![]() |
| Foto: Thayz Figueiredo |
Hellfest Festival - Clisson/França - edição 2026
Por: Thayz Figueiredo
Fotos: Thayz Figueiredo
Uma breve história
O Hellfest nasceu em 2006 na pequena cidade de Clisson, no interior da França, fundado por Ben Barbaud e Yoann Le Nevé. A proposta era simples e ambiciosa ao mesmo tempo: criar um festival de metal à altura dos grandes eventos europeus, num país que ainda não tinha um evento do gênero com esse peso. O primeiro ano já deixou sua marca: o Mötorhead subiu ao palco e se tornou um símbolo da identidade do festival desde então. Lemmy Kilmister, o icônico baixista e vocalista da banda, era fã declarado do Hellfest, e o festival retribuiu o afeto de um jeito que poucos eventos no mundo fariam: uma estátua em sua homenagem foi erguida na arena do festival, e parte das cinzas de Lemmy está dentro dela. É provavelmente o tributo mais rock and roll que um festival já prestou a um artista.
Nos anos seguintes, o Hellfest foi crescendo de edição em edição. Em 2026, chegou à sua 19ª edição com 183 artistas distribuídos por seis palcos ao longo de quatro dias, recebendo cerca de 240 mil pessoas em Clisson.
| Foto: Thayz Figueiredo |
O tamanho do Hellfest: onde ele se encaixa no mapa dos festivais
O Hellfest é o maior festival de metal da França e um dos maiores do gênero no mundo. No ranking dos festivais de rock e metal europeus, ele integra o que muitos chamam de "big four" do circuito: Hellfest (França), Download Festival (Reino Unido), Graspop Metal Meeting (Bélgica) e Wacken Open Air (Alemanha). Esses quatro eventos formam o esqueleto da temporada europeia de verão para fãs de música pesada, compartilhando artistas, público e uma cultura que é única nesse universo.
No contexto francês, a disputa pelo título de maior festival do país sempre foi travada com o Les Vieilles Charrues, realizado em Carhaix, na Bretanha, e historicamente o maior em número de ingressos pagos. Os dois coexistem como os dois mastodontes do setor: enquanto o Les Vieilles Charrues atrai um público mais amplo e eclético, o Hellfest domina com soberania o universo do rock pesado e do metal. Em 2026, segundo rankings especializados do setor, o Hellfest liderou as listas de festivais franceses mais procurados da temporada, com o Les Vieilles Charrues e o Rock en Seine logo atrás. Fora da França, o Hellfest já é descrito como um dos festivais de metal mais diversos do mundo, atraindo fãs de todos os continentes.
| Foto: Thayz Figueiredo |
| Foto: Thayz Figueiredo |
Os palcos e a lógica do festival
O Hellfest tem seis palcos, cada um com uma identidade própria. O Mainstage 1 e o Mainstage 2 são os principais e ficam lado a lado, o que permite acompanhar os dois programas a partir de praticamente qualquer ponto da arena central. Os telões espalhados pelo espaço garantem que, mesmo quem está longe, não perde nada do que acontece nos dois palcos simultaneamente.
O Valley e o Altar também ficam próximos entre si, assim como o Warzone e o Temple. O Valley é o lar do doom, stoner e sludge; o Altar concentra o death metal e o grindcore; o Warzone é o território do hardcore e do punk; e o Temple fecha com o black metal e gêneros mais extremos e atmosféricos. A disposição dos palcos é bem pensada e facilita a vida de quem quer transitar entre eles sem perder muito tempo.
| Foto: Thayz Figueiredo |
| Foto: Thayz Figueiredo |
O espaço: um museu a céu aberto
Uma das coisas que mais impressiona no Hellfest é que o festival vai muito além de uma grade de shows. O local é uma verdadeira cenografia a céu aberto, com 21 hectares cobertos por esculturas monumentais, estruturas temáticas e instalações artísticas criadas por dezenas de artistas contemporâneos ao longo dos anos.
Além da estátua de Lemmy, o festival ganhou mais recentemente uma estátua de Ozzy Osbourne, reforçando o hábito do Hellfest de eternizar seus ídolos em forma física. Outra presença marcante na arena é o Guardian of Darkness, uma figura imponente que se tornou um dos símbolos visuais do festival.
Para enfrentar o calor intenso que costuma marcar as edições do festival, que acontece em pleno verão europeu e frequentemente coincide com ondas de calor na França, o Hellfest instalou uma fonte/chuveiro de água decorada com logos das bandas e do próprio festival, onde o público pode se refrescar sem sair da atmosfera.
A área VIP tem sua própria personalidade: uma fonte de "sangue", um mural dedicado aos artistas que já partiram, decorações que contam a história do rock e do metal ao longo das décadas. Tudo com muito cuidado estético e uma atenção ao detalhe que transforma qualquer passeio pelo espaço em algo inesquecível.
|
|
|
|
|
Uma visita que vai além do festival
Uma curiosidade que poucos sabem: o espaço onde acontece o Hellfest fica aberto para visitação durante boa parte do ano, de graça. Fora do período de montagem e desmontagem do festival, que geralmente vai de abril a julho, qualquer pessoa pode passear pelo espaço e conhecer as esculturas, e todo o ambiente do Hellfest sem precisar de ingresso. É um museu a céu aberto, um ponto turístico que já faz parte do mapa da região.
Lá também funciona o Hellcity, um brewpub aberto durante boa parte do ano, com cervejas produzidas no próprio local, culinária e trilha sonora que já dão o tom. Nos meses de julho e agosto, o espaço ainda recebe restaurantes e shows ao vivo, estendendo a experiência para muito além dos dias de festival.
O Hellfest fica a apenas 2 km do centro histórico de Clisson, cidade medieval com castelo do século XIV, arquitetura italiana e paisagens de cartão-postal entre vinhedos. Um motivo a mais para fazer a viagem.
Vale muito a pena
Já fui a muitos festivais, e o Hellfest entrou na minha lista de favoritos. A combinação entre lineup de peso, espaço bem planejado, decoração cuidadosa e uma atmosfera única que só se intensifica conforme a noite cai e as tochas são acesas por toda a arena é difícil de encontrar em outro festival no mundo. Quando a noite fecha sobre Clisson e o fogo começa a saltar das estruturas de ferro ao redor do público, você entende por que tanta gente volta todo ano.
E já dá pra pensar em 2027
A edição de 2026 mal havia terminado quando o Hellfest revelou o que vem por aí. A edição de 2027 será a de vigésimo aniversário, intitulada "The Absolute Edition", e as proporções já chamam atenção: mais de 300 artistas distribuídos por 10 palcos, quatro a mais do que os atuais seis. Os novos palcos se chamarão Abyss, Forge, Crypt e Riot, além dos já conhecidos Mainstage 1, Mainstage 2, Valley, Altar, Warzone e Temple. O tamanho da arena não vai crescer e nem a capacidade de publico, mas a densidade de atrações vai aumentar consideravelmente.
Os ingressos de quatro dias para 2027 começaram a ser vendidos no dia 7 de julho de 2026 e já esgotaram, como já é tradição. O festival acontece de 17 a 20 de junho de 2027 em Clisson. Quem quiser marcar presença nessa edição histórica vai ter que correr atrás dos ingressos avulsos quando saírem.
O Hellfest completa 20 anos maior, mais ambicioso e sem nenhuma intenção de parar.
Agradecimento a produção do Hellfest pelo credenciamento e atenção.
.jpg)
Nenhum comentário:
Postar um comentário