Destaques

Translate

11 de março de 2026

Living Colour - Tokio Marine Hall - São Paulo/SP

Foto: João Zitti 

Living Colour - Tokio Marine Hall - São Paulo/SP - 27 de fevereiro de 2026


Por: Alexandre Veronesi 

Fotos: João Zitti (@joaozitti.work)


Proeminente símbolo da luta preta e resistência dentro do outrora (?) conservador universo do Rock pesado, além de figurinha carimbada - e muito querida - por aqui, o LIVING COLOUR esteve novamente na América Latina neste início de 2026 para uma série de apresentações, agora comemorando as suas invejáveis quatro décadas de carreira. O show de São Paulo aconteceu na última sexta-feira, dia 27 de Fevereiro, no Tokio Marine Hall, prestigiosa casa de espetáculos localizada na Zona Sul da cidade.

O 'esquenta' da noite ficou por conta do MADZILLA LV. O grupo, fundado em Las Vegas (EUA) no ano de 2019, é composto atualmente por David Cabezas (voz e guitarra), Sarah Dugdale (guitarra), Thomas Palmer (baixo) e Courtney Lourenco (bateria), e realiza um interessante Thrash / Heavy Metal com pitadas melódicas. Durante 40 minutos, o quarteto demonstrou grande competência em sua atuação, animando o já numeroso público com canções autorais, em um repertório que teve foco no recém-lançado novo álbum, "Angel Genocide", disponível nas plataformas de streaming há cerca de duas semanas. Admito que a música do conjunto particularmente não me empolgou, mas considerando a recepção da audiência, a minha humilde opinião parece ser impopular.

Por volta das 22hs, logo após os corriqueiros avisos de segurança da casa, as luzes se apagaram e a inconfundível "The Imperial March" - tema do personagem Darth Vader na franquia Star Wars - soou imponente nos PA's, prenunciando a chegada de Corey Glover (vocal), Vernon Reid (guitarra), Doug Wimbish (baixo) e Will Calhoun (bateria), ovacionados por um Tokio Marine Hall quase que completamente tomado, e assim o show teve início com a porrada "Leave It Alone", que rapidamente deu lugar a "Middle Man" e "Memories Can't Wait", famosa releitura da canção do Talking Heads, que foi eternizada em "Vivid" (1988), o mega celebrado álbum de estreia da banda.

Foto: João Zitti 

Foto: João Zitti 

Foto: João Zitti 

Foto: João Zitti 


A perfeita fusão entre Rock, Metal e Funk realizada pelo LIVING COLOUR é amplamente conhecida, e sons do quilate de "Go Away", "Ignorance Is Bliss" e "Funny Vibe" fizeram os fãs cantarem, dançarem e baterem cabeça, tudo isso na mesma intensidade. Um momento curioso foi que, prestes a iniciar a execução de "Bi", o simpático frontman interrompeu a contagem da música para cantar "happy birthday" a uma moça que estava na grade - após insistentes pedidos da mesma - de forma muito bem humorada.

'Pura emoção' descreve "Hallelujah", de Leonard Cohen, que foi apresentada na sequência em uma performance verdadeiramente assustadora de Corey Glover (61 anos de idade, e a voz do malandro parece não ter envelhecido um dia sequer), mas "Open Letter (To A Landlord)" não ficou atrás, com os seus cortantes versos de denúncia contra a gentrificação. Então, veio um intrincado solo de bateria por parte de Will Calhoun, contando com um trecho de "Baianá", canção de autoria dos Barbatuques, grupo brasileiro de percussão corporal. Aliás, falar sobre a primazia dos instrumentistas aqui é como chover no molhado, mas não deixa de ser algo impressionante testemunhar 'in loco' a técnica e o groove absurdos emanados por Reid, Wimbish e Calhoun.

Foto: João Zitti 


Depois de "This Is The Life" e "Pride", Doug Wimbish foi ao microfone para dizer o quão especial é a cidade de São Paulo para si próprio, por ter sido o lugar no qual fez sua primeira apresentação com a banda - festival Hollywood Rock, 1992 - e acrescentar que, em sua carreira pregressa, havia tido a oportunidade de gravar com diversos artistas renomados da Funk Music. Dito isso, o grupo executou um divertido medley com "White Lines (Don't Don't Do It)", "Apache" e "The Message", que são algumas dessas músicas das quais o baixista participou ao longo da década de 1980.

"Glamour Boys" deu início ao bloco derradeiro do set, que naturalmente seria composto pelo que há de mais fino no catálogo do quarteto: "Love Rears Its Ugly Head" (um dos ápices da interação entre banda e público), "Type", a pesadíssima "Time's Up", e é claro, "Cult Of Personality", o hit supremo dos caras. O espetáculo então teve o seu 'gran finale' por meio da bela e dilacerante "Solace Of You", que também contou com grande participação dos milhares de presentes na noite.

Foto: João Zitti 

Foto: João Zitti 

Foto: João Zitti 


Obviamente, é demasiado cedo para cravar - ainda estamos no primeiro trimestre de 2026, afinal - mas a catarse que o LIVING COLOUR cometeu em São Paulo na última sexta-feira já fez gerar um fortíssimo candidato a show do ano!


Setlist:

01 - Leave It Alone

02 - Middle Man

03 - Memories Can't Wait [Talking Heads]

04 - Go Away

05 - Ignorance Is Bliss

06 - Funny Vibe

07 - Bi

08 - Hallelujah [Leonard Cohen]

09 - Open Letter (To A Landlord)

10 - Solo de bateria [com trecho de Baianá, do grupo Barbatuques]

11 - This Is The Life

12 - Pride

13 - White Lines (Don't Don't Do It) / Apache / The Message [Funk Medley]

14 - Glamour Boys

15 - Love Rears Its Ugly Head

16 - Type

17 - Time's Up

18 - Cult Of Personality

19 - Solace Of You


Agradecimento à Top Link Music pelo credenciamento e Tokio Marine Hall e MM Assessoria de Imprensa pela atenção

Nenhum comentário:

Postar um comentário