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25 de outubro de 2026

The Gathering e Anneke van Giersbergen: Celebração histórica aos 30 anos disco “Mandylion” em São Paulo

Foto: Leandro Godoi


The Gathering - Audio - São Paulo/SP - 15 de outubro de 2026


Por: Sara Ferrer

Fotos gentilmente cedidas por Leandro Godoi (@leandro_godoi)


Em noite de pura emoção e nostalgia, a formação clássica da banda holandesa celebrou os 30 anos de “Mandylion” e fez da Audio o palco de uma verdadeira comunhão com o público brasileiro.


A noite de quinta-feira, 15 de outubro, não foi apenas mais uma data de turnê na capital paulista; foi um encontro histórico e emocionante guardado no coração dos fãs por três décadas. No palco da Áudio, em São Paulo, o The Gathering celebrou os 30 anos do atemporal álbum “Mandylion” lançado lá em 1995 e repleto de hits, e obra-prima de seu rock progressivo, atmosférico e pesado. Com a sua formação clássica completa, entregou duas horas de um show memorável e de "lavar a alma".

Saturnus - Burning House - São Paulo/SP

Foto: Alexandre Veronesi 

Saturnus - Burning House - São Paulo/SP - 06 de outubro de 2026


Por: Alexandre Veronesi (@alexandreveronesi)

Fotos: Alexandre Veronesi (@alexandreveronesi)


No último dia 06 de Outubro, uma terça-feira aparentemente ordinária, a cidade de São Paulo viu-se repentinamente tomada por neblina e melancolia. Qual seria a causa disso, afinal? A resposta é mais simples do que parece: os dinamarqueses do SATURNUS, dos principais nomes do Doom/Death Metal mundial, pisavam em solo brasileiro pela primeira vez, finalmente. Única data em nosso país, o show aconteceu na Burning House, casa de eventos que em pouco tempo de existência já se tornou um verdadeiro antro do underground paulistano, recebendo grandes ícones da música pesada e/ou alternativa quase que semanalmente.

21 de outubro de 2026

Thrash Under Pressure - La Iglesia - São Paulo/SP

Foto: Alexandre Veronesi 


Thrash Under Pressure - La Iglesia - São Paulo/SP - 25 de setembro de 2026


Por: Alexandre Veronesi (@alexandreveronesi)

Fotos: Alexandre Veronesi (@alexandreveronesi)


Idealizado por Diego Nogueira Sábio, membro dos grupos Anthares e Blasthrash, além de figura fortemente atuante no cenário underground paulistano, o festival THRASH UNDER PRESSURE chegou à sexta edição nesta temporada de 2026, contando pela primeiríssima vez com um nome internacional em meio ao seu sempre abalizado cast, que foi composto pelas bandas RED TO GREY (Alemanha), ANTHARES, EVILCULT e RETALIADOR. O evento rolou em 25 de Setembro no La Iglesia, aconchegante casa de shows localizada em Pinheiros e já amplamente conhecida pelo público Rock / Heavy Metal da região de São Paulo.

20 de outubro de 2026

Faces of Death - La Iglesia - São Paulo/SP

Foto: Divulgação 


Faces of Death - La Iglesia - São Paulo/SP - 26 de setembro de 2026


Por: Rodrigo Noé de Souza (Mtb 0090611/SP )

Foto: Divulgação 


Após castigar a cidade com inúmeras chuvas e enchentes, São Paulo FINALMENTE pode respirar com o calor tardio. E nada melhor do que curtir uma noite de muito Metal, com as bandas Faces of Death e Selvageria, no La Iglesia, na Zona Oeste da capital.

Os integrantes do Faces haviam chegado para passar o som, porém a casa estava fechada. Como não são bobos, decidiram tomar cerveja para esperar a casa abrir. Haviam muitos fãs e presentes para conferir as bandas. Mas, a "Igreja" só abriu Às 20hs, uma hora a mais do que havia previsto.

18 de outubro de 2026

Rock in Rio 2026: Peso, atitude e grandes performances fizeram do segundo dia um dos mais intensos da edição

Foto: @SHOURICO


Rock in Rio 2026 - Rio de Janeiro/RJ - 5 de setembro de 2026


Por: Cammy Marinho

Fotos: Produção Rock in Rio 


Se o primeiro dia do Rock in Rio 2026 abriu os trabalhos em grande estilo, o sábado, 5 de setembro, mostrou que a Cidade do Rock também pode ser território do metal. Com uma programação concentrada no rock pesado, o segundo dia reuniu diferentes gerações, estilos e vertentes em uma maratona que começou no início da tarde e avançou madrugada adentro.

