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29 de novembro de 2018

Orquestra Petrobrás Sinfônica apresenta Dark Side Of The Moon - 26/10/18

Foto: Allianz Parque

Era 26 de novembro de 2018, uma segunda-feira, porém não era uma segunda comum. Era dia de festa. O Allianz Parque Hall receberia a Orquestra Petrobrás Sinfônica para uma noite de gala: a comemoração dos 45 anos de lançamento de um dos principais discos da história do rock e da música mundial: Dark Side Of The Moon, para muitos o mais perfeito conjunto de canções jamais criado. O que um fã inveterado dos músicos de Cambridge poderia esperar? 

Inicialmente é preciso explicar que jamais uma orquestra foi tão propriamente tradutora de uma qualidade musical, sim, leitores, o som original criado pelos ingleses é possuidor de uma sonoridade inigualável. Como se pode confirmar pela inúmeras atualizações pelas quais a obra passou a cada inovação tecnológica desenvolvida, seja em mono, estéreo, quadrifonia, analógico ou digital, long play, Compact Disc ou stream, enfim, o "lado negro da lua" foi atualizado e reformulado conforme o formato e o aparato. Mas o que esperar de uma orquestra executando as músicas da dupla Gilmour e Waters? 

Foto: Allianz Parque

Antes, porém, há, ainda, uma outra questão: um estádio de futebol pode ser palco para uma orquestração? Há muito os estádios e os ginásios tornaram-se receptivos aos fãs do rock, principalmente, do PINK FLOYD, que consagrou Pompeia em memorável gravação nos anos 70 e que transformou as arenas em seu melhor palco, até mesmo quando criou entre a banda e o público uma parede, mas esta é uma outra história. Além disso, é importante ressaltar que o estádio do Palmeiras tornou-se a principal casa de shows de grande porte de São Paulo, além de ter sido eleito um dos melhores palcos do mundo. Então, configuram-se dois espetáculos, o primeiro arquitetônico e o segundo musical. Conciliados com precisão e harmonia em sons e cores.

Entretanto, ainda falta-nos mais um ingrediente importante. Não há orquestra sem um maestro. E o maestro da noite não é um qualquer, mas propriamente o principal dos maestros em atividade no país. A apresentação da noite foi dirigida por Isaac Karabtchevsky, considerado, em 2009, pelo jornal inglês The Guardian como um dos ícones vivos Brasil, que desde 2004 está à frente da regência da Orquestra Petrobrás Sinfônica, cujo repertório já se apropriou de discos como Ventura dos Los Hermanos e já apresentou espetáculo com o cantor Nando Reis.

Sim, estão aqui reunidos os ingredientes da noite: um orquestra sinfônica única, um maestro magistral, um palco moderno, belíssimo e acolhedor e, por fim, uma plateia, mas não uma qualquer, uma devotada plateia da trupe de Roger Waters, David Gilmour e companhia. E que comece o espetáculo...

Foto: Allianz Parque

Um prelúdio inicial aqueceu plateia e instrumentos na noite fria paulistana, mas logo foram ouvidos os primeiros pulsares de um coração e de relógios e máquinas registradoras de "Speak To Me" que iniciam "Breath" (in the air).  A suave melodia inicial encontrou nas cordas dos violinos e violas um substituto à altura das guitarras Fender de mister Gilmour. Porém, se faltam-nos os vocais de David, emocionam os instrumentos de sopro na suavidade melodiosa a desenhar a melodias iniciais do álbum clássico. 
Calmaria logo quebrada pelas máquinas e pelos relógios  a nos avisar que o tempo passa "On The Run", seguida por "Time", cantada pela plateia em uníssono: "Ticking away the moments that make up a dull day...". Logo os magistrais solos de guitarra são apresentados por instrumentos de sopro como o clarinete, o trombone e o trompete que cumprem sua missão com maestria entre os cadenciados compassos do tempo.
Em "The Great Gig In The Sky", sobressaem-se o piano e o saxofone, bem como o violino a desenhar no ar as linhas ocupadas pela voz de Claire Torry na gravação original. Seguida por "Money",  em outro momento em que a plateia participou do espetáculo assumindo os vocais. A interação plateia e orquestra não poderia ser melhor. Os instrumentos de sopro novamente deveram o tom na inesquecível "Us And Them". O fim de Dark Side, seguiu-se um meddley avassalador que incluir "Wish You Were Here", "Run Like Hell" e "Another Brick In The Wall". Ambas cantadas a plenos pulmões por uma plateia extasiada e eufórica. 

Foto: Teresa Gomes

Era uma noite segunda-feira, em um lugar memorável, uma orquestra única, um maestro excepcional e o clássico dos clássicos, enfim, quem assistiu ao espetáculo proporcionado por Karabtchevsky e sua orquestra jamais ouvirá Dark Side Of The Moon, com os mesmos ouvidos, pois a obra de Gilmour, Waters e companhia foi eternizada nas nossas vidas como nunca antes havia sido. 



Por: Tiago Gomes

Agradecimento pelo credenciamento: Lucas Borges - TAGA Comunicação

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