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22 de julho de 2019

O CHORO PELA VITÓRIA

Foto: Divulgação

"Me dê motivos pra sonhar... ou deixe-me só, pra pensar como seria bom, se fossemos livres de verdade, mas qualquer dúvida espere só até ouvir falar de nós, mantenha a dúvida, até ouvir falar de nós... eles testam você... como se fosse tudo em vão..."
(Mantenha a Dúvida E Espere Até Ouvir Falar de Nós- Charlie Brown Jr)

Essa música do Charlie Brown Jr está no segundo disco da banda, 'Preço Curto,Prazo Longo', que esse ano está completando 20 anos! É uma música importantíssima pra banda, e eu diria para todas as bandas que tentam fazer sucesso no Brasil. É difícil, é um trabalho árduo, viver nesse país com tanto pilantra, com tanta música ruim, viver por aqui é um ato de rebeldia. 
Chorão fez letras que ficaram eternizadas na mente dos jovens, podemos sentir isso no último dia 13 de julho, dia Mundial do Rock, a festa que a 89 FM, a Rádio Rock, proporcionou para os roqueiros no Espaço das Américas foi espetacular.

A casa estava abarrotada de gente, e para início de conversa, tivemos o show da banda Far From Alaska. A banda é uma das novas apostas do rock nacional, tiveram uma boa aceitação do público e fecharam o show com a participação do Dinho Ouro Preto, do Capital Inicial.

Após darmos umas voltas pelo Espaço das Américas, e tomarmos uma em homenagem ao Chorão, Champion e ao dia Mundial do Rock, era a hora do #raprockandrollpsicodeliahardcoreragga do Marcelo D2.
Com um show calcado no novo disco 'Amar é Para os Fortes' - belo título! D2 fez um show contundente, com imagens do filme de mesmo nome no telão, e muitos hits. Marcelo D2 levou o seu já conhecido Samba- Rap para o público acender suas opiniões contrárias ao governo eleito.

Com um naipe de metais, um baterista, um tecladista  e o mestre dos toca-discos, DJ Nuts, o vocalista do Planet Hemp agradou o público presente logo que entrou ao palco com uma máscara assustadora, rimando como um dos maiores Mc's do país, e despejando um sucesso atrás do outro. O momento impagável da noite foi o coro contra o nosso maravilhoso presidente. Faz poucos dias assisti o filme "Legalize Já", a película conta a história da formação do Planet Hemp, vale a pena ver. Outro momento particular, aqui vai: nunca fui usuário de maconha, porém, na escola, eu tinha uns 14 anos, fiz um trabalho defendendo a erva, e tirei nota 10 (risos).

A próxima banda a se apresentar foi o CPM 22. Mais um momento nostalgia: a primeira vez que fui num ensaio de uma banda, foi de uma banda cover de CPM, o nome da banda era Punkmon, veja você... O CPM 22 entrou no palco já botando pra quebrar com um hit atrás do outro. É impressionante a quantidade de músicas de sucesso da banda que está completando 25 anos em 2019.  Badauí é um frontman carismático. Alguns dias antes estive na coletiva de imprensa da apresentação do line up do festival Oxigênio, o vocalista do CPM soltou algumas frases bombásticas, talvez a principal delas tenha sido que a última grande cena de rock que tivemos no Brasil, não era rock.  Voltando ao show da 89, o público cantava todas as músicas com o coração, a banda formada por Japinha (bateria), Luciano (guitarra), Fernando (baixo), Phil (guitarra) e o já citado, Badauí, fez um dos melhores shows da carreira, a própria banda afirmou isso em entrevistas posteriores. A troca de energia entre a plateia e a banda estava contagiante. 

Após o grande show do CPM 22, era a hora da bela homenagem ao Chorão e Champion. A nova banda é formada por um dos remanescentes da primeira formação clássica do grupo, Marcão (guitarra) comandou a festa em homenagem a um dos maiores cantores que o rock brasileiro já teve. Heitor Gomes (baixista), Pinguim (bateria) e Panda, vocalista da banda La Raza, teve a difícil missão de cantar na banda. Sua performance foi muito boa. Acho que escolheram certo o substituto.
Acompanhei um dos primeiros shows do Charlie Brown Jr aqui em São Paulo, quando abriram para o The Offspring no Olympia em 1998. O Charlie Brown é uma das bandas da minha vida, pois, lembro quando ouvi a primeira vez na rádio, comprei todos os discos, fizeram um show antológico no festival Close Up, nesse dia o headliner foi David Bowie.