15 de outubro de 2026

ANGRA - TOKIO MARINE HALL - São Paulo/SP

Foto: Ramires Almeida 


ANGRA - TOKIO MARINE HALL - São Paulo/SP - 02 de outubro de 2026


Por: Daniel Bianchi e Ramires Almeida (AM Produtora)

Fotos: Ramires Almeida


Na noite da última sexta-feira (02/10) no Tokio Marine Hall, em São Paulo, aconteceu o primeiro dia da "Imersão Especial" da banda Angra, promovida pela Top Link Music, dedicada aos 30 anos do seminal álbum Holy Land (1996) e aos 25 anos de Rebirth (2001, que aconteceu na noite de sábado). O que rolou, no entanto, passou longe de ser um mero caça-níquel nostálgico: vimos uma banda leve, com muita técnica (como sempre) mas, acima de tudo, se divertindo no palco.

10 de outubro de 2026

Left to Die, Flageladör e Cemitério unem forças para promover o doce e mortal som que ecoa do além-túmulo na Burning House

Foto: Rafael Procópio 


Por: Alexandre Veronesi e Rafael Cunha Procópio

Fotos do Cemitério por Alexandre Veronesi

Fotos do Flageladör e do Left to Die por Rafael Cunha Procópio


Este tem se mostrado um ano extraordinário para fã brasileiro de Death nenhum colocar defeito. O calendário de shows de 2026 no Brasil trouxe – ou ainda trará – concertos que possuem íntima relação com todas as fases musicais desse pilar fundamental do metal da morte estadunidense. Sem sombra de dúvida, ao menos um (senão todos) desses atos agradaram a vasta e variada legião de fãs do legado musical de Chuck Schuldiner. Iniciando o ano com a vinda da veia mais progressiva e reflexiva do Death, em janeiro, com o Cynic, do ex-membro Paul Masvidal (Human), e da fase mais técnica, bem representada no retorno da banda legado/tributo Death to All, composta por uma variedade de ex-membros – Steve DiGiorgio (Human e Individual Thought Patterns), Gene Hoglan (Individual Thought Patterns e Symbolic) e Bobby Koelble (Symbolic) –, a reta final de 2026 retrocedeu ainda mais no tempo e prestigia a fase inicial deliciosamente grotesca e podre do Mantas/Death. Em menos de dois meses, o público brasileiro terá a oportunidade de prestigiar ao vivo os outros dois membros fundadores do Mantas: Kam Lee virá como vocalista convidado do Benediction em outubro/novembro e, agora sim o motivo deste texto, Rick Rozz (Leprosy), que empunha o legado do Death no Left to Die ao lado do também ex-Death Terry Butler (Leprosy e Spiritual Healing).

8 de outubro de 2026

Bülent Ceylan em Essen: quando o comediante sobe ao palco e entrega um verdadeiro show de Metal

Foto: Nayara Sabino 


Bülent Ceylan - Weststadthalle - Essen/Alemanha - 24 de setembro de 2026



Por: Cintia Seide

Fotos: Nayara Sabino 


Existe uma pergunta que provavelmente acompanha Bülent Ceylan desde que ele decidiu levar sua paixão pelo Metal para muito além das camisetas de banda, das longas madeixas e das referências que sempre fizeram parte de sua carreira como comediante: afinal, o que acontece quando um dos comediantes mais conhecidos da Alemanha decide assumir também o posto de frontman de uma banda de Metal?

Na noite de 24 de setembro, na Weststadthalle, em Essen, a resposta ficou bastante clara: acontece um show de verdade. E um excelente show.

6 de outubro de 2026

Noite Sinfônica: Anette Olzon celebra sua era no Nightwish entre clássicos e arranjos grandiosos

 

Foto: Clovis Roman 

Anette Olzon - Teatro APCD - São Paulo/SP - 26 de setembro de 2026


Por: Sara Ferrer

Fotos gentilmente cedidas por Clovis Roman (@clovis_roman)


Foi neste último sábado, 26, no Teatro APCD, em São Paulo, capital, que a cantora sueca Anette Olzon, conhecida por sua passagem pela banda de metal sinfônico Nightwish, entregou um show espetacular.

