Rádio Big Rock

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7 de novembro de 2018

Os Imortais Max & Iggor Cavalera: um show antológico!

Foto: Divulgação

Corta para 1995, um garoto ganha do seu pai o álbum "Arise" do Sepultura, o disco já estava nas lojas desde 91, o garoto começou a idolatrar a banda, comprar todos os álbuns, colecionar tudo dos irmãos de Belo Horizonte, adquirir livros e todos os itens possíveis. 

Depois de 23 anos, presenciamos um show histórico no Tropical Butantã da dupla que conquistou o mundo com o Sepultura.

Sábado, 3 de novembro de 2018, um forte vendaval devastava a cidade de São Paulo, vários bairros sem luz, quando descemos na estação Butantã do metrô, as ruas estavam escuras e desertas. 
A não ser os vários headbangers que estavam indo até a casa de shows. Nos perguntávamos se teria o evento. Porque já começávamos a ficar preocupados, pois o Chaos A.D. imperava nos semáforos e nas pessoas desesperadas por luz.


Quando chegamos no Tropical, o preto continuava em alta, com várias camisas de metal estampadas nos fãs de Sepultura,  Soulfly e Cavalera Conspiracy. 
A casa estava entupida de gente, e um calor dos infernos, o ar-condicionado não estava funcionado, em função da falta de luz em São Paulo, mas mesmo assim ninguém arredou o pé.

A primeira banda a se apresentar veio do Paraná, Ultra Violence, fizeram um grande show, com letras em português e um metal de se aplaudir de pé, a banda que foi a vencedora do concurso realizado para abrir o show de Max & Iggor. Ganharam a votação, e enfrentaram muitos quilômetros para agradar todos os fãs presentes. Essa banda promete.

A próxima a se apresentar, Deaf Kids, com um som totalmente esquisito e sem sentido (talvez seja essa a intenção), irritou boa parte do público. Cada um com suas loucuras...

O Endrah entrou logo na sequência, a banda está na ativa desde 2003, na sua formação já teve nomes consagrados do metal nacional: Fernandão ( Korzus, Pavilhão 9, Treta, Worst, entre outras bandas), e Billy Graziadei ( Biohazard). Atualmente, da formação original, a banda conta com Coveiro (guitarra). E no line up da banda, o vocalista é o americano Ryan "Relentless" Raes. É um pouco estranho a banda só se comunicar em inglês com o público, mas tirando isso, continuam fazendo um som extremamente pesado, agradando os apreciadores de hardcore e os que gostam de metal.

Com um atraso considerável, o público implorando por água, o roadie do Max jogava garrafinhas para a galera, era o momento que todos estavam esperando, voltar aos tempos áureos do Sepultura, os irmãos tocariam na íntegra os discos clássicos do metal mundial: "Beneath The Remains" e "Arise". 

O primeiro a subir ao palco foi Iggor Cavalera, trajando uma camisa do Palmeiras, o baterista saudou o público, quando os acordes da introdução do álbum "Beneath The Remains" (1989) começou a estourar nos auto-falantes, todo mundo emocionado quando Max Cavalera entrou, e com seu maravilhoso colete com uma pintura dos dois álbuns que iriam ser revisitados durante a noite.

Marc Rizzo (guitarrista que acompanha Max em todas as suas bandas: Soulfly e Cavalera Conspiracy) e Mike Leon (baixista também do Soulfly) completavam a formação da banda que estava entrosadíssima, superando as expectativas.
Faz uns seis anos que o jornalista assistiu um show dos irmãos Cavalera que deixou muito a desejar. 4 álbuns depois, e muitas turnês juntos, Max e Iggor voltaram com sua Fúria Metal (salve Gastão!).

Quem foi até o Tropical presenciou uma comunhão entre os fãs e a banda que foi muito bonito de se ver. Todo mundo cantando as músicas - cantando não, berrando, fazendo Max & Iggor sorrirem de orelha a guitarra.
Nos bastidores, Vânia Cavalera (mãe de Igor e Max) acenava para o público, muito feliz de poder estar ali vendo os filhos, ela que sempre comentou sobre o afastamento dos irmãos (eles ficaram 10 anos sem se falar):"meu sonho é poder vê-los no palco, juntos outra vez...".

Ícaro, filho de Iggor também estava por lá, no Instagram ele colocou fotos do jogo Palmeiras 3 X 2 Santos, o baterista levou seu filho ao Allianz Parque antes do espetáculo, e deu sorte para o time do coração da família Cavalera. Será que foi por isso que o show demorou a começar? (risos).

Nos anos 90 a SEP era um dos times mais fortes do Brasil, foi a época de maior prestígio do Sepultura no mundo todo, mais uma vez teremos os  Cavaleras na mesma banda num momento de glória do time alviverde?!

Foi uma verdadeira celebração as músicas clássicas do "Beneath The Remains", como é bom poder ver ao vivo algumas canções que estão no panteão dos hinos do metal, nunca imaginamos escutar todas essas faixas mais uma vez ali em cores, a plateia se quebrava nas rodas, o mosh pit foi transformado num verdadeiro caldeirão do diabo cavalerístico. Só para os fortes.
No público havia de tudo: meninas adolescentes acompanhadas do pai, marmanjos com os olhos cheios de lágrimas de alegria, chacoalhando seus cabelos velhos e ralos, carecas, minas carecas com seus namorados cabeludos pulando como se o mundo fosse acabar.

Agora era a hora do disco "Arise". Max rege os fãs como um autêntico deus do metal, pedindo para os metalheads renascerem, pedindo para que o metal entrasse na alma de cada um (como se precisasse) e expulsasse todos os demônios. Chegava a hora do caos de São Paulo e do Brasil irem para a pqp com o metal dos músicos que mudaram a vida de muita gente. 

Ao final do show, tocaram clássicos como "Ace of Spades" do Motorhead e um trechinho de "Raining in Blood" do Slayer e "Orgasmatron", também do Motorhead, mas na versão que ficou eternizada pelo próprio Sepultura no LP Arise. No setlist não poderiam faltar Chaos A.D. Territory e Roots Blood Roots.

Ao final do concerto, só podemos dizer uma coisa: Obrigado Max & Iggor Cavalera, foi um dos melhores shows de nossas vidas.


Foto: Facebook Max & Iggor Cavalera



Por: Pedro Pellegrino

Agradecimento pelo credenciamento: Damaris Hoffman - Hoffman & O'Brian

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