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| Foto: Alexia Tantardini-Sutterlet |
Silver Dust fala a Big Rock N' Roll sobre estreia no Brasil, Symphony of Chaos e o poder teatral do metal
Por: Mayara Abreu
Agradecimento: Franke Comunicação
A banda suíça Silver Dust está prestes a viver um momento histórico em sua trajetória. Após mais de uma década de carreira e turnês por mais de 26 países, o grupo liderado por Lord Campbell fará sua primeira apresentação no Brasil durante o Bangers Open Air 2026, no Memorial da América Latina, em São Paulo.
Em entrevista a Big Rock N' Roll, Campbell falou sobre a expectativa para tocar diante do público brasileiro, o conceito por trás do álbum Symphony of Chaos, as influências do metal teatral e os aprendizados ao dividir palco com lendas como KISS, Nightwish e Scorpions.
Para o vocalista e guitarrista, a estreia no país representa um marco importante para a banda.
“Performar no Brasil pela primeira vez é um grande marco para nós. Crescemos ouvindo falar da energia lendária da cena metal brasileira — é um público que não apenas assiste a um show, ele vive a experiência”, afirma.
Campbell também destaca a influência de bandas brasileiras em sua formação musical. Ele cita especialmente Sepultura e Soulfly, além de elogiar o trabalho de Max Cavalera, a quem chama de “um verdadeiro pioneiro cuja influência na comunidade global do metal é imensurável”.
A conexão com o país também ganhou força através de parcerias recentes. O músico revela que mantém contato próximo com o baterista e produtor brasileiro Rodrigo Oliveira, responsável por apoiar a expansão da banda na América do Sul.
“Sou um grande fã do trabalho dele como baterista e produtor. Ter alguém desse nível acreditando no Silver Dust é uma honra enorme. Ele reuniu uma equipe fantástica para nos ajudar a crescer no Brasil e na América do Sul”, conta.
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| Foto: Divulgação |
Um álbum nascido do caos do mundo
O mais recente trabalho da banda, Symphony of Chaos, é considerado por muitos fãs e críticos um dos pontos altos da discografia do Silver Dust. Segundo Campbell, o álbum reflete diretamente o momento turbulento vivido pela sociedade atual.
“Para mim, Symphony of Chaos é um reflexo sonoro da turbulência que vemos no mundo hoje. Eu acompanho as notícias de perto e fico profundamente afetado pela direção que a nossa sociedade está tomando”, explica.
Entre os temas abordados no disco estão questões sociais e pessoais. Um exemplo é a música “I’m Flying”, que critica o consumo excessivo de carne e a crueldade contra os animais — uma causa que o artista defende com veemência.
“Sou totalmente contra qualquer forma de crueldade. O consumo global excessivo de carne é uma praga que causa sofrimento imenso para animais e também para os humanos.”
Já a faixa “Goodbye” tem um significado ainda mais pessoal: trata-se de uma homenagem a um amigo próximo que faleceu após uma doença grave.
“Esse álbum foi uma forma de processar o luto, ao mesmo tempo em que eu refletia sobre o que acontece no mundo.”
Além da carga emocional, o trabalho também foi um grande desafio artístico. Campbell revela que participa de praticamente todas as etapas criativas da banda, da composição às artes visuais.
“Eu cuido de tudo: composição, letras, arranjos e até do design gráfico e da capa. Meu objetivo era levar nosso som para um território mais pesado, mas mantendo melodias marcantes, misturando vocais poderosos com loops eletrônicos e orquestrações clássicas.”
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| Foto: Divulgação |
Metal, teatro e identidade visual
Um dos elementos mais marcantes do Silver Dust é sua estética teatral, que combina influências góticas, atmosferas cinematográficas e a força do heavy metal.
Para Campbell, esses dois universos não são opostos — pelo contrário.
“O teatral e o metal não são coisas separadas. São dois lados da mesma moeda. A teatralidade cria a atmosfera e a história, enquanto o metal traz a energia e o batimento do coração.”
Ele cita o clipe de “Salve Regina” como exemplo dessa fusão, com sua estética gótica e elementos visuais inspirados em uma atmosfera sombria e clássica.
Ainda assim, o músico reforça que a base da banda continua sendo o peso do metal.
“Eu uso riffs pesados e baterias agressivas para dar ‘mordida’ às melodias góticas. Queremos criar algo cinematográfico, mas que também seja visceral e alto.”
Entre as referências que ajudaram a moldar esse estilo estão nomes clássicos do rock teatral.
“Alice Cooper, KISS e Marilyn Manson são mestres nisso. Eles provaram que é possível ter uma identidade teatral enorme sem perder a força da música.”
Lições aprendidas com gigantes do rock
Ao longo da carreira, o Silver Dust teve a oportunidade de dividir palco com algumas das maiores bandas da história do rock e do metal.
Para Campbell, tocar ao lado de artistas como Nightwish, Scorpions e principalmente KISS foi uma experiência quase surreal.
“Se alguém tivesse me dito no começo da minha jornada que um dia eu tocaria ao lado dos meus ídolos, eu teria apenas sorrindo e não acreditado.”
Mais do que momentos marcantes, essas experiências também trouxeram aprendizados importantes.
“Eu gosto de observar bandas que alcançaram sucesso global para entender qual é a ‘receita’ delas. Assistir aos shows do lado do palco, no mesmo palco em que acabamos de tocar, traz uma perspectiva única.”
Ele destaca especialmente a disciplina e a capacidade de reinvenção do KISS
“A maior lição que aprendi é a importância do rigor, da persistência e da inovação constante. A trajetória de Gene Simmons e Paul Stanley mostra que, para se tornar lendário, você precisa tratar sua arte com disciplina absoluta.”
O que esperar do show no Brasil
Com a estreia brasileira marcada para o Bangers Open Air, a banda promete entregar uma experiência intensa e imersiva.
Segundo Campbell, o público pode esperar muito mais do que apenas um show.
“Quando subimos ao palco, convidamos o público a deixar a realidade para trás e entrar no mundo do Silver Dust.”
A apresentação mistura metal pesado, estética vitoriana e elementos teatrais, criando uma experiência visual e sonora completa.
“Nosso show é sombrio, imersivo e altamente visual. É uma mistura de força musical com teatro gótico vitoriano.”
E ele garante que a banda está pronta para corresponder à fama do público brasileiro.
“Já ouvimos muito sobre a intensidade dos fãs brasileiros, e estamos prontos para igualar essa energia nota por nota, batida por batida.”
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| Foto: Divulgação |
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| Foto: Divulgação |
O futuro do Silver Dust
Depois de mais de dez anos de estrada, Campbell acredita que a banda evoluiu significativamente, tanto musical quanto visualmente.
Hoje, ele define o som do grupo como “electro-symphonic metal”, uma evolução natural da identidade original do Silver Dust.
“Se você ouvir a banda de dez anos atrás e comparar com hoje, ainda reconhecerá o nosso DNA, mas perceberá claramente essa evolução.”
A estética visual também passou por uma transformação.
“Nosso visual continua sendo inconfundível, mas se tornou mais sofisticado. Cada detalhe é mais pensado e refinado.”
Enquanto se prepara para conquistar o público brasileiro, o Silver Dust já planeja os próximos passos. Entre eles estão uma grande turnê europeia em 2027 e o desenvolvimento de um novo álbum.
Além disso, a banda quer expandir ainda mais sua presença internacional.
“A América do Sul é nossa prioridade imediata, mas também estamos mirando a Ásia. Queremos que o universo do Silver Dust continue crescendo até alcançar todos os cantos do mundo.”





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