Com acompanhamento da Orquestra Filarmônica de Indaiatuba e abertura da banda curitibana Magistry, o que presenciamos foi um show marcado por resgates históricos, presença de palco e grande interação com a plateia.

4 de outubro de 2026

Bloodbath, The Haunted, NervoChaos e Warshipper - Carioca Club - São Paulo/SP

Foto: Jaqueline Souza 


Bloodbath, The Haunted, NervoChaos e Warshipper - Carioca Club - São Paulo/SP - 08 de setembro de 2026


Por: Alexandre Veronesi (@alexandreveronesi)

Fotos: gentilmente cedidas por Jaqueline Souza (@jackie.souza.flashes) / Metal no Papel


Unir um time de músicos excepcionais e/ou renomados nem sempre é garantia de sucesso. Na história do Rock, podemos citar um sem número de supergrupos que sumiram tão rápido quanto apareceram, ou até mesmo que falharam miseravelmente pelos mais diversos motivos: disputas de egos, falta de química, empresariamento, questões burocráticas etc. Felizmente, esse não é o caso do BLOODBATH, potência sueca do Death Metal fundada no final da década de 1990 por integrantes do Opeth e do Katatonia, que realizou a sua tão aguardada estreia na América do Sul neste ano de 2026, com um show único no Brasil - ocorrido no Carioca Club (São Paulo) em 08 de Setembro - muito bem acompanhados por seus conterrâneos do THE HAUNTED, além das pratas da casa NERVOCHAOS e WARSHIPPER.

30 de setembro de 2026

Nervosa "esquenta a noite" no Carioca Club, em São Paulo

Foto: Rodrigo Faustino


Nervosa - Carioca Club - São Paulo/SP - 7 de setembro de 2026


Por: Rodrigo Noé de Souza (Mtb 0090611/SP )

Fotos: gentilmente cedidas por Rodrigo Faustino / Metal Na Lata


São Paulo, dia 7 de setembro, feriado nacional. Enquanto o paulistano está quase voltando da folga prolongada, o headbanger enfrenta o frio intenso para conferir o show da Nervosa, em pleno Carioca Club, na Rua Cardeal Arcoverde, em Pinheiros, Zona Oeste de São Paulo.

À medida que chegava a hora dos portões se abrirem, alguns fãs se engalfinharam na fila. Quando deu 18hs, os fãs entraram e lá dentro fizeram um mutirão para conferir as bancas de merchandising.

Helloween em São Paulo — A Batalha dos Sete Guerreiros

Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts


Helloween - Suhai Music Hall - São Paulo/SP - 19 de setembro de 2026 


Por: Léo Wacken 

Fotos: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts


Três anos. 

Três longos anos haviam se passado desde a última aparição do Helloween em terras brasileiras, quando os alemães marcharam pelo Monsters of Rock. Mas naquela noite, em São Paulo, a história seria diferente. Não haveria festival. Não haveria campo aberto. Não haveria exércitos dividindo territórios. Haveria apenas uma fortaleza. O Suhai Music Hall. E dentro dela, mais de nove mil guerreiros vestidos de preto aguardavam a chegada de uma das maiores legiões que já empunharam as armas do heavy metal. 

Eu estava entre eles. 

Coração acelerado. 

Sangue fervendo nas veias. A sensação de que algo monumental estava prestes a acontecer. 

Ao atravessar os portões da arena, a visão parecia saída de uma antiga crônica de guerra: milhares de camisetas do Helloween, estandartes improvisados, punhos erguidos, cabelos balançando e símbolos da banda espalhados por todos os cantos. 

Não era simplesmente um público. 

Era um exército. 

E naquela noite, todos haviam vindo para lutar. Não por território. Não por ouro. Não por glória. Mas por música. 

As armas estavam desembainhadas na alma. Espadas imaginárias cortavam o ar. Machados eram erguidos a cada refrão. Lanças apontavam para o céu. Cada headbanger sabia que, quando as luzes se apagassem, não haveria mais volta. A guerra começaria. 

Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts


O EXÉRCITO DOS SETE 

Depois de anos de batalhas, mudanças, partidas e reencontros, sete guerreiros voltavam a marchar sob a mesma bandeira. Michael Kiske,  Andi Deris, Kai Hansen, Michael Weikath,  Sascha Gerstner, Markus Grosskopf, Daniel Löble. Sete homens. Sete armas. Sete histórias. Uma única bandeira. Helloween. 