O Charlie Brown foi uma banda importantíssima para o rock nacional. Daqui alguns anos ainda estaremos falando deles. 
Uma dica para leitores de livros é o "Se Não Eu Quem Vai Fazer Você Feliz?" livro da viúva de Chorão, Graziela Gonçalves. Ela conta toda a história do casal, e consequentemente do Charlie Brown Jr, uma obra onde mostra bem como é difícil fazer sucesso nesse país e também que às vezes você pode encontrar o grande amor da sua vida. 

Voltando mais uma vez ao show do dia 13 de julho, um dos pontos altos do show foi a participação de Mike Muir, vocalista do Suicidal Tendencies. O Suicidal sempre foi uma das principais influências do Charlie Brown, Marcão durante o show comentou que era um grande sonho estar tocando com o Mike, e o Chorão com certeza estaria muito feliz com essa participação. 

Um dos momentos mais emocionantes do show foi a participação dos filhos do Champion, do Marcão, e do Chorão cantando músicas da banda. O Charlie Brown tem tantas músicas que ficaram na cabeça do povo, que eram 5 horas da manhã, a banda ainda estava na "saideira". Foi uma catarse, foi uma linda homenagem a essa banda que, assim como um filho, uma namorada, acompanhou a vida de muita gente durante muitos anos. 

A tríade do rock and roll sempre foi: sexo, drogas e rock and roll, mas bem que todo mundo poderia voltar pra casa depois de um show com lágrimas, beijos, suor e vitória.

Todo mundo deveria poder voltar pra casa...


"Como era difícil acreditar que ia chegar onde estou
Que minha vida ia mudar, e mudou
Dificuldade então
Passava eu, meu pai, minha família e meus irmãos
Sem perceber larguei a escola e fui pra rua aprender
Andar de skate e tocar, é
Correr pra ver o mar
Fui atrás do que quis, é
Sabia, só assim, podia ser feliz
Eu quero ser feliz
Quem não quer ser feliz, me diz?

Então é preciso chegar em algum lugar
Ter algo bom pra comer
E algum lugar pra se morar
Satisfeito, então
Eu faço a preza pros irmão
Consciente, pé no chão
Daqui nada se leva
De coração eu faço a preza, vai

Existe sempre um outro jeito de se poder chegar
Existe sempre um outro jeito de se poder chegar
Sangue bom

Sempre sonhei em fazer um som que fosse a cara
E então poder chegar em algum lugar
Ver a garota sorrir
A galera pular
A multidão a me chamar
Ah, que lindo está, yeah

Dizem que ele é bom
Também mostro quem eu sou
Aquele mano se ligou
Se ele não, demorou
Os manos ali detrás
Pode ensinar você

Dizem que ele é bom
Também mostro quem eu sou
Aquele mano se ligou
Se ele não, demorou

Dei um trocado prum pivete no farol
Olhei pro lado, tava o pai
Pensei: Velho filha da puta, explorador!
Mas vai saber, sei lá
Cada um tem sua história
Eu tô aqui pra aprender, não pra julgar
Quem pode me julgar? Quem?
Pelo menos desde cedo o pivete vai aprender a se virar (ah vai)

E graças a Deus, eu não tive um pai assim
Meu pai, um grande homem
Me ensinou como ser homem também
Longe do velho eu passei fome
Isso é passado, amém
Mas eu tive quem sempre olhou por mim

Existe sempre um outro jeito de se poder chegar
Existe sempre um outro jeito de se poder chegar
Existe sempre um outro jeito de se poder chegar
Existe sim, sim eu sei

Sempre sonhei em fazer um som que fosse a cara
E então poder chegar em algum lugar
Ver a garota sorrir
A galera pular
A multidão a me chamar
Ah, que lindo está, yeah"

(O Preço- Charlie Brown Jr)


Por: Pedro Pellegrino

Agradecimento pelo credenciamento: Fabiana Villela - Talento Comunicação / Espaço das Américas

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