Rádio Big Rock

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14 de abril de 2018

Glenn Hughes em Porto Alegre (28/4): músico quer causar impacto em quem assiste aos shows da atual turnê


Uma parte considerável do que é feito hoje no mundo do rock tem influência, direta ou indireta, de três bandas inglesas: Black Sabbath, Deep Purple e Led Zeppelin. Há, inclusive, quem classifique esses grupos como a sagrada tríade do estilo — ou coisa que o valha. E isso não é papo de tiozão do Led, mas uma constatação bem plausível considerando o que dizem artistas na ativa hoje em dia, com ou sem muita visibilidade, sobre suas influências. Caso você concorde com essa crença, há de convir também que só mesmo um abençoado poderia ter integrado mais de uma dessas entidades. E esse bem-afortunado está entre nós, ainda levando a graça de seu talento aos devotos da boa música. Falamos de Glenn Hughes, baixista e vocalista que faz show em Porto Alegre dia 28 de abril, sábado, no Opinião (José do Patrocínio, 836), tocando só músicas do Deep Purple.

Glenn esteve com o conjunto entre 1973 e 1976, participando das fases MK III e MK IV — que incluem os discos Burn (1974), Stormbringer (1974) e Come Taste the Band (1975). Já com o Sabbath gravou apenas um disco, o controverso Seventh Star (1985), que por pouco não foi um álbum solo do guitarrista Tony Iommi. Além de ser agraciado com passagens por essas duas lendas, o veterano de 66 anos ainda foi membro do Trapeze e construiu uma carreira solo. Mais recentemente, esteve tocando com o Black Country Communion (com Jason Bonham, filho do baterista do Led Zeppelin, John Bonham) e California Breed.
Na entrevista a seguir, Glenn explica porque resolveu ressuscitar o repertório do DP recentemente, relembra o fantasma das drogas e avalia sua bendita trajetória.
 
Foto: Divulgação
 
Por que você resolveu fazer uma turnê tocando apenas músicas do Deep Purple agora? Houve algum acontecimento que desencadeou essa vontade?
Glenn Hughes — Senti que esse era o momento certo. O Deep Purple não toca músicas das fases MK3/MK4 (que compreendem o período entre 1973 e 1976, quando Glenn esteve na banda tocando baixo e cantando). Era tempo de revisitar essa fase com o devido respeito que ela merece. A ideia veio após uma turnê na Austrália, quando meu empresário e eu decidimos fazer disso uma prioridade exclusiva pelos próximos anos.

Quais são as memórias mais bacanas do tempo em que você tocou com o DP na metade dos anos 1970? Há lembranças amargas também?
Glenn Hughes —
Muitas recordações maravilhosas, como tocar no festival California Jam (1974) e conhecer Stevie Wonder. Estar no Purple foi uma experiência fantástica. Claro que as drogas arruinaram boa parte delas, e as lembranças se tornaram amargas, como vocês bem devem saber. Eu não estava em um bom lugar no fim da era Purple.

Você sabe se os outros membros do DP aprovam o fato de que você planejou uma tour com um repertório baseado no catálogo da banda? Glenn Hughes — Não tenho ideia. David (Coverdale) fez isso com o Whitesnake, Ritchie (Blackmore) está tocando sons do DP com o Rainbow. Então, por que eu não poderia?

Qual é o sentimento ao tocar essas faixas antigas agora, para uma plateia em que muitos nem eram nascidos no tempo em que as músicas foram compostas?
Glenn Hughes —
Sou agradecido por trazer esses sons de volta à vida. É muito importante para mim causar impacto em quem ouve essas composições. É incrível que elas tenham passado no teste do tempo, mas grandes músicas são atemporais. Amo ver a reação dos fãs mais novos. Eu quero mostrar isso para todos os admiradores de rock pelo planeta. É tempo de queimar (uma alusão ao disco Burn, de 1974)!

Em sua opinião, como pioneiro no estilo: para onde o rock está indo? O que acha que vai acontecer com o gênero? Pergunto porque a indústria da música mudou, e nomes clássicos como Motorhead, Black Sabbath e Led Zeppelin, entre outros, estão fora do jogo por diferentes razões.
Glenn Hughes —
Sim, tudo está mudando. Não consigo ver uma volta àquela fase de experimentação verdadeira, de inovação. Isso sem falar no tamanho dessas bandas. A indústria era muito maior. Não é crime reconhecer que era melhor no passado, e não é apenas nostalgia. Por isso que estou fazendo essa tour: para dar aos fãs o gostinho de como era nos gloriosos dias do rock setentista.

Como foi ter feito parte de dois gigantes do rock (Purple e Sabbath)?
Glenn Hughes —
Me sinto honrado, claro! Com o Sabbath foi período menor, mas qualquer envolvimento com um pioneiro como Tony Iommi é uma honra.

Falando nisso: muitos dizem que Sabbath, Zeppelin e Purple são a trinca sagrada do rock’n’roll. O que pensa sobre essa afirmação?
Glenn Hughes —
É uma boa analogia, é verdade. E essas bandas eram todas diferentes entre si. Zeppelin tinha o lado acústico, Sabbath o peso sombrio e Purple a improvisação. Três bandas que mudaram a música e influenciaram muitos músicos. Me sinto orgulhoso do papel que tive nisso tudo.

E sobre sua voz: você é chamado de ‘a voz do rock’, e continua cantando com muito entusiasmo e qualidade (vide o show mais recente em Porto Alegre, em 2015). Há algum cuidado especial ou coisa do tipo que costuma fazer para manter a saúde vocal?
Glenn Hughes —
Eu nunca fumei, o que me ajudou a manter a voz. Mas é um presente divino poder cantar. Eu descanso minha voz, cuido bem dela e não fico achando que foi um dom que veio de graça. É natural, então sou muito sortudo de ter mantido minha voz e o alcance dela por todos esses anos.

E sobre seus outros projetos (carreira solo, Black Country Communion, California Breed..). Há ou haverá novidades sobre essas bandas em breve?
Glenn Hughes —
Devem rolar novidades em breve sobre meus planos para o próximo ano. Tenho alguns projetos possíveis, mas com relação às turnês vou me dedicar à ‘ Performs Classic Deep Purple Live’ por um tempo. Talvez role um disco do BBC, e quem sabe uma nova empreitada musical também.

Por Homero Pivotto Jr.


Agradecimento: Homero Pivotto Jr. - Abstratti Produtora

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