Desde o retorno de Kiske e do lendário Kai Hansen, aquela formação havia transformado antigas cicatrizes em marcas de guerra. O antigo reino dividido havia encontrado uma nova forma de união. E naquela noite, não havia mais espaço para velhos conflitos. Havia apenas a batalha. E São Paulo estava pronta. 

Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts

Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts


O CAMPO DE BATALHA 

Naquela noite, o Helloween não enfrentava apenas São Paulo. Enfrentava a própria história. Era sua 14ª passagem pelo Brasil e seu 57º show em terras brasileiras. Três dias antes, os alemães haviam travado batalha em Porto Alegre. Agora era a vez da capital paulista. E os alemães sabiam que estavam diante de uma tropa que não aceitava misericórdia. 

Mais de nove mil almas. Nove mil guerreiros. Nove mil headbangers vestidos de preto, muitos deles usando orgulhosamente suas camisetas do Helloween como se fossem armaduras. Quando as luzes se apagaram, a fortaleza mergulhou na escuridão. E então veio o chamado. 

A introdução de “Let Me Entertain You”, de Robbie Williams, abriu os portões da batalha. Não era uma simples entrada. 

Era o toque dos tambores. 

E, logo depois, a primeira espada foi desembainhada. “March of Time”. Uma escolha que soou como um chamado ancestral. Uma música cultuada pelos guerreiros mais antigos da legião, raramente invocada nos campos de batalha. Mas naquela noite ela voltou. 

E veio primeiro. 

Michael Kiske tomou o campo. Sua voz parecia uma lâmina atravessando o céu. Era preciso ouvir para acreditar. 

Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts


O REI DOS MIL ANOS 

Então veio “The King for a 1000 Years”. E o campo de batalha se transformou. A música cresceu como uma marcha de milhares de soldados atravessando uma terra devastada. Andi Deris ergueu sua voz. 

Kiske respondeu. 

Duas antigas casas reais pareciam lutar lado a lado. 

Quando os vocais subiam, milhares de cabeças se moviam em uníssono. 

O chão parecia responder. 

O metal não era apenas ouvido. Era sentido.

Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts


FUTURE WORLD 

Então Kai Hansen avançou. “Future World”. E a fortaleza veio abaixo. Hansen assumiu parte dos vocais enquanto a multidão respondia como um exército que conhecia cada palavra daquele antigo juramento. Pouco importava que décadas tivessem passado. A memória permanecia intacta. 

Cada refrão era uma espada levantada. 

Cada punho, uma lança. 

Cada voz, um grito de guerra. 

Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts


A CHAMA DA BATALHA 

Vieram “This Is Tokyo”, “We Burn”, “Twilight of the Gods”, “Ride the Sky” e “Into the Sun”. Mas havia uma diferença naquela noite. O público não estava simplesmente assistindo. Estava participando da batalha. 

Quando Andi tomou “We Burn”, a arena parecia incendiar. Quando Kiske atacou “Twilight of the Gods”, milhares de guerreiros ergueram suas armas imaginárias. E quando Kai Hansen tomou para si “Ride the Sky”, era como se o velho comandante tivesse retornado ao campo de batalha depois de anos desaparecido. A multidão enlouqueceu. 


EU ESTOU VIVO 

Então veio um momento histórico. “I’m Alive”. Pela primeira vez naquela turnê. A espada que havia permanecido guardada finalmente foi retirada da bainha. 

E a reação foi imediata. 

A arena explodiu. 

Nove mil pessoas entregaram a própria voz à música. I'M ALIVE. Não era apenas o título de uma canção. Era o grito daqueles que estavam ali. 

Depois de décadas, mudanças, conflitos, partidas e reencontros, aquela legião continuava viva. 


O EXÉRCITO DOS DOIS REIS 

Mas havia algo ainda mais poderoso naquela batalha. Kiske e Deris. 

Dois vocalistas. 

Duas eras. 

Duas vozes. 

Duas histórias. 

Agora, lado a lado. 

Eles cantavam juntos grande parte do repertório e, em vez de parecer uma disputa pelo trono, parecia uma aliança. Deris trouxe sua força para clássicos como “Future World” e “I Want Out”. Kiske elevou “The King for a 1000 Years” a outro patamar. E quando os dois dividiam o mesmo campo, era como assistir a dois reis antigos lutando pelo mesmo reino. 

Não havia disputa. Havia irmandade. 

Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts


A ESPADA DOS TRÊS GUITARRISTAS 

Nas laterais do campo de batalha, três guerreiros empunhavam suas próprias armas. Kai Hansen, Michael Weikath, Sascha Gerstner. Cada um carregava sua própria história.

