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| Foto: Divulgação |
Culture Wars vive nova fase criativa e promete vinda ao Brasil
Por: Mayara Abreu
Agradecimento: HQ Music
Em um papo rápido, mas direto e cheio de sinceridade, a banda Culture Wars falou com a Big Rock N’ Roll sobre o novo single “In The Morning”, o processo de transformação do próximo álbum e o momento em que a banda percebeu que algo realmente grande estava acontecendo.
“In The Morning” nasce de um lugar vulnerável. Quando perguntei sobre o processo de composição, Alex Dugan explicou que muita coisa aconteceu de forma quase inconsciente.
“Essa música foi interessante porque muita coisa ali era realmente sobre mim. Quando o Caleb começou a criar a parte musical, eu meio que só fui acompanhando e deixando as coisas escaparem da minha boca. Eu acho curioso o que sai da minha cabeça quando eu não estou pensando demais, quando vem do subconsciente.”
A música fala sobre uma versão antiga dele: aquele momento de acordar sozinho, de ressaca, tentando convencer alguém a aparecer e diminuir a solidão. Hoje, casado e em outro momento da vida, ele enxerga a canção como um ciclo encerrado.
“Ainda parece uma parte de mim, mas quando você escreve algo assim e coloca no papel, é como se pudesse fechar o livro. Fiquei muito orgulhoso quando terminamos. Pensei: ‘Ok, você fez um bom trabalho, Alex.’”
Guitarras intensas, sentimento verdadeiro
Um dos pontos mais marcantes da faixa é o contraste entre guitarras fortes e letras emocionais. Para a banda, esse equilíbrio acontece de forma muito natural.
Caleb explicou que eles raramente começam uma música com a visão completa pronta.
“Quase nunca começamos com a visão final da música. Às vezes o Alex começa com um violão, às vezes eu faço uma batida. As músicas meio que dizem para nós o que elas querem ser. Nosso trabalho é só garantir que isso aconteça e não atrapalhar.”
Segundo eles, para esse álbum a regra foi simples: se a música não funciona só com voz e guitarra, ela não vai para frente.
“Se não for boa apenas com dois elementos — voz e guitarra — então a gente não continua. Quando temos essa base sólida, podemos deixar as guitarras fazerem o que quiserem. Não precisamos colocar um monte de enfeites. A música já está ali.”
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| Foto: @imeliot |
O álbum mudou e eles também
O disco que antes se chamaria If Not Now, When? já não carrega mais esse nome. A essência continua, mas o momento é outro.
“Quando pensamos nesse nome foi há dois anos. Mudamos muito desde então. Não parece mais que combina com quem somos agora.”
A mudança foi profunda: metade do álbum foi reescrita. E um dos grandes pontos de virada veio depois de abrirem o show do LANY na Philippine Arena.
Alex relembra que provocou Caleb depois daquela experiência gigante:
“Eu falei: ‘E se a gente refizesse tudo?’”
Caleb então remixou o álbum inteiro com aquela energia de estádio em mente.
“Tocar ao vivo, interagir com pessoas reais, nos deu muita informação. Demos a nós mesmos a permissão de simplesmente sermos uma banda — os instrumentos e nada mais. Isso fez toda a diferença.”
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| Foto: Divulgação |
O momento em que a chave virou
Com mais de um milhão de ouvintes mensais no Spotify, perguntei quando eles perceberam que algo realmente estava mudando.
Para Alex, foi claro:
“‘Typical Ways’ foi o ponto de virada. Foi quando a chave girou e o motor ligou.”
Abrir para bandas como LANY, Keane e Wallows também virou uma espécie de aula prática.
“A gente observa tudo. Como eles fazem a transição entre as músicas, como performam noite após noite. É uma educação muito rápida e muito boa.”
Mas talvez o relato mais simbólico tenha vindo de uma experiência familiar:
“Meu pai estava na academia e o treinador estava tocando ‘Typical Ways’. Meu pai falou: ‘Esse é meu filho.’ E o cara perguntou: ‘Seu filho é o do regata no final?’ Eu pensei: ok… chegamos lá.”
Por onde começar a ouvir?
Perguntei qual música indicariam para quem está conhecendo o Culture Wars agora.
As respostas vieram rápidas:
“Typical Ways”, porque é a que o público mais se conecta
“Slowly”, favorita pessoal
“Bittersweet”
“Wasting My Time”, que eles chamaram de “um hino”
E uma coisa ficou clara:
“Não importa o quão bom seja o disco, o show ao vivo é sempre melhor. Somos uma banda muito boa ao vivo. Ensaiamos muito. Levamos isso muito a sério.”
Antes de encerrar, fiz a pergunta obrigatória: e o Brasil?
A resposta veio direta:
“O plano é ir ainda este ano.”
Se depender da energia da conversa, o Brasil já está na rota.
Confira a entrevista na íntegra:






