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7 de agosto de 2019

Bon Jovi em Madri

Foto: Renata Ribeiro

Depois do álbum “This House Is Not For Sale” vender milhões de cópias mundo afora, e sua respectiva tour ser um sucesso lotando estádios e arenas desde 2017, chegou a vez do público europeu e israelense. A leg européia teve início no final de maio em Moscow, na Rússia (onde não tocavam há 30 anos) e terminou em Bucareste, na Romênia em julho, partindo para o Oriente Médio pra um show em Tel Aviv, Israel.

O grupo norte-americano de Nova Jersey, na estrada desde 1983, e desde 2016 com nova formação: Phil Xenidis (ou Phil X) como guitarrista; John Shanks, também como guitarrista; Everett Bradley na percussão e, Hugh McDonald no baixo (apesar de já estar na banda desde os anos 90), e, os remanescentes: Jon Bon Jovi, nos vocais, guitarra e violão; Tico Torres na bateria e David Bryan no teclado.
Como fã do Bon Jovi há mais de duas décadas, desde que eu assisti o “Live from London” pela primeira vez, ainda em VHS, eu tinha um sonho de assistir um show da banda fora do Brasil. E, realizei esse sonho no início de julho, quando aproveitei uns dias de folga e parti pra Espanha de férias, carregando um ingresso pro único show da banda em terras hispânicas e resolvi compartilhar com a galera que acompanha a Big Rock N' Roll todos os detalhes. Sonhos realmente se realizam! 

O show aconteceu no estádio Wanda Metropolitano ou Estádio Metropolitano (estádio exclusivo do Atlético de Madri). O estádio é gigantesco e foi o escolhido para abrigar o show de uma banda igualmente gigantesca em todos os sentidos…36 anos de formação, faz parte do Rock and Roll Hall of Fame desde 2018, milhões de álbuns vendidos mundo afora, várias premiações…uma das poucas bandas ainda na ativa desde os anos 80 e que ainda permanece no topo das paradas.

A banda escolhida para abrir o show foi a Marea, banda espanhola de hard rock na atica desde 1997 (em alguns locais, o Bon Jovi tem escolhido artistas locais para abrirem os shows). A banda original de Navarra, na Espanha, tem como membros: Kutxi Romero (vocalista e compositor), Eduardo Beaumont Piñas (baixista), César Ramallo (guitarrista), David Diaz Kolibrí (guitarrista), e, Alén Ayerdi (baterista). A Marea é bastante conhecida, visto que grande parte do público presente sabia todas as músicas, público esse formado majoritariamente por espanhóis.

Foto: Divulgação

Por conta do verão europeu com um sol escaldante, temperatura na casa dos 40ºC e com um clima seco, quase desértico, Madri foi a única cidade européia onde o show do Bon Jovi começava às 22 horas, horário esse que o clima é mais ameno. Mas, mesmo assim, isso não evitou que algumas pessoas desmaiassem no decorrer do show principal (talvez por terem ficado muitas horas na fila sob o sol escaldante e/ou não terem se hidratado) e, felizmente os seguranças e médicos estavam a postos.

O show foi um misto de clássicos da banda e sucessos mais recentes. Músicas de vários álbuns fizeram (e fazem) parte do setlist dessa turnê. Desde o álbum de estréia, 'Bon Jovi' (1984), com “Runaway”, até o álbum mais recente, 'This House Is Not For Sale' (2016), com a música-título no setlist, além de “Rollercoaster” e “God Bless This Mess”, passando pelo icônico 'Slippery When Wet' (1986), 'New Jersey' (1989), 'Keep the Faith' (1992), 'Crush' (2000), 'Have a Nice Day' (2005), 'Lost Highway' (2007) e o 'What About Now' (2013).

O cenário é um caso a parte. Não é tão grandioso como a frente do Buick da 'Because We Can tour', mas ainda sim espetacular. Três enormes telões formados por milhares de lâmpadas de leds que tem uma dupla função: no intervalo, mostra fotos de fãs com a #bonjovimemories e, algumas trívias para passar o tempo e, durante o show, os telões também servem de cenário.

