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25 de maio de 2026

Megadeth - Espaço Unimed - São Paulo/SP


Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts


Por: Ramires Almeida e Daniel Bianchi (AM Produtora)

Fotos: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts


O anúncio da turnê "This Was Our Life", despedida do Megadeth dos palcos, marcou a história do thrash metal contemporâneo. O show realizado neste sábado, 2 de maio de 2026, no Espaço Unimed, em São Paulo, não foi apenas um espetáculo, mas o ápice de uma relação de 35 anos entre a banda e o público brasileiro, iniciada no Rock in Rio em 1991.

A escolha de São Paulo como a única parada brasileira nesta fase da turnê reflete a importância da capital paulista como um dos principais pólos mundiais do heavy metal. Para os fãs, a data representou a última chance de testemunhar a técnica, a velocidade e a fúria de uma das bandas do "Big Four". A venda de ingressos esgotou-se rapidamente, confirmando o Megadeth como uma entidade que após quatro décadas mantém um apelo comercial e cultural massivo.

Este ano o Megadeth finalmente atingiu o topo das paradas norte-americanas. O álbum “Megadeth” atingiu o primeiro lugar na Billboard 200 pela primeira vez na carreira de 43 anos da banda. Este sucesso validou a decisão de Dave Mustaine de encerrar as atividades enquanto a banda ainda está em seu auge técnico e comercial, evitando um declínio melancólico. Aos 64 anos, Dave Mustaine enfrenta uma série de desafios físicos acumulados por décadas de performance intensiva: artrite nos dedos, Contratura de Dupuytren na mão esquerda (que trava as fibras musculares), paralisia do nervo radial e as sequelas de um câncer de garganta.

A formação de 2026 é considerada uma das mais tecnicamente competentes da história do grupo. A entrada de Teemu Mäntysaari, guitarrista finlandês, trouxe uma nova vitalidade. O baixista James LoMenzo e o baterista Dirk Verbeuren completam o quarteto.

O show teve início pontualmente às 21h30 e a atmosfera dentro do Espaço Unimed estava literalmente fervendo, completamente lotado pelo público que sabia tudo da banda. Um grupo seleto de 20 fãs adquiriu pacotes VIP e teve o privilégio de assistir as primeiras cinco músicas diretamente do palco. A abertura foi com "Tipping Point", a faixa, que abre o novo disco, um thrash metal direto que já estabeleceu imediatamente o tom da noite. Mustaine, visivelmente encantado com a recepção, teve uma performance vocal que, embora marcada pelo histórico de saúde, manteve a autoridade de sempre. Os fãs também ajudaram o frontman cantando sozinhos e em uníssono algumas partes das músicas, como a primeira estrofe de “Sweating Bullets” e o refrão de “Tornado of Souls”.

Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts

Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts

Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts

Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts


Um dos momentos mais significativos do setlist foi a execução de "The Conjuring", logo na segunda posição. Esta canção, que esteve fora do repertório por quase duas décadas devido às convicções religiosas de Mustaine, foi reintegrada como que em respeito à história da banda, sem censuras, preparando o terreno para clássicos como "Hangar 18" e “In My Darkest Hour”.

As novas composições mostram que a banda não pretende basear sua despedida apenas na nostalgia. "Let There Be Shred" apresenta a essência do gênero. Já "I Don't Care" trouxe um estilo mais punk e agressivo, onde Mustaine abusa de seu “rosnado”. A cada intervalo entre as músicas o público gritava: “ Olê, Olê, Olê Olê,Mustaineee, Mustaineee” em homenagem ao ídolo. Os fãs também foram à loucura quando dois Rattlehead entraram no palco em “Peace Sells”. Momento épico!

A inclusão da faixa "Ride the Lightning", originalmente gravada pelo Metallica em 1984, no repertório do show e no álbum final, é talvez o gesto mais simbólico da carreira de Mustaine. Como coautor da música, Dave utilizou esta versão para fechar um ciclo pessoal e artístico.

Apesar de ser anunciado como o show de despedida do Brasil, declarações de Dave Mustaine em entrevistas recentes abriram espaço para especulações.

Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts

Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts


Recentemente Mustaine expressou o desejo de realizar uma turnê que incluísse outras capitais como Rio de Janeiro, Curitiba, Porto Alegre, Fortaleza e Brasília, admitindo que apenas um show em São Paulo parece insuficiente para uma despedida do país.

Porém o próprio Mustaine mencionou que sua saúde física é o fator determinante, com as limitações nos dedos e braços tornando as turnês globais extensas cada vez mais difíceis de sustentar.

Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts


Para o site Big Rock 'n' Roll, o registro deste show é o testemunho de uma banda que escolheu sair de cena no topo, com um álbum número 1 e uma performance que não mostrou sinais de fadiga artística, mas sim de uma transição consciente para a eternidade da história do rock. A execução final de "Holy Wars... The Punishment Due" serviu como o ponto final perfeito, ecoando a precisão e a fúria que sempre foram a marca registrada de Dave Mustaine e seu Megadeth.


Setlist:

1. Tipping Point

2. The Conjuring

3. Hangar 18

4. She-Wolf

5. Sweating Bullets

6. I Don't Care

7. Dread and the Fugitive Mind

8. Wake Up Dead

9. In My Darkest Hour

10.Hook in Mouth

11. Let There Be Shred

12.Symphony of Destruction

13.Tornado of Souls

14.Mechanix

15.Ride the Lightning

16.Peace Sells

17.Holy Wars... The Punishment Due


Agradecimento à Catto Comunicação e Mercury Concerts pelo credenciamento e atenção. 

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