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25 de agosto de 2026

Tuska Festival 2026 – Helsinki, Finlândia

Foto: Tuska Festival / @petrisaraphotography

Por Giovanna Marques

Fotos gentilmente cedidas por Sigryd Bagon / A Ilha do Metal 


Domingo, 28 de junho


Depois de dois dias intensos, o domingo chegou trazendo aquele clima que todo frequentador de festival de Metal conhece bem: o famoso bittersweet moment, que mescla a felicidade de ter visto tanta coisa incrível com a tristeza de saber que o festival está acabando.

Mesmo com grandes atrações pela frente, era impossível ignorar a sensação de que mais uma edição do Tuska estava chegando ao fim.

Após um line-up fortíssimo na sexta e no sábado, o público voltou a lotar o Suvilahti, comprovando que o último dia estava longe de servir apenas como despedida. Pelo contrário: o domingo reuniu algumas das bandas mais aguardadas de toda a edição e fechou o festival com uma combinação entre lendas do Metal, representantes da cena finlandesa e alguns dos maiores nomes da nova geração.

Foto: Tuska Festival / @petrisaraphotography


O clima também era diferente. Se nos primeiros dias era grande a ansiedade para descobrir o que viria pela frente, agora a atmosfera era de aproveitar cada momento restante. Era comum encontrar grupos de amigos sentados pelos gramados entre um show e outro, fãs fazendo as últimas compras no merchandising e fotógrafos registrando os instantes finais de mais um fim de semana histórico.

O domingo, último dia de festival, também é o dia de levar as crianças para curtir o Metal. Conhecido como Pikku Tuska, o evento acontece desde o começo do dia até as 17h, permitindo que crianças de até 12 anos assistam às apresentações acompanhadas de um adulto responsável. É realmente muito fofo ver tantas crianças usando camisetas de bandas, corpse paint e curtindo o bom Metal ao lado dos pais.

Foto: Tuska Festival / @petrisaraphotography

Foto: Tuska Festival / @petrisaraphotography


Mais do que encerrar a programação, o domingo consolidou o recorde de público da edição de 2026, que recebeu aproximadamente 66 mil pessoas ao longo dos três dias, estabelecendo a maior marca da história do festival!


A banda que abriu os trabalhos no palco principal no último dia do Tuska 2026 foi a Stam1na. A banda finlandesa, originária da cidade de Lemi, lançou seu primeiro álbum de estúdio em 2005 e rapidamente conquistou grande reconhecimento dentro da comunidade do metal.

Misturando Thrash Metal com influências de Metal Progressivo, Punk e Death metal, a banda lançou seu álbum mais recente, "Apnea", em fevereiro deste ano, e fez a frente do palco principal lotar de pessoas cantando suas músicas em finlandês.

Foto: Sigryd Bagon / A Ilha do Metal


Em seguida, o Soilwork abriu as apresentações do dia no Nordic Energy Stage. A banda sueca de Death Metal melódico fez uma apresentação intensa e enérgica debaixo de chuva. Apesar do clima desagradavel, os fãs permaneceram acompanhando o show, e era possível ver um pequeno mar de capas de chuva espalhado pela plateia.

A última apresentação do Soilwork em território finlandês havia acontecido dois anos atrás, e tive a felicidade de poder vê-los em um ambiente mais aconchegante. Apesar de o Jäähalli ter uma enorme capacidade de público, é muito clara a diferença de atmosfera entre os dois tipos de apresentação. Na minha opinião, o som dos caras combina muito mais com um palco de festival de verão, com os riffs ecoando em alto volume.

Foto: Sigryd Bagon / A Ilha do Metal


Em seguida, no mesmo palco, aguardávamos a apresentação da lenda norte-americana Queensrÿche.

Com certeza, os caras estavam entre as atrações internacionais mais aguardadas do domingo e, sem depender de grandes efeitos visuais, apostaram na força do repertório e na experiência acumulada ao longo de décadas de estrada. A resposta do público foi linda de ver, com os fãs mais old school cantando a plenos pulmões praticamente todas as músicas. A banda também mostrou que o Metal Progressivo continua ocupando um espaço importante dentro do festival, especialmente entre os fãs mais tradicionais.

Foto: Sigryd Bagon / A Ilha do Metal


Seguimos em direção ao palco principal para assistir à lenda finlandesa Amorphis.