Foto: Renata Ribeiro

A emoção já começa a tomar conta na entrada do estádio, onde é possível ver a grandiosidade do evento…parecia um sonho! Já tinham me falado que esse momento era incrível, mas além de incrível, também é emocionante. Realmente é o tipo de momento que máquina fotográfica não registra, mas a memória desse estará comigo pra sempre.

Mas nada se compara ao momento onde as luzes começam a diminuir e o telão a se modificar. Agora já mostrando um carro andando por uma estrada, com alguns pontos turísticos aparecendo (varia de cidade pra cidade), e, as retas se transformam em raízes, que são as raízes da casa que não está a venda…no caso de Madri, um dos pontos turísticos foi a Porta de Alcalá.

Foto: Renata Ribeiro

Nesse momento, quem acompanha a banda sabe que o show vai começar, então, o estádio vem abaixo com os gritos e aplausos dos fãs.

E, logo na primeira música, “This House Is Not For Sale” (faixa-título do álbum de 2016), já pude sentir o que me esperava: um show de rock de primeira linha. Percebi logo que era uma platéia apaixonada, onde todos cantavam em coro o refrão: “I´m coming hoooome/Coming hoooome”. Com “Raise Your Hands”, a música seguinte, não foi diferente, todos os 50 mil presentes cantando a plenos pulmões e levantando as mãos no refrão, como pede a música. E assim, o show foi seguindo, com grandes sucessos do Bon Jovi, alguns mais antigos, como “You Give Love a Bad Name”, “Born To Be My Baby”; outros não tão antigos, como “Lost Highway”e, mais recentes, como “Rollercoaster”.

Numa parte do show, o vocalista conversa com a platéia dizendo que vão cantar músicas novas e antigas, e, se formos (o público) bem legais, eles voltam mesmo no tempo, voltam a 1983. Essa é a deixa para todos os presentes começarem a gritar. Assim, após gritos da platéia, a banda volta no tempo, com o vocalista contando como “Runaway” entrou no topo das paradas e, o tecladista David Bryan dá a introdução da música. Durante os solos de guitarra do guitarrista Phil X, o vocalista anda pelo palco e chega bem próximo de onde eu estava.

Durante as músicas “We Weren´t Born to Follow”, “Have A Nice Day” e “Keep the Faith”, por vários momentos os guitarristas solam, mas em “Keep the Faith”, Phil X arrasa. O vocalista não usou as maracas como de costume nessa hora.

Foto: Renata Ribeiro

Em “Amem”, Phil X começa a dedilhar o violão, mas o vocalista erra na entrada da música e, após aplausos, recomeçam. Na sequência são tomados pela emoção. Em determinado momento da música, o estádio que estava iluminado somente pelas luzes do show, ficou claro como se fosse mágica, pois o público carinhosamente ligou a lanterna dos celulares, o que deixou o vocalista Jon Bon Jovi com os olhos marejados de emoção.

Foto: Renata Ribeiro

O momento mais esperado da noite estava chegando, quando as fãs sempre torcem para serem uma das escolhidas para subirem no palco e, na Espanha a banda costuma cantar uma parte da música em espanhol. Chegava a hora da balada “Bed of Roses”. Infelizmente em Madri não teve fã no palco com dança e selinho. Mas teve refrão em espanhol e o vocalista jogou uma rosa vermelha (ao melhor estilo Roberto Carlos) para uma fã e ainda se certificou se a mesma havia recebido a rosa. Obviamente eu queria que ele tivesse jogado pra mim, mas foi pra uma espanhola...
Após “Bed of Roses”, emendaram “In These Arms", para o momento romantismo do show, com casais abraçados, dançando juntos e, mais uma vez, o público espanhol participou.

