linguagem do que como uma transformação radical.
Em “Saw You Stand”, a construção segue uma direção mais melódica, com uma base delicada que ganha dimensão à medida que a música avança. O contraste entre os momentos mais contidos e a expansão dos vocais é um recurso que combina com a identidade do grupo. A faixa reforça a capacidade de Josh de conduzir uma composição emocional, enquanto os instrumentos acompanham esse crescimento sem perder a característica grandiosa que atravessa boa parte da discografia da banda.
“Heya” aparece na reta final do disco, seguida por “Call My Own” e “Born Into This”, responsável por encerrar o repertório. Essa sequência completa um álbum que transita entre diferentes intensidades, mas mantém uma linha sonora reconhecível do início ao fim. Mesmo com as variações de arranjo, o Greta Van Fleet não abandona os elementos que fizeram seu nome: os vocais marcantes, as guitarras em evidência e a tendência a construir músicas que parecem feitas para ocupar grandes palcos.
No fim, Palace For The People é um disco que deixa uma impressão dupla. Por um lado, há competência instrumental, boas escolhas de dinâmica e momentos em que a banda demonstra como seus integrantes funcionam bem juntos. “Heart and the Beat” é o exemplo mais evidente disso, enquanto “Tear It Down” mostra que uma construção gradual também pode ser eficiente.
Por outro, fica a sensação de que o Greta Van Fleet poderia explorar mais as possibilidades que tem à disposição. Não se trata de exigir que a banda abandone sua identidade ou tente soar como outra coisa, mas de perceber que existe espaço para levar suas composições a lugares menos previsíveis. O disco não precisa ser uma reinvenção para funcionar, e manter uma assinatura sonora reconhecível também faz parte da trajetória de um grupo.
Tracklist:
1. Into The Beginning
2. Tear It Down
3. Heart and the Beat
4. Boughten Bliss
5. Field of Stars
6. Play Your Games
7. Dreams You Hold
8. Lost In The Golden
9. Touch Again
10. Saw You Stand
11. Heya
12. Call My Own
13. Born Into This


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