Se havia uma banda que parecia completamente à vontade naquele domingo, essa banda era o Amorphis. Eu já perdi as contas de quantas vezes os vi ao vivo, e é impressionante perceber que, a cada show, o som dos caras parece ficar ainda melhor.

Misturando Death Metal melódico, Folk, Metal Progressivo e influências da mitologia finlandesa, a banda é considerado um verdadeiro patrimônio nacional. Durante a apresentação no Tuska, do primeiro ao último minuto, o público acompanhou a banda cantando junto, mesmo debaixo de chuva.

Foto: Sigryd Bagon / A Ilha do Metal

Foto: Sigryd Bagon / A Ilha do Metal


No palco coberto Radio City Stage, aguardávamos a apresentação dos ingleses do Malevolence e, para minha surpresa (já que tenho pouquíssima experiência com o metalcore fora do Tuska), os caras botaram a casa abaixo.

Originária de Sheffield, a banda, criada em 2010, faz um som típico de "tapa na orelha", daqueles que não dá para ouvir em volume baixo. A sonoridade possui claras influências de Hardcore Punk, Groove Metal e Sludge, e, em alguns momentos, se fecharmos os olhos, temos a impressão de estar ouvindo Pantera, dada a semelhança dos vocais de Konan Hall (que também é guitarrista) com Phil Anselmo, além da clara e palpável influência de Dimebag Darrell nas guitarras.

O show no Tuska não contou com a presença do vocalista oficial, Alex Taylor, que precisou passar por uma cirurgia de emergência. Quem assumiu os vocais durante as apresentações deste verão foi Tony Evans, amigo da banda e vocalista do Desolated.

O que restou dizer foi que o Malevolence fez uma apresentação incrível e que certamente ficará na memória de todos os presentes, principalmente daqueles que participaram do gigantesco mosh pit.

Foto: Sigryd Bagon / A Ilha do Metal


Rumo ao palco principal, chegava a hora da última apresentação do Tuska 2026.

Quando a noite começou a cair, todas as atenções passaram a se voltar para o Bring Me The Horizon.

Poucas bandas representam tão bem a transformação do metal nas últimas duas décadas. Se antes eram (mal) vistos apenas como um grupo de Metalcore, hoje transitam com naturalidade e orgulho entre o Metal, Rock alternativo,  música eletrônica e elementos do pop, conquistando um público muito mais amplo sem abandonar completamente suas origens.

Visualmente, a produção foi digna de um encerramento de festival de gente grande. Painéis de LED, iluminação sincronizada, diferentes recursos audiovisuais e uma produção extremamente bem planejada transformaram o palco principal em um espetáculo de grandes proporções.

Foto: Tuska Festival / @riikkavaahtera / @toviagency


O vocalista Oli Sykes (que mora no Brasil com sua família) conduziu o público durante toda a apresentação, alternando momentos de grande intensidade com momentos de melancolia. Era possível ver muitos dos presentes emocionados, chorando e cantando junto a cada refrão.

Independentemente da preferência musical de cada um, ficou difícil negar a dimensão que a banda alcançou atualmente.

Assim como aconteceu com o Bad Omens no sábado, o Bring Me The Horizon simbolizou a consolidação de uma nova geração de headliners, capazes de atrair públicos gigantescos e dialogar com diferentes perfis de fãs.

Foto: Tuska Festival / @riikkavaahtera / @toviagency

Foto: Tuska Festival / @riikkavaahtera / @toviagency


O domingo encerrou o Tuska 2026 da mesma forma que o festival começou: mostrando que tradição e renovação podem caminhar juntas.

Bandas clássicas dividiram espaço com artistas que representam o futuro do Metal, enquanto o público demonstrou que existe espaço para diferentes sonoridades dentro do mesmo festival.

Mais do que reunir grandes shows, o Tuska voltou a provar que continua entendendo como poucos a evolução do Metal. O recorde de público, a diversidade do line-up e a excelente organização reforçaram por que o evento permanece entre os festivais mais respeitados da Europa.

Quando as luzes do Karhu Main Stage finalmente se apagaram, ficou aquela sensação conhecida de todo fim de festival: a vontade de que houvesse mais um dia. Afinal, se a edição de 2026 deixou alguma certeza, foi a de que o Tuska continua olhando para o futuro sem esquecer as bandas que ajudaram a construir sua história.


Agradecemos imensamente à produção pelo credenciamento e, com muito fôlego e ansiedade, seguimos aguardando o festival no ano que vem!

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