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29 de novembro de 2019

Kool Metal Fest - Carioca Club – São Paulo (SP) - 10/11/2019


Foto: Vinícius Melo

Em um intervalo de três semanas tivemos nada menos que duas datas do tradicional Kool Metal Fest. A primeira data aconteceu no Teatro Mars -  e contou com Thrash metal viceral do Violator e com algumas das bandas mais quentes do cenário atual (infelizmente não foi possível conferir essa data – por  isso, nosso relato será exclusivamente dedicado ao que rolou no dia 10/11). 

O Carioca Club foi o palco escolhido para que a Eskrota, Cemitério, Surra, Nervosa, Krisiun e o Brujeria dessem as cartas em um dia de virulência sonora e onde as minas foram as grandes protagonistas (explicarei com mais detalhes nas próximas linhas...). Com uma programação que foi seguida a risca, já sabíamos que qualquer vacilo, significaria deixar de conferir as atrações como exige o ofício. 

Foto: Roberio Lima

Por isso, pontualmente às 16h horas já estava de prontidão em frente ao palco para conferir o que a Eskrota apresentaria naquele início de tarde. O público já se fazia em bom número, quando as cortinas se abriram para que a introdução com falas de Michel Temer e Jair Bolsonaro incitasse a ira do público. A partir daí, as músicas do primeiro trabalho “Eticamente Questionável”(2018), foram executadas com a raiva e indigitação habitual do trio. As meninas pareciam um pouco apreensivas no início, mas esse sentimento foi dando espaço para a adrenalina que se espalhava pelo local. Entre os muitos destaques da apresentação, vale registrar a participação de Jhon França (Cerberus Attack) na bateria em “Eticamente Questionável” e a versão para “Aids, Pop, Repressão” do Ratos de Porão. As minas estão promovendo um financiamento coletivo para gravar o próximo álbum, e para aguçar o ouvido do público, mandaram a inédita “Cruzamento Maldito”.  No final mandaram “Mulheres” com a participação de todas as minas que conseguiram subir no palco. Findada essa apresentação, já estava claro que o evento caminhava a passos largos para se tornar histórico. 


Minutos antes do horário marcado o Cemitério inicia sua performance com a “Volta dos Mortos Vivos”. Hugo Cólon é um símbolo de “correria”. O cara praticamente joga em todas as posições. O músico que também participou da primeira data do Fest, tocando bateria como o Flagelador, dessa vez mostrou ao público sua narrativa macabra com letras que descreve roteiros de filme de terror. “Natal Sangrento” e a saideira “Pague Para Entrar e Reze Para Sair” foram os destaques. 

Foto: Vinícius Melo

Rapidamente as cortinas se fecharam para que o palco fosse preparado para a atração seguinte. O Surra vem conquistando cada vez mais seguidores com seu Crossover recheado de críticas ao sistema. Os rapazes estão lançando seu novo trabalho – “Escorrendo Pelo Ralo” (2019), e abriram o set com a música que dá nome ao novo disco. O som que esteve um pouco embolado no começo, não desanimou os que aderiram ao ‘circle pit’. Leo Mesquita (vocal/guitarra), anunciou “Parabéns aos Envolvidos” para lançar na pista do Carioca um pato de borracha (recado óbvio ao ‘paneleiros’ com camisa da CBF, que costumam passar vergonha em frente a FIESP). Nem preciso dizer que sobrou pouco do boneco inflável para contar história. Fecharam a apresentação com a já clássica “Hora da Merenda”. 

Foto: Vinícius Melo

Com as coisas muito bem encaminhadas e uma organização impecável até então – era hora de aguardar uma das grandes atrações da noite. Fernanda Lira,  Prika Amaral e Luana Dametto receberiam no palco  os ‘louros’ de muita persistência e dedicação. 
Depois de uma apresentação impactante no R.I.R. o  Carioca Club, que estava praticamente lotado, foi mais uma conquista para a história da Nervosa. As performances endiabradas de Fernanda Lira e Prika Amaral, fizeram  com que a vocalista perguntasse ao público em certo momento se já estavam cansados. Com a resposta negativa, veio “Never Forget, Never Repeat”,  que fez com que o “Stage dive” e o “circle pit” ficassem ainda mais intensos. No final das contas o esforço até aqui não foi em vão, e apesar de uma cena extremamente machista, as garotas alcançaram  seu espaço com méritos inquestionáveis. Alem disso, mostraram  que não é necessário nenhuma gota de testosterona para conquistar  o respeito de fãs e imprensa.

