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| Foto: Rafael Procópio |
NILE - Burning House - São Paulo/SP - 22 de março de 2026
Por: Rafael Cunha Procópio
Fotos: Rafael Cunha Procópio (@rafaelcprocopio)
Os fãs de death metal foram mais um vez contemplados por uma dupla de shows do gênero - dessa vez, com um viés mais milenar e oculto, além da primazia técnica tão característica do estilo. Coincidência ou não, a escolha dos cariocas do Ereboros como banda de abertura para os estadunidenses do Nile se mostrou bastante acertada para muito além do nível musical. O Brasil tem, há muito, uma forte tradição de bandas de metal extremo, com inúmeras bandas de death metal técnico. No entanto, após uma reflexão mais detida, ainda que bastante nova na cena, de fato, nenhuma poderia ser mais adequada que o Ereboros. Como a própria banda explica, o seu nome deriva da conjunção de Erebos, o deus grego da escuridão, com morada no submundo, e Ouroboros, a serpente que consome a própria cauda, cujo formato circular representa o eterno retorno, o ciclo de evolução voltado ao “eu”. E eis aqui a “ironia” do encontro entre as duas bandas da noite: a aparição (conhecida) mais antiga dessa serpente está em escritos mortuários do Egito Antigo, encontramos na tumba do Rei Tutancâmon. O nome desses textos? Livro Enigmático do Mundo Inferior. Um eterno retorno que passa pelo submundo, sem dúvida.