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| Foto: Divulgação |
Por: Mayara Abreu
Se existe algo que o Story Of The Year sabe fazer como poucos é transformar caos emocional em música que bate forte, tanto no peito quanto na cabeça. Em A.R.S.O.N. (All Rage, Still Only Numb), oitavo álbum de estúdio da banda, os caras aprofundam e transformam dor, frustração e relações quebradas em um disco intenso e cheio de identidade.
Depois de Tear Me To Pieces (2023), que já mostrava um grupo mais maduro, pesado e introspectivo, o Story Of The Year parece dar um passo além. O álbum anterior soava como o reconhecimento de estar preso em algo tóxico, já A.R.S.O.N. soa como o confronto direto com esse ciclo: raiva, apego, recaídas emocionais e aquela sensação estranha de ainda estar entorpecido mesmo depois do estrago.
A abertura com “Gasoline (All Rage, Still Only Numb)” não poderia ser mais simbólica. Lançada previamente como single, a faixa entrega exatamente o que promete: guitarras pesadas, gritos bem encaixados e uma energia que remete bastante à fase Page Avenue, sem parecer datada. É explosiva e funciona perfeitamente como porta de entrada para o universo do disco.
Na sequência, “Disconnected” mantém a intensidade, mas flerta mais com a estética recente da banda. A alternância entre voz limpa e momentos mais agressivos cria uma dinâmica que gruda fácil, principalmente no refrão, daqueles que pedem roda de mosh ou pelo menos uma boa balançada de cabeça.
“See Through” tem um clima mais emo, efeitos sutis na voz e um refrão extremamente pegajoso, a música mostra que o Story Of The Year continua sabendo escrever canções melódicas sem perder personalidade.
Já “Fall Away” é uma das surpresas do álbum. Mistura gritos, linhas limpas e ainda insere um trecho falado em formato de rap no meio da faixa, quebrando expectativas. Pode soar estranho no papel, mas funciona muito bem na prática e adiciona um tempero diferente ao disco.
“3 AM” é aquele tipo de música que cresce a cada audição. O riff principal é marcante, a construção é bem pensada e a alternância entre vocais mais suaves e explosões pontuais dá um charme especial. É animada, vibrante e facilmente imaginável dominando playlists e redes sociais.
Quando “Into The Dark” entra, o álbum volta a mergulhar de cabeça no peso. A faixa começa pesada e segue assim até o fim, sem grandes concessões, mostrando um lado mais direto e agressivo da banda.
“My Religion” dialoga bastante com a fase mais recente do grupo, trazendo mais efeitos sonoros e uma estrutura menos previsível. É uma faixa que foge um pouco do padrão do álbum, mas contribui para a sensação de variedade.
Um dos grandes destaques é “Halos”. A música cresce de forma quase cinematográfica, com riffs marcados, ótimo trabalho de backing vocal e uma progressão clara entre partes mais limpas e explosões de peso. O final é carregado de gritos, guitarra e bateria.
Em “Good For Me / Feel So Bad”, o Story Of The Year flerta com um lado mais pop punk, lembrando até bandas como Simple Plan. O refrão é imediato, feito para ser cantado em coro, e deve ganhar ainda mais força ao vivo.
“Better Than High” funciona como um respiro emocional. Acústica, melódica e delicada, soa quase como uma love song em meio ao turbilhão. É simples, mas extremamente eficaz.
Fechando o disco, “I Don’t Wanna Feel Like This Anymore” entrega exatamente o que um encerramento pede: sensação de conclusão. A faixa transita entre momentos mais contidos e explosões pesadas, criando uma atmosfera de fim de ciclo que casa perfeitamente com a proposta do álbum.
No fim das contas, A.R.S.O.N. mostra um Story Of The Year confortável com sua própria evolução. Eles não tentam repetir fórmulas do passado, mas também não renegam suas raízes. O resultado é um disco intenso, emocionalmente honesto e que reforça por que a banda segue relevante depois de mais de duas décadas de carreira.
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| Foto: Ryan Smith |
Selo: SharpTone Records
Lançamento: 13/02/2026
Formação:
Dan Marsala [vocal]
Ryan Phillips [guitarra]
Adam Russell [baixo]
Josh Wills [bateria]
Tracklist:
Gasoline (All Rage Still Only Numb)
Disconnected
See Through
Fall Away
3 am
Into The Dark
My Religion
Halos
Good for Me / Feel so Bad
Better Than High
I Don’t Wanna Feel Like This Anymore





