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| Foto: João Zitti |
Symphony X – Tokio Marine Hall - São Paulo/SP - 20 de março de 2026
Por João Zitti (@joaozitti.work)
Fotos: João Zitti (@joaozitti.work)
A reta final de março sempre é um período muito aquecido no cenário de música ao vivo, tanto por conta do Lollapalooza e de seus sideshows quanto pela grande variedade de turnês que acabam coincidindo umas com as outras e, consequentemente, lotando a grande maioria das casas de shows na capital paulistana. Uma das turnês em questão foi da banda Symphony X, ícone do metal progressivo e que, no dia 20 de março, comemorou seus mais de 30 anos de existência no Tokio Marine Hall, em São Paulo.
A abertura da noite ficou por conta de ninguém menos que Andy Addams, guitarrista colombiano-americano que já é um antigo conhecido do público brasileiro, visto que passou pelo país (inclusive, no mesmo palco) ano passado em participação da turnê de outro grande músico, Kiko Loureiro (show esse que também contou com cobertura pela Big Rock). Comparativamente falando, a confiança do artista nessa apresentação quase que triplicou em relação a sua passagem anterior pelo país, se comunicando de maneira mais direta com o público e “puxando” gritos e jogadas de punho para o alto durante as canções, mostrando uma maior segurança ao interagir com os fãs brasileiros. Em contrapartida, a apresentação contou com uma plateia relativamente grande para sua apresentação (considerando que seu show começou mais de 1 hora antes da atração principal, e que o trânsito da cidade estava mais caótica do que nunca - algo que foi intensificado pelo Lollapalooza), mostrando que, pouco a pouco, o artista está se estabelecendo como um grato ato de abertura pelos fãs.
Ainda que com um aumento considerável de público, o show dessa vez pareceu relativamente menor do que sua performance anterior (talvez seja uma grande impressão), com um setlist majoritariamente focado em seus trabalhos solos. O ponto alto, porém, se deu na sua última música - que foi um grande medley de outras canções mais conhecidas, como as trilhas principais dos animes “Os Cavaleiros do Zodíaco” e “Dragon Ball Z”, o que arrancou diversas palmas e gritos empolgados da plateia.
| Foto: João Zitti |
| Foto: João Zitti |
| Foto: João Zitti |
Quase 30 minutos após o encerramento da banda de abertura, Symphony X subiu ao palco do Tokio Marine pontualmente às 22h. Ao dar a largada no show, a banda fez com que o público viajasse quase 30 anos no passado ao tocar uma sequência direta de 4 músicas do disco “The Divine Wings of Tragedy” (lançado em 1997), escolhendo as faixas “Of Sins And Shadows”, “Sea of Lies”, “Out of the Ashes” e “The Accolade” para essa volta no tempo e seguindo a risca o tracklist desse álbum. A decisão de começar a apresentação com essas músicas foi muito bem tomada, visto que, além de serem canções extremamente conhecidas da banda, são muito energéticas, o que fez com que o público engajasse automaticamente com essa explosão sonora.
Para o show, o grupo escolheu passar por quase todos os álbuns de sua carreira (sete de nove deles - com exceção dos dois primeiros trabalhos de estúdio), com um maior enfoque no disco comentado anteriormente e nos álbuns “Underworld” e “V: The New Mythology Suite”. Inclusive, o grande destaque da noite se deu, justamente, a uma faixa desse trabalho, a música “Evolution (The Grand Design)”: energética e veloz, sua construção e seus elementos sonoros são a pura definição do que é uma canção de metal progressivo - não à toa é uma das composições mais conhecidas do Symphony X, e foi um dos momentos de maior agitação dos fãs. A ideia de passar pela maioria dos trabalhos da banda foi excelente, afinal, que maneira melhor de mostrar ao público mais de 30 anos de história em menos de duas horas senão viajando por quase todas suas fases sonoras? E para isso, a curadoria das canções foi certeira, entregando ao público um verdadeiro show de Greatest Hits que manteve do início ao fim o público extremamente engajado - algo que é relativamente difícil de se fazer. O único ponto que prejudicou um pouco essa ideia foi o fato de que 4 dos 7 discos visitados não receberam tanta atenção, deixando de fora da apresentação excelentes trabalhos como “Paradise Lost” e “When All Is Lost” - algo que poderia ter sido resolvido caso fossem tocadas duas músicas de cada um desses álbuns ao invés de uma (inclusive, o tamanho do show e de seu setlist serão comentados mais à frente nesse texto).
