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| Fotos: João Zitti |
Arena Brasileira – Parque Ibirapuera - São Paulo/SP - 27 de junho de 2026
Por João Zitti (@joaozitti.work)
Fotos: João Zitti (@joaozitti.work)
Os meses de junho e julho desse ano foram completamente dominados por um único tema: a Copa do Mundo, que acontece de quatro em quatro anos e, dessa vez, ocorreu no México, Canadá e Estados Unidos. Somado com o fato de junho ter sido o mês de festas juninas, é justo dizer que o cenário da música ao vivo em São Paulo acabou ficando relativamente mais parado. Felizmente, o público paulistano pôde contar com um evento que uniu, justamente, o futebol com shows variados de grandes artistas nacionais: a Arena Brasileira.
Para quem não sabe, a Arena Brasileira é um festival realizado no Parque Ibirapuera durante todo o período da Copa do Mundo de futebol, unindo apresentações ao vivo com transmissões de jogos da seleção e ativações de marca. O evento surgiu em 2022, e, após seu grande sucesso, retornou para mais uma edição em 2026, com shows distribuídos ao longo de 13 dias e misturando gêneros como pagode, pop, funk e, claro, rock. O gênero em questão teve destaque em um sábado, 27 de junho, e contou com performances de Toni Garrido, Samuel Rosa, Os Paralamas do Sucesso e Jota Quest.
O festival, de um modo geral, trouxe uma grande facilidade para se locomover e se localizar, contando com diferentes ativações que iam desde marcas de bebidas variadas (como Smirnoff e Três Corações) até mesmo empresas de saúde odontológica, sendo elas espalhadas ao longo dos dois setores da pista. Inclusive, esse foi surpreendentemente o único estande que contou com um apoio para carregar celulares, informação essa que uma parte considerável dos funcionários do evento não sabia e que, considerando o tamanho do festival, deveria ter uma maior sinalização ou até mesmo mais locais de apoio nesse sentido, como por exemplo na área de descanso que ficava ao lado do palco, sendo esse um dos poucos pontos negativos do evento e que, muito provavelmente, será ajustado até 2030. Dito isso, vamos para as apresentações.
O responsável por abrir o sábado foi ninguém mais ninguém menos que Toni Garrido, amplamente conhecido pelo seu trabalho como vocalista do Cidade Negra, grupo de reggae carioca surgido nos anos 80. O artista iniciou sua apresentação pontualmente às 14h, para o que foi infelizmente um público pequeno. Isso, provavelmente, se deu por conta do sol extremo e inesperado que dominou esse fim de semana, após uma semana fria e chuvosa em São Paulo. Toni, inclusive, falou sobre isso durante a performance, agradecendo aos fãs presentes pelo apoio e animação durante seu show, dizendo que todos estavam ali para curtir e se divertir, e que, independente do tamanho da plateia, ele priorizava por assumir seu compromisso de iniciar no horário, tanto em respeito aos fãs quanto ao festival e aos outros artistas.
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Durante uma hora e meia (que foi o tempo padrão para todas as bandas do dia), Toni realizou um show extremamente energético, animado e alto-astral, com um repertório que passou tanto por grandes clássicos do Cidade Negra, como “Onde Você Mora” e “Girassol”, quanto por covers de artistas nacionais e internacionais, como “Sina”, de Djavan e Caetano Veloso, e uma rápida passagem por “Fly Away”, de Lenny Kravitz. O músico dançou, pulou e manteve constantes interações com os demais membros da sua banda de apoio, sendo acompanhado por um público que, do início ao fim, cantou todas as canções do repertório apresentado, e mostrando que certamente merecia uma plateia maior.
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Em seguida, quando o relógio marcou as 16h, Samuel Rosa e sua banda de apoio (praticamente a mesma em comparação a sua apresentação em São Paulo no início de março, que contou com cobertura aqui na Big Rock) subiram ao palco para um público relativamente maior. Por conta do tempo ser um pouco menor em comparação a apresentação citada, seu setlist contou com algumas pequenas alterações, com uma redução no número de canções de sua carreira solo e a adição de mais hits do Skank. Sucessos como “Jackie Tequila” e “Acima do Sol” transformaram a plateia em uma pista de dança, enquanto músicas como “Dois Rios” e “Ainda Gosto Dela” proporcionaram momentos mais introspectivos, mas sem serem tristes, com os pulos e mãos para o alto do público sendo substituídos por coros uníssonos. O destaque do show, porém, se deu a outro grande sucesso do Skank (que serviu como uma luva para a proposta do festival): a canção “É uma Partida de Futebol”.
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Dominada por riffs de guitarra mais pesados e um ritmo bem mais “dançante”, a faixa de abertura do “O Samba Poconé” é possivelmente a melhor tradução musical da paixão do brasileiro pelo futebol, não à toa fez parte da trilha sonora oficial da Copa do Mundo e, mesmo 30 anos após seu lançamento, ainda é cantada na íntegra pelos fãs, mesmo com uma letra que não possui refrões e praticamente não se repete. Apaixonado por futebol, Samuel Rosa manifestou sua torcida pela seleção brasileira no jogo que viria a ser contra o Japão no dia 29, e, como bom brasileiro que é, torceu também para a eliminação da Argentina do campeonato. Samuel ainda brincou dizendo que Ancelotti deveria mandar os jogadores do Brasil reforçarem os treinos de pênaltis, muito provavelmente por conta da eliminação passada da seleção contra a Croácia. Infelizmente, o pênalti acabou sendo um dos motivos da nova eliminação da seleção contra a Noruega nas Oitavas de Final, atrasando em mais quatro anos o sonho do hexa.