Foto: Fanpage Facebook

Em seguida, a bateria inconfundível de Tico Torres dá o tom…“It´s My Life” começava. Mesmo 19 anos depois do seu lançamento, essa música continuava sendo um “arrasa-quarteirão”. “God Bless This Mess” foi a seguinte e não é um “arrasa-quarteirão” como a anterior, mas tem tudo pra ser, inclusive o refrão chiclete, com uma pitada de autocrítica, como podem ver:

 “God bless this mess, this mess is mine
I won't pound my chest or criticize
I must confess, I've lived, I've died
God bless this mess, this mess is mine
God bless this mess, this mess is mine...

Nesse momento, o telão fica repleto de matérias reais de jornais.

Foto: Renata Ribeiro

Depois de usar calça preta e camiseta preta durante 90% do show, e deixando as tatuagens e músculos a mostra, assim como o bronzeado adquirido na Croácia numa pausa da tour, o vocalista resolve colocar uma jaqueta preta por cima da camiseta, no melhor estilo Cowboy, pra voltar ao palco na música seguinte - “Wanted Dead or Alive -, que para alguns é o hino da banda. Dessa vez, o telão passa paisagens de nascer do sol, estrada, terras áridas...vida de Cowboy (ou rockstar) não é nada fácil! Empunhando o seu Tekamine AP95, a música começa com um tom acústico e depois do refrão, a bateria aparece. E o Estádio Metropolitano cantando o refrão junto com a banda é lindo de se ver e ouvir.

O cenário do show começou a mudar, saindo o nascer do sol, e entrando os vitrais. Isso mesmo, os telões se transformaram em vitrais, semelhantes aos de uma igreja. Começava “Lay Yor Hands On Me” e, David Bryan com a introdução da música no melhor estilo “órgão de igreja”…Foi dada a largada para “Johnny´s Church of Rock and Roll”!

Foto: Renata Ribeiro

Em algumas cidades, é nesse momento onde o vocalista interage com a platéia. Normalmente, com a ajuda de seguranças, ele desce do palco e caminha até as primeiras filas. No entanto, infelizmente isso não aconteceu em Madri. Ahhhh, mas o solo de guitarra do Phil X nessa hora…cada riff espetacular. E, aproveitando o momento do solo de guitarra, o vocalista tirou a jaqueta, para delírio da ala feminina, ficou de camiseta (aproveitou também pra tomar um pouco de energético).

Já na parte final do show, “I´ll Sleep When I´m Dead”, no melhor estilo rock and roll surpreendeu os presentes pela sincronia da banda e a alegria que pareciam se divertir muito. Em “Bad Medicine”, também é uma oportunidade da banda interagir com a platéia, como aconteceu em alguns shows no Brasil, onde o vocalista aproveitou a música e andou pela passarela, interagindo com os fãs das primeiras filas. Infelizmente também não aconteceu em Madri. A banda agradece e sai do palco, mas todos os presentes sabiam que tinha mais por vir.   

No encore, após uma troca de roupa (a camiseta preta deu lugar a uma blusa vermelha e uma jaqueta branca personalizada, onde nas costas tem um bordado “Legend”), quando começou a introdução de “I´ll Be There For You”, algumas pessoas como eu, se emocionaram com esse momento romantismo do show. Me emocionei por aquela ser a primeira vez assistindo eles a tocarem ao vivo e, também por saber o quanto difícil para o vocalista voltar a cantá-la ao vivo sem o seu parceiro de tantos anos, Richie Sambora (abandonou a tour “Because We Can” no meio, e foi substituído pelo Phil X). Foi uma sensação maravilhosa assisti-lo cantar essa música novamente numa turnê. Pura poesia, assim como a música.

Foto: Renata Ribeiro

Quem nunca pensou na pessoa amada ouvindo esses versos?

I’ll be there for you
These five words I swear to you
When you breathe I want to be the air for you
I’ll be there for you
I’d live and I’d die for you
Steal the sun from the sky for you
Words can’t say what a love can do
I’ll be there for you

Para fechar com chave de ouro, faltava o hino - “Livin´On a Prayer”. O teclado de David Bryan já denunciava, assim como a guitarra e a talk box que o gran finale estava chegando…“Once upon a time, not so long ago...” Nesse momento, o estádio inteiro começou a cantar a música e pular ao mesmo tempo...todos muito felizes por estarem ali. Ao final da música, a banda se abraçou e foram ovacionados por um público ainda em êxtase.