Hansen assumia os solos das canções que ajudou a criar. 

Gerstner carregava a lâmina da era posterior. 

E Weikath permanecia como uma das figuras centrais daquele reino. 

Três guitarras. 

Três espadas. 

Uma parede de metal. 

Mas então, em determinado momento, a guerra silenciaria. Porque uma das cenas mais especiais da noite estava prestes a acontecer. 

Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts

Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts

Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts


DE ELVIS A BEATLES 

Por alguns instantes, as armas repousaram. 

A fortaleza silenciou. 

Os guerreiros diminuíram seus gritos. 

E Michael Kiske tomou o violão. 

O que veio a seguir parecia uma passagem secreta aberta dentro daquela grande batalha. Antes de se preparar para a versão parcialmente acústica de “A Tale That Wasn’t Right”, ao lado de Andi Deris, Kiske começou a cantar e tocar dois trechos completamente inesperados. Primeiro, “Suspicious Minds”, de Elvis Presley. 

Depois, “Yesterday”, dos Beatles. 

Elvis, seu ídolo máximo. 

Beatles, uma das maiores referências da música mundial. 

Por alguns minutos, o guerreiro conhecido por empunhar agudos como lâminas afiadas revelou uma arma completamente diferente. Delicadeza. Profundidade. Sensibilidade. 

Aquela voz, tantas vezes reconhecida pelos agudos impressionantes, mostrou que também podia caminhar por terrenos mais suaves, sem perder sua força. Era como se o grande guerreiro tivesse baixado a espada para revelar que também conhecia a arte de tocar sem ferir. De Elvis aos Beatles. 

Do rock clássico ao universo do Helloween. 

E então, ao lado de Andi Deris, veio “A Tale That Wasn’t Right”. 

O momento ganhou ainda mais força justamente por sua simplicidade. Dois antigos reis sentados diante de milhares de guerreiros. Sem muralhas de amplificadores. 

Sem avalanche sonora. 

Apenas vozes, violão e memória. 

Quando a banda retornou, Michael Weikath retomou sua guitarra. A espada voltou às mãos do guerreiro. E a batalha prosseguiu. 

Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts


A IRA DOS DEUSES 

O setlist avançava. 

“Hey Lord!” 

“Universe (Gravity for Hearts)” 

Então, o solo de bateria de Daniel Löble. 


Os tambores da guerra ecoaram pela fortaleza. E então... “I Want Out”. Aqui já não havia mais plateia. Havia uma multidão em transe. 

A música que tantas vezes incendiou gerações agora surgia no meio da batalha. E foi uma escolha devastadora. Nove mil guerreiros cantando. 

Nove mil vozes. 

Nove mil almas. 

O refrão atravessou a arena como uma tempestade. Era impossível permanecer parado. 


A LENDA RETORNA 

Depois vieram “A Little Is a Little Too Much” e “Heavy Metal (Is the Law)”. E, em “Heavy Metal (Is the Law)”, Kai Hansen voltou a assumir os vocais, como um antigo comandante retornando ao campo para conduzir suas tropas em mais uma investida. 

Mas o verdadeiro monstro ainda estava esperando. “Halloween”. Quando os primeiros sinais da música surgiram, parecia que as portas de uma antiga fortaleza haviam sido abertas. 

Era uma criatura ancestral. 

Uma daquelas músicas que não envelhecem.

Uma daquelas canções que carregam dentro de si o espírito de uma geração inteira. O público já estava completamente entregue. Sem escudos. Sem armaduras. Sem medo. 

Apenas alma. 


O ÚLTIMO ATAQUE 

Então as luzes se apagaram. 

O exército havia vencido? Ainda não. 

O Helloween guardava suas últimas armas. 

O bis começou com “Invitation”. E então... “Eagle Fly Free”. A águia levantou voo. E nove mil guerreiros voaram junto. 

Em determinado momento, Kiske chegou a se perder após o primeiro refrão e parou de cantar. Mas aquilo pouco importava. Porque a multidão assumiu a batalha. Milhares de vozes preencheram o espaço deixado pelo comandante. 

Naquele instante, não era mais o Helloween que estava cantando. Era o exército inteiro. 

Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts


POWER 

Não houve descanso. 

“Power”. 

Mais uma investida. 

Mais uma avalanche. 

Mais uma chuva de punhos erguidos. 

