Páginas

▼

15 de outubro de 2026

ANGRA - TOKIO MARINE HALL - São Paulo/SP

Foto: Ramires Almeida 


ANGRA - TOKIO MARINE HALL - São Paulo/SP - 02 de outubro de 2026


Por: Daniel Bianchi e Ramires Almeida (AM Produtora)

Fotos: Ramires Almeida


Na noite da última sexta-feira (02/10) no Tokio Marine Hall, em São Paulo, aconteceu o primeiro dia da "Imersão Especial" da banda Angra, promovida pela Top Link Music, dedicada aos 30 anos do seminal álbum Holy Land (1996) e aos 25 anos de Rebirth (2001, que aconteceu na noite de sábado). O que rolou, no entanto, passou longe de ser um mero caça-níquel nostálgico: vimos uma banda leve, com muita técnica (como sempre) mas, acima de tudo, se divertindo no palco.

Antes do ato principal, a noite foi aquecida por duas gerações distintas do metal nacional. O Throw Me To The Wolves abriu os trabalhos, entregando uma pedrada de metalcore e death metal melódico, provando que o metal moderno brasileiro respira muito bem. Na sequência, os veteranos do Viper assumiram o palco. O show foi uma viagem no tempo com clássicos como "Soldiers of Sunrise" e "Rebel Maniac", mas o ápice emocional veio em "The Spreading Soul", dedicada à memória dos inesquecíveis Andre Matos e Pit Passarell, contando inclusive com Daniel Matos no palco para dividir os vocais com o excelente Leandro Caçoilo.

Quando o Angra finalmente assumiu seu posto ao som da clássica introdução "Unfinished Allegro", seguida pelo estouro de "Carry On", ficou claro que as recentes turbulências e o fim do hiato (agora sem Fabio Lione) fizeram bem ao grupo. A entrada de Alírio Netto nos vocais trouxe sangue novo. Quem ainda duvidava da sua capacidade teve que dar o braço a torcer: o cara entregou uma performance vocal absurda, transitando com maestria entre as linhas originalmente cantadas por Andre Matos, Edu Falaschi e Fabio Lione, tudo isso com um domínio de palco espetacular.

Foto: Ramires Almeida 

Foto: Ramires Almeida 


Instrumentalmente, o Angra de 2026 é um rolo compressor. Marcelo Barbosa reproduziu os intrincados solos da era Holy Land com uma precisão assustadora, enquanto Rafael Bittencourt regia a banda. A cozinha, encabeçada pelo mestre dos graves Felipe Andreoli e pelo polivalente Bruno Valverde na bateria, segurou a onda sem deixar a energia cair um segundo sequer.

O setlist foi um espetáculo à parte. Além das faixas óbvias, a banda apostou em surpresas viscerais. Logo no começo, Alírio foi para o piano entregar um cover arrepiante de "The Show Must Go On", do Queen, que serviu de ponte perfeita para "Silence and Distance".

Mais à frente, o vocalista chocou os desavisados ao encarar os agudos impiedosos de "Wuthering Heights" (cover de Kate Bush gravado no Angels Cry). Houve espaço até para um respiro intimista quando Rafael Bittencourt, sozinho no palco com seu violão, cantou "Lullaby for Lucifer".

Foto: Ramires Almeida 

Foto: Ramires Almeida 

Foto: Ramires Almeida 

Foto: Ramires Almeida 


Mas o verdadeiro estrago para os fãs mais antigos aconteceu quando o ex-baixista Luís Mariutti (sem sua característica barba) assumiu as quatro cordas. O peso analógico e percussivo de Mariutti incendiou o Tokio Marine Hall em "Nothing to Say", "Make Believe" e na épica "Carolina IV". Esta última se estendeu por quase dez minutos, com direito a interações rítmicas tribais e o público em puro êxtase. O bis veio para fechar a conta. A trinca finalizou com o hino "Nova Era".

Foto: Ramires Almeida 

Foto: Ramires Almeida
 
Foto: Ramires Almeida 


Mesmo com um problema persistente nos PA's da casa, as 4.000 vozes presentes cantaram tão alto que qualquer problema técnico foi deixado de lado. O Angra deixou o palco ovacionado. O resgate de Holy Land provou que o legado da banda segue intacto, atual e em excelentes mãos.


Agradecimento à Top Link Music pelo credenciamento e ao Tokio Marine Hall e MM Assessoria de Imprensa pela atenção. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário