A banda sueca de gothic doom metal Draconian acaba de soltar o single “Misanthrope River”, nova faixa de In Somnolent Ruin, álbum que será lançado em 8 de maio de 2026 pela Napalm Records. A música chega acompanhada de clipe oficial (assista aqui) e antecipa mais um capítulo do disco que também marca o retorno da vocalista Lisa Johansson à formação. Draconian se apresenta em São Paulo no dia 16 de maio, no Carioca Club, em data única no Brasil.
O guitarrista alemão Roland Grapow, conhecido por seu trabalho com o Masterplan e por sua passagem marcante pelo Helloween, retorna à América do Sul com uma turnê especial que promete agradar em cheio os fãs de power metal clássico.
O grande destaque da série de shows é o repertório: um setlist inédito e totalmente focado na fase de Grapow no Helloween, com ênfase no icônico álbum The Time of the Oath, que completa 30 anos. O disco será executado quase na íntegra, em uma celebração histórica de uma das fases mais marcantes da banda alemã.
O ícone do rock e metal ROB ZOMBIE revelou o videoclipe de seu mais recente single, "The Black Scorpion", faixa que integra seu aclamado novo álbum, The Great Satan. Sob uma luz verde sinistra, Zombie e sua banda entregam uma performance intensa nesta faixa punk-metal de tirar o fôlego, que dura menos de dois minutos.
Os fãs de metal melódico em São Paulo têm um motivo extra para comemorar: o In Flames confirmou um sideshow especial como parte da programação do Bangers Open Air. A apresentação reforça a passagem da banda pelo país e oferece ao público uma experiência mais próxima e intensa fora do contexto de festival.
O show acontece no dia 23 de abril, na Audio, uma das casas mais tradicionais da capital paulista para apresentações de rock e música pesada. Diferente dos grandes palcos, o sideshow permite uma conexão mais direta entre banda e fãs, criando uma atmosfera única para quem acompanha a trajetória do grupo sueco.
Flea revisita suas origens em Honora e entrega o disco mais íntimo da carreira.
Por: Mayara Abreu
Agradecimento: ForMusic
Durante mais de quatro décadas, o mundo conheceu Michael “Flea” Balzary como um furacão de palco. Baixo pendurado na altura do joelho, torso nu, energia que parece não caber no próprio corpo. No Red Hot Chili Peppers, ele transformou o instrumento em arma rítmica, fundindo funk, punk e psicodelia como poucos.
Mas antes do Flea que domina estádios, existia o garoto Mickey, e ele segurava um trompete.
É exatamente esse reencontro que move Honora, seu primeiro álbum solo. Não é um disco “surpresa”, nem um capricho tardio. É um retorno. Um acerto de contas com a própria história.
Criado em uma casa onde o jazz era quase religião, muito por influência do padrasto, o baixista Walter Urban Jr., Flea cresceu cercado por sessões improvisadas, bebop pulsando na sala e músicos que pareciam conversar em outra língua. O jazz foi seu primeiro idioma musical.
A escolha pelo baixo veio depois. Quase como rebeldia e fuga.
Mas o trompete nunca foi embora de verdade. Ficou guardado nos bastidores de turnês mundiais, nos quartos de hotel, nos intervalos entre discos. Em Honora, ele finalmente assume o protagonismo.
Foto: Gus Van Sant
Honora não soa como um “rockstar brincando de jazz”. Pelo contrário. É um trabalho cuidadoso, sofisticado e surpreendentemente contido. Flea toca com vulnerabilidade, o que é algo raro para quem sempre foi sinônimo de explosão.
Há ecos claros da cena contemporânea de Los Angeles, aquela que aproximou o jazz do groove, da psicodelia e da espiritualidade urbana. Em alguns momentos, dá para sentir a liberdade harmônica. Em outros, o balanço sinuoso que poderia conversar com Thundercat.
Mas o disco não se limita a essa estética.
A vivência de Flea atravessa tudo. O funk visceral dos Peppers. A experimentação eletrônica que explorou no Atoms for Peace, projeto liderado por Thom Yorke. A pulsação rítmica que sempre definiu sua assinatura musical. Tudo aparece, mas diluído, transformado e amadurecido.
O álbum leva o nome da bisavó de Flea, Honora. E essa escolha diz muito. O disco carrega um senso de linhagem, de memória, de pertencimento. Não é sobre provar nada. É sobre reconhecer de onde se veio.
Aos 60 e poucos anos, depois de uma carreira consolidada, Flea parece menos interessado em impacto e mais interessado em verdade, talvez esse seja o gesto mais punk de todos.
O que mais impressiona em Honora não é a técnica, embora ela esteja lá, mas sim, o silêncio, os espaços e a respiração entre as notas. Flea toca para sentir.
Para quem espera solos incendiários ou momentos grandiosos, o disco pode soar contido demais. Mas essa contenção é justamente sua força, como o som de alguém que já viveu tudo e agora escolhe desacelerar. Honora não é um desvio na trajetória de Flea. É um círculo que se fecha, é o retrato mais honesto que ele já nos entregou.