A fortaleza parecia incapaz de suportar mais um golpe. Mas ainda havia uma última arma. 

O golpe final. 


DR. STEIN 

“Dr. Stein”. 

A última batalha. 

O último machado. 

A última espada. 

O último grito. 

E quando os acordes finais chegaram, o Helloween deixou o campo de batalha. Mas ninguém ali saiu derrotado. Porque aquela não havia sido uma guerra para destruir. Era uma guerra para celebrar. Uma guerra travada com guitarras em vez de espadas. 

Com bateria em vez de tambores de guerra. Com microfones em vez de estandartes. 

E com milhares de almas entregues à música. 


O REINO DOS SETE 

Se havia algo a lamentar naquela noite, era o som. Em determinados pontos das pistas premium e comum, esteve embolado e estridente durante boa parte do espetáculo. E isso é uma pena. Porque a produção visual estava à altura de uma verdadeira saga. 

As artes nos telões. 

Os interlúdios narrados pelo Keeper. 

As luzes acompanhando cada mudança de clima. Tudo parecia cuidadosamente construído para transformar aquele palco em um reino fantástico. Uma espécie de Terra-Média do heavy metal. 

E no centro dela estavam os sete guerreiros. Kiske, com sua voz capaz de atravessar muralhas. 

Deris, trazendo sua força e identidade para a história do Helloween. 

Hansen, carregando consigo a nostalgia dos primeiros tempos. 

Weikath, como uma das grandes figuras que sustentaram aquele reino. 

Gerstner, mantendo viva a chama das eras posteriores. 

Grosskopf, como o veterano segurando seu baixo como uma arma de guerra. 

E Löble, comandando os tambores como se conduzisse milhares de soldados para a batalha. 

Sete homens. 

Sete armas. 

Sete histórias. 

Um único exército. 


A BATALHA TERMINOU. A LENDA NÃO

No fim das contas, o Helloween mostrou mais uma vez que aquela formação deixou de ser simplesmente uma banda reunida para uma turnê. Existe algo diferente nessa união. Existe a sensação de que aqueles homens encontraram uma nova paz depois de décadas de batalhas.

Kiske e Deris cantando juntos. 

Hansen novamente ao lado de Weikath.

Gerstner assumindo sua posição. 

Grosskopf segurando o baixo como um guerreiro veterano. 

Löble comandando os tambores. 

E São Paulo diante deles. Mais de nove mil pessoas entraram naquela fortaleza. E entregaram tudo. 

A voz. 

O corpo. 

A alma. 

O sangue. 

Quando “Dr. Stein” terminou, as armas foram finalmente baixadas. Mas ninguém saiu realmente da guerra. Porque certas batalhas não terminam quando as luzes se apagam. Elas continuam vivendo dentro daqueles que tiveram coragem de lutar. 

E naquela noite, no Suhai Music Hall, nós lutamos. 

Nós gritamos. 

Nós cantamos. 

Nós sangramos. 

Nós entregamos nossas almas. 

E, por algumas horas, deixamos de ser apenas fãs. Fomos guerreiros do Helloween. A fortaleza pode ter silenciado. As luzes podem ter se apagado. Os amplificadores podem ter sido desligados. Mas a lenda continua marchando. Porque depois de quatro décadas, o Helloween ainda sabe transformar um palco em campo de batalha. 

E naquela noite, em São Paulo, nove mil guerreiros vestidos de preto testemunharam mais um capítulo dessa história. A batalha terminou. A lenda não. 


SETLIST — AS ARMAS DA BATALHA 

1. March of Time 

2. The King for a 1000 Years 

3. Future World 

4. This Is Tokyo 

5. We Burn 

6. Twilight of the Gods 

7. Ride the Sky 

8. Into the Sun 

9. I'm Alive (primeira vez nesta turnê) 

10. Hey Lord! 

11. Universe (Gravity for Hearts) 

12. Solo de bateria 

13. I Want Out 

14. A Tale That Wasn't Right (com trechos de “Suspicious Minds”, de Elvis Presley, e “Yesterday”, dos Beatles; início acústico com Michael Kiske e Andi Deris; banda entra depois) 

15. A Little Is a Little Too Much 

16. Heavy Metal (Is the Law) 

17. Halloween BIS 

18. Invitation + Eagle Fly Free 

19. Power 

20. Dr. Stein (com “outro” de “Keeper of the Seven Keys”) 


Agradecimento à Catto Comunicação e Mercury Concerts pelo credenciamento e atenção. 