| Foto: João Zitti |
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| Foto: João Zitti |
No quesito técnico, a banda apresentou como um todo um excelente trabalho, conseguindo reproduzir com maestria a sua característica sonoridade de estúdio na apresentação ao vivo - especialmente na guitarra, encabeçada por Michael Romeo. Claro, houveram alguns pequenos deslizes em relação ao tempo na banda como um todo, mas é algo de se esperar considerando a complexidade das canções executadas - e que, no panorama geral, não afetou tanto a apresentação. O grande destaque da noite foi o vocalista do grupo, Russell Allen: como alguém que nunca tinha visto a banda ao vivo ou alguma gravação de um de seus shows, foi extremamente surpreendente ver o alcance e potência vocal que Russell entregou, extremamente afinado do início ao fim do show e sendo um destaque tanto nos momentos em que cantava com a banda quanto em eventuais “solos”, ovacionados pelos fãs e que deixaram bem claro o porquê ele é uma referência dentro do metal progressivo.
O grande porém do show se deu em relação a sua duração: a apresentação, iniciada às 22h, se encerrou próxima das 23h30, o que, à primeira vista, é um tempo bom (uma hora e meia no total). Porém, se considerarmos que teve mais de 10 minutos de pausa somente entre o set principal e o bis, e também mais 10 minutos aproximadamente de discurso do vocalista, o tempo do show já cai para quase uma hora e dez, o que, para uma apresentação que está celebrando mais de 30 anos de carreira de uma banda que possui quase 10 discos de estúdio, é muito pouco tempo. Para se ter ideia do quão curta foi a apresentação, o seu setlist (ainda que muito bom) contou somente com 12 músicas no total, o que contrasta com a ideia da turnê e de comemorar o legado da banda. O grupo, inclusive, comentou que gostaria de ter feito um tempo maior de apresentação, mas que essa era uma decisão que fugia do controle deles.
| Foto: João Zitti |
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Durante seu discurso (que foi o principal momento de interação entre artista e público), Russell focou em falar sobre a trajetória da banda e sobre o carinho recebido do público durante essas três décadas, agradecendo aos fãs pelo apoio e pela presença em peso naquela noite de sexta-feira no show, alegando que o Brasil era, realmente, o maior e melhor lugar para que a banda pudesse fazer essa comemoração - sendo ovacionados pelos fãs. O vocalista, inclusive, brincou com o fato de estarem “competindo” com o Lollapalooza naquela noite, e, ainda que o público tenha começado a fazer uma vaia em massa contra o festival, Russell optou por acalmar os ânimos, comentando que as atrações da “concorrência” são artistas como eles, e que estão somente fazendo seu próprio trabalho. Em seguida, Russell introduziu todos os membros da banda e comentou sobre estarem trabalhando em um novo disco de estúdio, que vai marcar o primeiro lançamento do grupo em mais de dez anos desde “Underworld”, levando o público à loucura. Aproveitando esse entusiasmo, Symphony X deu início a reta final do show, com a excelente sequência de músicas formada por “Without You” (argumentavelmente uma das principais canções da história banda - e um outro grande destaque da noite), “Dehumanized” e “Set The World On Fire (The Lie of Lies)”, uma finalização explosiva que concretizou a noite como um momento memorável para seus fãs brasileiros.
| Foto: João Zitti |
| Foto: João Zitti |
Ainda que com um setlist curto, Symphony X celebrou com louvor seus mais de trinta anos de legado, executando os grandes pontos altos de sua carreira para um público apaixonado e preparando o terreno para o próximo (e promissor) capítulo da banda.
Agradecimento à Top Link Music pelo credenciamento e Tokio Marine Hall e MM Assessoria de Imprensa pela atenção.

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