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19 de março de 2026

Samuel Rosa exalta o novo e homenageia o passado em sua excelente apresentação no Tokio Marine Hall

Foto: João Zitti 


Samuel Rosa – Tokio Marine Hall - São Paulo/SP - 07 de março de 2026


Por João Zitti (@joaozitti.work)

Fotos: João Zitti (@joaozitti.work)


No mundo da música, existem personalidades que são icônicas por si só, seja pelo seu carisma, sua presença de palco, seu talento ou sua importância no gênero, sendo a personificação tanto de um grupo quanto de um movimento musical. Isso se intensifica ainda mais quando essa figura resolve se aventurar e desenvolver uma carreira solo por si só, exibindo sua versatilidade musical e trazendo ao mundo novos clássicos - sem esquecer de toda sua trajetória no passado. O exemplo perfeito disso no Brasil é Samuel Rosa, ex-frontman do Skank e que, agora, está mais imerso do que nunca em sua carreira solo. 

Samuel Rosa sempre foi um músico que, mesmo com o sucesso de Skank, se movimentou bastante em sua carreira solo, indo desde a realização de trilhas sonoras para espetáculos (como o disco “Suíte Branca”, de 2015) até a realização de trabalhos musicais com outros artistas, como Lô Borges, Vitor Kley, Terno Rei e Duda Beat. Em 2024, com o Skank tendo oficialmente encerrado suas atividades, Samuel lançou o disco “Rosa”, com pouco menos de 40 minutos de duração e um total de 10 músicas, incluindo as faixas “Segue o Jogo” (que foi single na época), “Rio Dentro do Mar” e “Flores da Rua”. Desde então, o artista tem realizado uma série de shows em todo o país para promover sua nova fase musical, escolhendo o Tokio Marine Hall para ser o seu palco ideal em São Paulo. 

Foto: João Zitti 

Foto: João Zitti 


A apresentação ocorreu no dia 07 de março - primeiro sábado do mês, e contou com um pequeno atraso para começar, o que certamente foi causado pelo trânsito caótico do dia (além do padrão de São Paulo no quesito trânsito, no mesmo dia estava acontecendo o show do Bryan Adams no Vibra, que é relativamente perto dali). Ainda sim, o atraso foi praticamente desconsiderado pelo público, que voltou sua atenção por completo para o palco quando Samuel e sua banda entraram e executaram a faixa “Me dê Você” (pertencente à carreira solo do artista). Particularmente falando, creio que não tenha sido a melhor maneira de começar o show, visto que a subida dos músicos no palco se deu sem grades introduções, e a canção escolhida para dar a largada, além de não ser tão conhecida, é muito calma - especialmente quando comparamos com o restante de sua discografia. Mesmo assim, Samuel conseguiu levantar os ânimos do público com sucesso duas músicas depois, ao executar a canção “Vamos Fugir”, cover de Gilberto Gil que, na altura do campeonato, já se tornou também um clássico do Skank. 

Foto: João Zitti 

Foto: João Zitti 


Foto: João Zitti 


O setlist, de um modo geral, foi extremamente acertado: ainda que promovendo sua nova fase musical, Samuel Rosa possui plena ciência de que sua imagem sempre será ligada ao Skank, e, ao invés de ter uma certa “repulsa” por isso e buscar ter um afastamento, ele abraça esse legado com excelência. Não à toa a maior parte do repertório do show foi de clássicos do Skank, como “Ainda Gosto Dela”, “Jackie Tequila”, “Dois Rios”, “Saideira” e, claro, “Vou Deixar” - provavelmente o ponto alto do show. Além disso, a noite contou também com diversos covers de grandes hits dos seus “amigos” de música, como Samuel carinhosamente chamou, como “Lourinha Bombril” (d’Os Paralamas do Sucesso), “Tarde Vazia” (do Ira! e que, inclusive, contou com participação especial do próprio Samuel quando eles gravaram seu icônico disco acústico) e “Um Girassol da Cor do Seu Cabelo” (de Lô Borges), cover esse que vamos falar novamente mais para frente no texto. 

Mesmo com mais de 30 anos de carreira, Samuel ainda possui uma presença de palco inabalável, com uma voz que se manteve praticamente intacta após todo esse tempo e com um carisma gigantesco. Esse carisma, inclusive, foi muito reforçado justamente pelos momentos entre-músicas, e que o artista conversava com o público: o frontman buscou contar com muito bom humor diferentes histórias dos bastidores de sua carreira, como quando escutou pela primeira vez a canção “Onde Você Mora” do Cidade Negra, e como foi uma “revanche” tê-la tocado em um medley com “Te Ver” na noite. Além disso, a banda de apoio escolhida por Samuel foi essencial para estruturar toda a sonoridade do show, contando tanto com a presença de uma formação mais “padrão” de instrumentos quanto com a inclusão de um trio de instrumentos de sopro - claro, com todos os músicos tendo apresentado um excelente nível técnico, com destaque para o guitarrista Doca Rolim e o baixista Alexandre Mourão. 

O público paulistano ainda foi presenteado pela presença de duas participações especiais no show: Duda Beat e Andreas Kisser. A participação de Duda se deu no meio do show com a canção “Tudo Agora”, música essa inclusive que contou com um registro profissional poucos meses atrás com ambos, integrando o projeto audiovisual “Rosa Sessions” (que também teve outras participações, como Joyce Alane, Seu Jorge). A junção dos artistas nessa faixa mais intimista trouxe um ótimo resultado final, com uma canção leve e que teria encaixado como uma luva caso fosse um show de Dia dos Namorados. Infelizmente,a participação de Duda foi relativamente rápida no contexto geral do show, deixando um gostinho de “quero mais no público”.  

Foto: João Zitti 

Foto: João Zitti 

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Já a participação de Andreas ocorreu na reta final do show, tocando justamente um cover que comentei algumas linhas atrás nesse texto: a canção “Um Girassol da Cor do Seu Cabelo”. Ao introduzir Andreas, Samuel brincou ao contar que a casa de um dos integrantes do Clube da Esquina era próxima, justamente, da casa em que o Sepultura inicialmente ensaiava, muito antes do guitarrista integrar o grupo, reforçando ainda mais a brincadeira ao comentar que Kisser chegou ao grupo justamente para “afinar” as guitarras. O clássico de Lô Borges, que por si só já é muito sentimental, ganhou uma camada a mais de melancolia na apresentação, muito também pela afinidade e apreço que Samuel possui pelo compositor, que, infelizmente, faleceu no ano passado. Essa melancolia, porém, veio muito acompanhada por uma certa beleza, com a participação de Kisser adicionando tanto um toque de metal a música que encaixou extremamente bem, juntamente da alternância de fraseados de guitarra entre ele e Doca que serviram para amplificar ainda mais os sentimentos à flor da pele que a canção possui, resultando em um dos melhores momentos da noite. 

Foto: João Zitti 

Foto: João Zitti 

Foto: João Zitti 


Com um excelente setlist, ótimas participações e uma casa lotada, Samuel Rosa entregou ao público paulistano um excelente show nesse início de março, mostrando que é definitivamente possível incentivar o futuro enquanto se abraça o passado. 


Agradecimento à MM Assessoria de Imprensa e Tokio Marine Hall pelo credenciamento e atenção. 

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