28 de setembro de 2026

HELLSINKI METAL FESTIVAL 2026: DOIS DIAS SOB O CÉU DO NORTE

Foto: Sigryd Bagon


Por Giovanna Marques

Fotos gentilmente cedidas por Sigryd Bagon / A Ilha do Metal 


Nos dias 7 e 8 de agosto de 2026 aconteceu a quarta edição do Hellsinki Metal Festival (HMF), o festival de Metal realizado na tradicional arena de hóquei no gelo de Helsinki (Para ler a cobertura do Hellsinki Metal Festival 2025 clique aqui) e, mais uma vez, a equipe do Big esteve presente nesse festival que, aos poucos, está se tornando uma lenda viva dos festivais nórdicos.

Existem festivais que tentam agradar a todos. E existem festivais que entendem que um público de Metal não precisa exatamente ser agradado, precisa somente ser alimentado.

O Hellsinki Metal Festival pertence claramente à segunda categoria.

25 de setembro de 2026

HELLSINKI METAL FESTIVAL 2026 — DOIS DIAS SOB O CÉU DO NORTE

Foto: Sigryd Bagon



Por Giovanna Marques

Fotos gentilmente cedidas por Sigryd Bagon / A Ilha do Metal 


No dia 7 de agosto de 2026 aconteceu o primeiro dia da quarta edição do Hellsinki Metal Festival (HMF), o festival de Metal realizado na tradicional arena de hóquei no gelo de Helsinki (Para ler a cobertura do Hellsinki Metal Festival 2025 clique aqui), e mais uma vez a equipe do Big esteve presente nesse festival que, aos poucos, está se tornando uma lenda viva dos festivais nórdicos.

Existem festivais que tentam agradar a todos. E existem festivais que entendem que um público de Metal não precisa exatamente ser agradado, precisa somente ser alimentado.

O Hellsinki Metal Festival pertence claramente à segunda categoria.

Rodrigo Teaser transforma Tokio Marine Hall em uma viagem pelo universo de Michael Jackson

Foto: Paula Cavalcante


Rodrigo Teaser, Tributo ao Rei do Pop – Tokio Marine Hall - São Paulo/SP - 21 de agosto de 2026


Por: Juliana Carpinelli (@julipa25)

Fotos: Paula Cavalcante (@eyeofodin.photo)


No dia 21 de agosto, o Tokio Marine Hall, em São Paulo, foi palco de uma verdadeira celebração ao legado de Michael Jackson. Comandado por Rodrigo Teaser, o espetáculo apresentou uma produção grandiosa, reunindo música, dança, cenografia, figurinos e efeitos visuais em perfeita sintonia para recriar a atmosfera das grandes apresentações do Rei do Pop.

24 de setembro de 2026

"É Tudo Delas" transforma o Cine Joia em manifesto feminino do Rock ao Fock em São Paulo

Foto: Daniel Agapito - ratodeshow



Nova Twins - Cine Joia - São Paulo/SP - 06 de setembro de 2026


Por: Sara Ferrer

Fotos gentilmente cedidas por Daniel Agapito - ratodeshow (@dhpito)


O evento "É Tudo Delas" transformou o Cine Joia em um verdadeiro caldeirão de diversidade, atitude e peso sonoro no coração de São Paulo.

Abrindo a noite com o gabarito de quem recém-passou pelo Rock in Rio, a paulistana The Mönic — formada por Ale Labelle (guitarra e voz), Dani Buarque (guitarra e voz), Joan Bedin (baixo e voz) e Daniely Simões (bateria) — entregou uma apresentação impecável. Nem mesmo o frio do lado de fora segurou a temperatura da casa, que pegou fogo quando Dani Buarque desceu para se entregar ao mosh no meio do público ao som de um setlist afiado com faixas como "Sabotagem" e "Refém".

THIS IS MICHAEL - Suhai Music Hall - São Paulo/SP

Foto: João Zitti


THIS IS MICHAEL - Suhai Music Hall - São Paulo/SP - 29 de agosto de 2026


Por: Daniel Bianchi e Ramires Almeida (@amprodutorabr)

Fotos: João Zitti (@joaozitti.work)


Na noite de 29 de agosto, o Suhai Music Hall foi palco de um espetáculo inesquecível. “This Is Michael”, um dos maiores tributos ao Rei do Pop, desembarcou em São Paulo em uma data mais que especial — o aniversário de Michael Jackson — e transformou o espaço em um verdadeiro templo dedicado ao seu legado. Com ingressos disputados e casa cheia, o público foi conduzido a uma viagem no tempo que recriou a atmosfera dos grandes shows que marcaram gerações.

