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2 de maio de 2026

Bangers Open Air 2026 — Crônica de Sangue, Aço e Fogo - DIA 1

Foto: João Zitti


Bangers Open Air - Memorial da América Latina - São Paulo/SP - 25 de abril de 2026


Por: Juliana Carpinelli (@julipa25) / Léo Wacken (@leowacken)

Foto: João Zitti (@joaozitti.work)


Nos dias 25 e 26 de abril, o Memorial da América Latina, em São Paulo, deixou de ser um espaço urbano. Ali, ergueu-se um campo de guerra.

O sol queimava como um dragão cuspindo fogo sobre os vivos. O chão tremia sob o peso de milhares de guerreiros vestidos de negro. E o ar… o ar era preenchido por aço — riffs cortantes, baterias como tambores de guerra, vozes que ecoavam como gritos antes do massacre.

Não era um festival.

Era uma conquista.

Sábado — O Sangue Derramado na Forja


O primeiro dia começou como toda guerra começa: testando os fracos.

O Lucifer abriu os portões como um culto antigo sendo despertado. Johanna Sadonis não cantava — ela invocava. Com músicas como “California Son” e “Bring Me His Head”, o som se espalhava como fumaça densa sobre o campo, enquanto o público, já sob o castigo do sol, aceitava o chamado.

Foto: João Zitti

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Foto: João Zitti


O Evergrey veio como estratégia e disciplina.

Nada ali era aleatório. Cada riff era calculado, cada melodia carregava peso emocional. “A Touch of Blessing” ecoou como um hino de guerra melancólico, e o público respondeu em uníssono — um exército alinhado, esperando o comando para avançar.

Foto: João Zitti

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Então o céu se abriu… e o caos desceu.

O Jinjer transformou o campo em carnificina sonora.

Tatiana Shmayluk parecia possuída por duas entidades — uma que cantava como um anjo, outra que rugia como uma besta. Em “Pisces” e “Vortex”, sua voz alternava entre beleza e destruição, enquanto a banda construía estruturas rítmicas complexas como armadilhas de guerra. Ali, o primeiro sangue foi derramado nos mosh pits.

Foto: João Zitti

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O Torture Squad não pediu passagem — invadiu.

Com “Abduction Was The Case” e “Blood Sacrifice”, a banda brasileira trouxe o peso do aço nacional. Mayara Puertas liderava como uma comandante em plena batalha, gritando ordens enquanto o público respondia com colisões violentas.

Era guerra corpo a corpo.


O tributo a Ozzy Osbourne foi um dos momentos mais emocionantes e simbólicos do festival. A homenagem aconteceu no Waves Stage, localizado no Auditório Simón Bolívar, e reuniu um auditório completamente lotado por fãs que foram celebrar o legado eterno do “Príncipe das Trevas”, falecido em 2025.

Em clima de reverência e emoção, o público transformou a apresentação em um enorme coro coletivo, cantando clássicos da carreira de Ozzy Osbourne a plenos pulmões. A atmosfera dentro do auditório misturava nostalgia, celebração e gratidão por décadas de contribuição ao heavy metal.

O tributo contou ainda com participações especiais de músicos importantes da cena, entre eles Yohan Kisser e Hugo Mariutti, que ajudaram a elevar ainda mais a intensidade da apresentação. Entre riffs marcantes, solos carregados de sentimento e interpretações emocionantes, o show reafirmou a influência eterna de Ozzy na música pesada e mostrou como sua obra segue viva no coração dos fãs.


Então, o campo silenciou… por um instante.

Pois um general havia chegado.

O Black Label Society, sob o comando de Zakk Wylde, avançou como uma máquina de guerra. Pesado, arrastado, inevitável. “Stillborn” e “Suicide Messiah” esmagavam como marretas, enquanto “In This River” trouxe um momento quase funerário — um lamento aos caídos.

E quando “No More Tears” ecoou, não era apenas música: era um grito coletivo por um rei ausente.

O campo inteiro cantava.

Foto: João Zitti

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Foto: João Zitti


A banda sueca In Flames realizou uma apresentação memorável como um dos headliners do primeiro dia do Bangers. Donos de uma das performances mais intensas do festival, os veteranos entregaram um show literalmente “inflamado”, preciso e carregado de energia, reafirmando sua importância dentro do death metal melódico.

Com foco principal nas últimas duas décadas de carreira e em faixas do mais recente álbum, 'Foregone' (2023), a banda conduziu o público por uma apresentação pesada, moderna e extremamente dinâmica. O repertório de 15 músicas equilibrou com eficiência o peso característico do melodic death metal com melodias marcantes e refrões que foram acompanhados em coro pela plateia.

A resposta do público foi imediata e intensa. Mosh pits tomaram conta da pista durante boa parte do show. 

Foto: João Zitti

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Foto: João Zitti


Killswitch Engage subiu ao Ice Stage no final da tarde do primeiro dia do Bangers entregando uma apresentação explosiva, marcada por clássicos do metalcore e pela já conhecida energia caótica e carismática do guitarrista Adam Dutkiewicz.

Logo na entrada da banda, Adam arrancou reação imediata do público ao aparecer usando uma bandeira do Brasil como capa — que em alguns momentos acabou amarrada no pescoço — reforçando a conexão descontraída e divertida que o músico sempre teve com os fãs brasileiros.

Enquanto riffs pesados e refrões marcantes dominavam o palco, o público respondeu com intensidade do começo ao fim, transformando a apresentação em uma verdadeira celebração do metalcore dos anos 2000.

Foto: João Zitti

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Mas tudo isso… era apenas preparação.

Arch Enemy — O Massacre da Rainha de Ferro.

Quando o Arch Enemy subiu ao palco, não havia mais espaço para dúvidas. Aquilo não era um show. Era uma execução pública.

Abrindo com “Yesterday Is Dead and Gone”, a banda não deu tempo para respirar. O ataque foi imediato. Brutal. Preciso. A nova vocalista entrou como uma rainha forjada na guerra. Sem hesitação. Sem medo.

Em poucos minutos, o público já gritava seu nome como se ela sempre tivesse pertencido ali. “The World Is Yours” transformou o campo em uma multidão em transe. Punhos erguidos, vozes rasgadas, corpos se empurrando — um mar humano em ebulição.

Foto: João Zitti

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Mas foi em “My Apocalypse” que o domínio se consolidou.

Luzes erguidas, milhares de pontos brilhando na escuridão, como tochas de um exército pronto para marchar rumo ao fim. As guitarras de Michael Amott cortavam como lâminas perfeitamente afiadas. A bateria soava como bombardeios.

E cada refrão era um golpe direto no peito.

Ali não havia mais resistência.

A plateia foi conquistada, dominada, esmagada. O sábado terminou não com aplausos — mas com a sensação de ter sobrevivido a um massacre liderado por uma nova soberana.

Foto: João Zitti

Foto: João Zitti



Agradecimento à Agencia TAGA e Bangers Open Air pelo credenciamento e atenção.

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