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| Foto: Alexandre Veronesi |
Nevermore - Carioca Club - São Paulo/SP - 28 de abril de 2026
Por: Alexandre Veronesi (@alexandreveronesi)
Fotos: Alexandre Veronesi (@alexandreveronesi)
Um anúncio que fervilhou o cenário metálico ao final do ano de 2024 foi o retorno do NEVERMORE, afinal, o grupo estadunidense havia se desfeito em 2011, e com o precoce falecimento de seu icônico vocalista Warrel Dane em 2017, uma eventual reunião soava como algo altamente improvável. 2025 foi o ano da reformulação, portanto quase nada tivemos de novidades, exceto pelo agendamento de alguns shows pontuais para o ano subsequente, incluindo a participação no festival Bangers Open Air, em São Paulo. Somente no mês de Fevereiro de 2026 o novo line-up foi enfim revelado: juntaram-se à Jeff Loomis (guitarra) e Van Williams (bateria) os novatos Berzan Önen (vocal), Jack Cattoi (guitarra) e Semir Özerkan (baixo); e nessa mesma época, a banda confirmou uma segunda apresentação na capital paulista, ocorrida em 28/04 no Carioca Club, tradicional casa de espetáculos localizada na região de Pinheiros, somente dois dias após brutalizar o Memorial da América Latina, há poucos quilômetros dali.
Circulando pelo local, foi possível notar algumas presenças ilustres, entre elas Daniel Erlandsson (baterista do Arch Enemy), Fabio Lione (ex-vocalista do Angra e Rhapsody), Rodrigo Oliveira e Jéssica Falchi (ambos do Korzus); e minutos antes do horário programado para o início, pista e camarote encontravam-se completamente tomados, mostrando logo de cara que o NEVERMORE estava de volta mais forte e 'hypado' do que nunca. O show então começou pontualmente por meio da intro "Ophidian", que precedeu "Beyond Within" - tema de abertura do disco de 1999, "Dreaming Neon Black" - e a paulada "My Acid Words" veio na sequência. "Enemies Of Reality" gerou uma verdadeira catarse no recinto (com seu refrão bradado a plenos pulmões por todos), tal qual "Engines Of Hate", e os ânimos só se acalmaram levemente na belíssima "Sentient 6", cuja temática a respeito de inteligência artificial converge diretamente com questões atuais de grande relevância, mesmo havendo sido composta há mais de duas décadas atrás. A maior surpresa da noite ficou por conta de "Next In Line", a única representante de "The Politics Of Ecstasy" (1996) na ocasião, que ainda não havia sido executada nos shows pós-retorno da banda; e logo depois "Moonrise (Through Mirrors Of Death)" nos rememorou sobre a excelência de "The Obsidian Conspiracy", o até então mais recente registro de estúdio dos caras, disponibilizado no longínquo 2010.
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| Foto: Alexandre Veronesi |
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| Foto: Alexandre Veronesi |
A escolha dos novos músicos, desde os primeiros acordes emitidos nos PA's do Carioca Club, mostrou-se mais do que acertada. Desnecessário gastar linhas e mais linhas descrevendo precisão, 'punch' e criatividade por parte de Loomis e Williams - afinal, o estimado leitor provavelmente já conhece bem a qualidade da dupla - mas vale mencionar a impressionante técnica do jovem Jack Cattoi, que tem apenas 23 anos de idade, um verdadeiro prodígio; o estilo eficaz e pouco ortodoxo (além da ótima presença de palco) de Semir Özerkan; e, especialmente, a performance abissal de Berzan Önen, que sim, muito lembra o saudoso antigo frontman em termos de timbre, mas ao mesmo tempo ostenta uma impressão digital bastante singular na voz, identidade essa que o afasta em demasia do rótulo de 'clone' - imprescindível dizer, o cantor foi ovacionado pela plateia em diversos momentos da apresentação, chegando até a se emocionar autenticamente com o carinho dos fãs.
Após "Inside Four Walls", recebemos a densa "The Heart Collector", ápice da interação banda / audiência, dedicada à todos que se foram deste plano, e sobretudo, à Warrel Dane, como não poderia deixar de ser. As avassaladoras "Born" e "Final Product" voltaram a incendiar a pista com 'circle pits' e 'headbangings' frenéticos, ao passo que "Believe In Nothing" levou às lágrimas uma considerável porção de marmanjos barbados. O encerramento do set regular se deu com o épico apocalíptico "This Godless Endeavor", som intrincado e repleto de variações, uma peça das mais seminais da música pesada nos anos 2000. Rapidamente o quinteto voltou ao palco, e dessa forma, com cerca de 1h40 de espetáculo, a noite findou-se através dos hinos "Narcosynthesis" e "The River Dragon Has Come", esgotando aqui as derradeiras gotas de energia dos presentes, que cumpriram a façanha de lotar uma casa de médio-porte em plena terça-feira caótica na capital paulista - tarefa nada fácil, diga-se de passagem, ainda mais se considerarmos que Abril foi um mês absolutamente entupido de eventos no âmbito do Rock e do Heavy Metal.
Com um sorriso no rosto e a certeza de ter testemunhado um dos grandes shows da temporada 2026, resta agora controlar as expectativas e aguardar pelos vindouros passos do NEVERMORE, caminhos estes que devem incluir um novo álbum em breve, e muitas turnês mais pela frente. Vida longa ao grupo!
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| Foto: Alexandre Veronesi |
Setlist:
01 - Beyond Within
02 - My Acid Words
03 - Enemies Of Reality
04 - Engines Of Hate
05 - Sentient 6
06 - Next In Line
07 - Moonrise (Through Mirrors Of Death)
08 - Inside Four Walls
09 - The Heart Collector
10 - Born
11 - Final Product
12 - Believe In Nothing
13 - This Godless Endeavor
14 - Narcosynthesis
15 - The River Dragon Has Come
Agradecimento à Franke Comunicação e Honorsounds pelo credenciamento e atenção.
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