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| Foto: João Zitti |
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Independente disso, a apresentação de Samuel Rosa foi excelente, mantendo o público engajado do começo ao fim e encerrando sua passagem na Arena Brasileira com “Vou Deixar”, arrancando aplausos fervorosos da plateia.
Pouco após Samuel sair do palco, a noite tomou conta do Parque Ibirapuera, e com ela vieram Os Paralamas do Sucesso. Essa foi a única apresentação que contou com atrasos no dia, iniciando cerca de 20 minutos após o programado, mas foi algo que definitivamente não afetou os ânimos do público, especialmente ao considerar toda a pontualidade do evento até então.
Iniciando a performance com uma exibição de imagens de arquivo e abstratas em P&B, Os Paralamas introduziram ao público um pouco do que seria aquela noite: uma verdadeira viagem no tempo em mais de 40 anos de história da banda. Ao longo de toda a apresentação, Herbert Vianna brincou dizendo que tocaria músicas que eram mais velhas do que grande parte da plateia (o que, de certa forma, se mostrou como uma verdade, considerando a presença significativa de influenciadores no local): clássicos como “Vital e sua moto” e “Lourinha bombril” (que na altura do campeonato se tornou um cover que superou a versão original) trouxeram um ritmo e uma dança que somente a música brasileira pode proporcionar, enquanto canções como “Cuide bem do seu amor” e a emocional “Aonde quer que eu vá” trouxeram a bela melancolia e sentimentalismo tão presente em toda a discografia da banda. O auge de sua performance, talvez, tenha sido durante a faixa “Lanterna dos afogados”, um momento verdadeiramente introspectivo no qual o público, entregue de corpo e alma ao show, formou um verdadeiro mar de luzes com as lanternas de seus celulares, iluminando a noite daquele sábado enquanto os icônicos solos de instrumento de sopro ecoavam pelo Ibirapuera.
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| Foto: João Zitti |
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Vale ressaltar todo o desempenho da banda, que entregou uma ótima apresentação, mas o destaque provavelmente vai para o vocalista-guitarrista Herbert Vianna, que apresentou excelentes vocais ao longo de todo o show (em especial nas faixas mais sentimentais) e que definitivamente trouxeram diversas camadas a mais para as canções apresentadas após mais de 40 anos de estrada. Os Paralamas, então, encerraram sua passagem pela Arena Brasileira com “Meu Erro”, sendo extremamente aplaudidos pelo público e mostrando o porquê são um dos maiores nomes do rock nacional.
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O encerramento da noite ficou por conta da banda mineira Jota Quest, agora com uma pista 100% lotada. Como era de se esperar, o grupo entregou uma apresentação animada, divertida e com suas famosas “trollagens”, como Rogério Flausino gosta de brincar em algumas entrevistas. Dentre algumas das canções apresentadas pelo grupo, “Na Moral”, “Encontrar Alguém” e “O Sol” abriram o show em grande estilo, enquanto faixas como “Fácil” e “Dias Melhores” trouxeram um Rogério mais “quieto”, de certa forma, protagonizando momentos mais marcados por voz e violão.
Algo a se destacar na apresentação foi a parte visual: o grupo foi extremamente feliz em realizar sua apresentação no auge da noite, o que possibilitou uma maior utilização de luzes (extremamente coloridas, diga-se de passagem, com fortes tons de vermelho, roxo e azul), fumaças e até mesmo pirotecnia, com fumaças sendo lançadas na beirada do palco. Outro ponto muito positivo se deu, também, na qualidade sonora, algo que acabou afetando ocasionalmente a performance dos Paralamas por um volume extremamente alto e que, nesse caso, foi ajustado para os níveis normais.
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E falando em Paralamas, o Jota Quest também fez uma performance em muitos momentos alinhada com a celebração de sua trajetória, comemorando seus mais de 30 anos de estrada. A banda frequentemente conversava com o público em um tom mais nostálgico, relembrando momentos marcantes de sua história como, por exemplo, sua vinda para São Paulo no início da carreira (com os integrantes chegando na cidade sem dinheiro) e, claro, a regravação da música “Pra Frente Brasil”, que foi originalmente um hino não-oficial da seleção brasileira em 1970. Além disso, o grupo também deu destaque para seus trabalhos mais recentes, em especial as releituras de canções de Tim Maia (artista esse que a banda possui raízes desde os anos 90), com destaque para “Acenda O Farol”.
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Com um excelente lineup, a Arena Brasileira celebrou o futebol e a música nacional com primor, deixando um gostinho de quero-mais para a próxima edição e, quem sabe, sendo ainda melhor com a conquista do hexa pela seleção brasileira em 2030.
Agradecimento à Umauma pelo credenciamento e atenção.
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