Porém, mesmo sabendo que normalmente o show termina com “Livin´ On a Prayer”, o público espanhol entoou um “Olê olê”, para ver se voltavam. Em vão. O máximo que conseguiram foram alguns acenos da banda enquanto entravam nos carros para sair do estádio. A banda fez jus ao “único show na Espanha”, de fato, o show foi único!

Realmente, a banda está numa sintonia maravilhosa. Era como se eles tivessem ali se divertindo. Apesar do que aconteceu no passado, parece que a banda ressurgiu das cinzas, como a Fenix, a ave mitológica que simboliza o renascimento, e sim, a banda está renovada. É perceptível que os novos membros trouxeram uma nova energia, deram um “gás”. Hoje, todos da banda se entendem pelo olhar, brincam uns com os outros...tornaram-se parceiros de banda e deixaram o passado lá atrás,  e estão vivendo o presente.

Foto: Renata Ribeiro

E o que dizer do vocalista? Aos 57 anos de idade, deixa muito jovenzinho de 30 anos no chinelo. Físico e preparo físico impecável, simpático, só sorrisos. Um verdadeiro showman...cantava, andava de um lado ao outro, pulava…haja energético! No palco ele era a imagem de um maestro regendo a orquestra – o público. Platéia essa que estava nas mãos dele, fazia o que ele queria...levantar as mãos, cantar o refrão: “Seu mestre mandou”, a platéia fazia. Foi catártico! A voz não é a mesma de quando ele tinha 30 anos, e ele também nem tem mais 30 anos...as pessoas envelhecem e o corpo também. O tempo faz isso, pois somos humanos.

Nem mesmo a truculência dos seguranças no intervalo da Marea pro Bon Jovi, é capaz de tirar o brilho dessa experiência. No intervalo, os seguranças que estavam na frente da Golden Circle (meu lugar), começaram a empurrar a grade dessa área, com as pessoas junto, sem se darem conta que tinham crianças, idosos e famílias inteiras ali. E se o pior acontecesse? Se alguém caísse?  Mas, felizmente isso não aconteceu. A consequência foi que o meu lugar era mais na frente e, por causa disso, acabei ficando um pouco distante.
Quem diz que europeu é frio, é porque ainda não foi à Espanha, muito menos num show do Bon Jovi lá. Não devemos generalizar. O público espanhol é maravilhoso, passional, caliente, semelhante aos brasileiros. Mas quem diz que a sensação é a mesma de um show no Brasil, agora posso dizer que não é. Não é mesmo. Os espanhóis tem uma vibe diferente...uma vibe européia, porém caliente. São europeus, mas tem sangue latino nas veias, sangue quente. São animados do início ao fim, cantaram junto, dançaram, gritaram, pularam…uma energia boa, maravilhosa. Melhor que qualquer antidepressivo. Valeu muito a pena ter ido à Espanha, fui no show da minha banda preferida e de quebra ainda conheci uma cidade linda!

Em breve, precisamente no mês de setembro, vamos conferir isso tudo e muito mais, nos quatro shows da banda aqui no Brasil!


Por: Renata Ribeiro - colaboradora Big Rock

4 comentários:

  1. Estou na Golden Circle agora ! Transportou-me para Wanda, sem nem ter estado lá. Ansiosa para sentir tudo isso em São Paulo ! Excelente texto !

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  2. Estou na Golden Circle agora ! Transportou-me para Wanda, sem nem ter estado lá. Ansiosa para sentir tudo isso em São Paulo ! Excelente texto !

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Adorei! Cada detalhe relatado me fez imaginar como foi incrível esse momento!
    Parabéns! Excelente texto! Obrigada por compartilhar conosco esta experiência única!

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