Foto: Vinícius Melo

Mais uma vez os gaúchos do Krisiun foram escalados para tocar ao lado do Brujeria. A banda já havia dividido o palco com a banda mexicana em sua última passagem pelo país no palco do Espaço 555. Com a habitual brutalidade,  os irmãos Kolesne mais uma vez assumiram o palco para impregnar o recinto com seu Death Metal Tecnico e Brutal. Só para termos uma ideia já iniciaram o set com um dos maiores clássicos da banda “King Of Killing” do aclamado “Apocalyptic Revelation“ (1998) . 
Em alguns momentos foi possível  perceber a insatisfação dos músicos  devido a algumas falhas no retorno do som – mas nada  que comprometesse o show. Aliás era possível perceber a preocupação dos técnicos a todo momento com o bom andamento das apresentações. O  encerramento veio com o hino  “Black Force Domain” e nem preciso dizer que mataram a pau! Só faltou o tradicional cover que sempre fazem em seus shows, mas devido ao tempo reduzido por se tratar de um festival, priorizaram somente o material da banda. Também não faltaram os discursos de Moisés exaltando o metal nacional e reconhecendo a importância dos fãs em sua história. 
Mais uma apresentação em alto nível! 

Estava chegando a hora da grande atração do dia entrar em cena. É muito interessante notar que o público brasileiro tem um enorme carinho pelo combo latino. Pouco mais de um ano depois de se apresentarem na cidade em uma data concorridíssima no Espaço 555 na região central, eis que “El Brujo” e Cia, desembarcam novamente na cidade para encerrar essa edição do festival. Com um atraso considerável  para o início da apresentação e com a casa absolutamente lotada, a expectativa aumentava com o passar do tempo. Quando entraram em cena,  já iniciaram o arregaço com “Witch Doctor”, seguida por “Cuiden a Los Niños” e “La Lei De Plomo”. 

Com o pandemônio sonoro instaurando no Carioca, as coisas ficaram animadas com ‘rodas’ violentas e o ‘Stage Dive’ comendo solto. As  minas da plateia  estavam endiabradas e não paravam de subir no palco para dar o tradicional mergulho... em alguns momentos chegaram a irritar boa parte da audiência, tamanha a necessidade de atenção. Nada que abalassem os músicos. Aliás, vale registrar o carisma e a receptividade dos caras, inclusive chegando compartilhar um baseado com algumas garotas mais entusiasmadas. As críticas ao atual governo vieram em uníssono com o tradicional e necessário “Ei Bolsonaro, vai tomar no...” e  como não poderia deixar de ser, sobrou também para Donald Trump. Com “La Migra” me veio a nostalgia inevitável dos tempos do programa  Fúria Metal da antiga MTV. O Brujeria já contou em sua formação com nomes de peso do cenário metálico como Dino Cazares (Fear Factory) e Billy Gould (Faith No More). E o que dizer de Shane Embury (Napalm Death), empunhando seu baixo iluminado e ditando a pulsação raivosa que aliada a batida de Nick Barker (o homem já esteve no país esse ano o Nuclear Assault), produzem a massa sonora sangrenta que desperta sentimentos distintos entre seus fãs. . No final, veio a clássica “Matando Güeros” com os vocalistas munidos de facões no palco. 

O corpo já estava em frangalhos, mas vimos o encerramento que se imaginava para o evento. Como disse nas primeiras linhas desse relato, as minas protagonizaram momentos de grande destaque; - Nervosa, Eskrota e o público feminino que compareceu em peso ao evento  devem  ser reverenciadas! Vamos torcer para que o Kool Metal Fest não demore a figurar na agenda de shows da cidade. Vida longa ao Fest!!


Por: Roberio Lima

Agradecimento pelo credenciamento: Erick Tedesco - Tedesco Comunicação e Midia

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