18 de setembro de 2026

Rock in Rio 2026 abre sua 11ª edição com noite dedicada ao rock

Foto: @OXIDANY


Rock in Rio 2026 - Rio de Janeiro/RJ - 4 de setembro de 2026


Por: Cammy Marinho

Fotos: Produção Rock in Rio


A Cidade do Rock voltou a receber o público nesta sexta-feira, 4 de setembro, para a abertura do Rock in Rio 2026. Na primeira das sete datas desta edição, o festival escolheu o rock como fio condutor do Palco Mundo e construiu no Sunset uma programação que combinou nomes nacionais, artistas internacionais e encontros que revisitaram diferentes capítulos da história do gênero no Brasil. 

Foto: @MAREFEMIANI

17 de setembro de 2026

C6 no Rock transforma o Ibirapuera em uma viagem pelo rock brasileiro dos anos 80

Foto: João Zitti


C6 no Rock – Parque Ibirapuera - São Paulo/SP - 23 de agosto de 2026


Por: Mayara Abreu (@mayabreuq)

Fotos: João Zitti (@joaozitti.work)



Festival dedicou o domingo, 23, a discos e artistas que ajudaram a construir uma das fases mais importantes da música brasileira


O Parque Ibirapuera parecia ter voltado algumas décadas no tempo no último domingo (23). Não por causa de uma cenografia exagerada ou de algum conceito mirabolante, mas por algo bem mais simples: milhares de pessoas reunidas para ouvir música.

O C6 no Rock encerrou sua primeira edição no domingo com uma programação dedicada a alguns dos grandes nomes do rock brasileiro dos anos 80. Ira!, Blitz, Legião Urbana, Marina Lima e Cazuza ocuparam o palco ao longo do dia em apresentações que tinham uma proposta bastante clara: revisitar discos e obras importantes sem transformar essas músicas em peças de museu.

Em uma época em que grandes eventos muitas vezes parecem disputar atenção com seus próprios palcos, ativações e cenários "instagramáveis", o C6 no Rock escolheu deixar a música ocupar o centro.

16 de setembro de 2026

Sanctuary - Burning House - São Paulo/SP

Foto: Alexandre Veronesi


Sanctuary - Burning House - São Paulo/SP - 30 de agosto de 2026


Por: Alexandre Veronesi (@alexandreveronesi)

Fotos: Alexandre Veronesi (@alexandreveronesi)


Inicio este texto convidando o(a) estimado(a) leitor(a) a um breve exercício de retorno no tempo, mais especificamente para algum momento entre os anos de 2005 e 2006, o qual minha parca memória não permitiu lembrar com exatidão. Este que vos fala, em versão adolescente e no limiar da paixão pelo Heavy Metal, era um ávido consumidor da finada MTV Brasil, que muito embora não possuísse enfoque no gênero, oferecia aos fãs do mesmo, à época, o programa "Total Massacration", apresentado pelos humoristas do grupo Hermes e Renato - a caráter como integrantes do Massacration, naturalmente - e que tinha como seu mote central a exibição de videoclipes, veiculados entre esquetes humorísticas e piadas quase sempre relacionadas ao universo da música pesada. Certa feita, o meu eu de 16/17 anos viu-se completamente impactado por um vídeo em especial: a filmagem carregava uma paleta de cores pálida, e o tema musical da peça abria com um lento riff de baixo que logo dava lugar ao instrumental completo, em cadência pouco usual para os padrões do Metal clássico, até que uma figura imponente, cujas vestimentas pretas contrastavam em demasiado com as (muito) longas madeixas loiras, entrava cantando com potência, dramaticidade e fortes contornos teatrais, de maneira a beirar o exagero, mas que funcionava incrivelmente bem dentro daquele contexto. É claro que estou me referindo ao célebre e saudoso Warrel Dane no clipe de "Future Tense", da banda estadunidense SANCTUARY - participante do movimento oitentista intitulado "US Power Metal" - que está a todo vapor comemorando os 40 anos de carreira, e recentemente fez a sua tão aguardada estreia em palcos sul-americanos, sendo que o capítulo brasileiro aconteceu no dia 30 de Agosto na Burning House, em São Paulo, única data reservada para o nosso país na ocasião.