Rádio Big Rock

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18 de janeiro de 2019

Unabomber lança vídeo do novo single e segundo EP

Foto: Divulgação

A situação caótica do Rio de Janeiro é o tema de “Guanabara”, novo single e uma das faixas do segundo EP “O Mal da Máquina Morre”. No próximo dia 18, os roqueiros da Unabomber lançarão o lyric vídeo de “Guanabara”. Uma semana depois, no dia 25, será a vez do novo EP. O disco estará disponível nas plataformas digitais (Spotify, Deezer, Google Play, YouTube, iTunes, Amazon e Pandora).

O título do novo EP foi retirado de um trecho da música "A Celebração da Peleja entre o Molotov e a Máquina", parceria da banda com o artista baiano Ayam Ubräis Barco. Trata-se de uma poesia política, onde o Molotov e a Máquina são metáforas, em que um é a consciência e o outro o sistema.

Além de “Guanabara’ e “A Celebração da Peleja entre o Molotov e a Máquina”, fazem parte do EP “Litost”, “Pesadelo” e “Silêncio” (ambas já lançadas). Unabomber mistura o rock pesado a letras que cutucam o senso crítico da sociedade.

O EP foi produzido por Celo Oliveira (Kolera Home Studio), que também participou como guitarrista na música Guanabara, ao lado de Guilherme Salgueiro que fez os tamborins.



Guanabara

Escrita pelo vocalista André Luz, “Guanabara” descreve o cenário sombrio do Estado do Rio de Janeiro, principalmente após os episódios de corrupção e suas consequências, envolvendo a política local.

Para nós, fluminenses ou cariocas, o tempo fechou e fazer uma música que aborda os acontecimentos políticos e policiais é fundamental. Quase dá para achar graça, se não fossem trágicos os fatos e as consequências dos anos de governo dessa figura que é o protagonista da história que a letra de Guanabara trata. Certos de que toda história tem mais de uma versão, e que também ainda tem muito pra ser contado, procuramos ser breves e até repetitivos na letra para frisar bem a mensagem que queremos passar”, explicam os músicos Paulo Stocco ou PC (bateria), os irmãos Sandro Luz (guitarra) e André Luz (voz), e Alan Vieira (baixo).

Gabby Vessoni foi responsável pela direção, edição e pós-produção do lyric vídeo.


Bio

Alguém lembra de Theodore Kaczynski? O terrorista e matemático americano, um gênio do mal preso nos anos 1990 e trancafiado até hoje? O pseudônimo do terrorista, Unabomber, serviu como ideia para um grupo de músicos da Baixada Fluminense, nos mesmos anos 1990, darem o nome à sua banda de rock. 

Enquanto integravam outros grupos, os rapazes se reuniam no fim de semana para tocar e compor. O batera Paulo Stocco (PC, figurinha fácil e querida no underground carioca, de bandas como Jason, Mandril e Perdidos na Selva) e os irmãos Sandro Luz (guitarra) e André Luz (vocais) convidaram o baixista Alan Vieira. Após alguns shows, resolveram recrutar mais um guitarrista e Jeff Barata se prontificou de imediato a assumir a posição. *

Em 1994, PC, André e Sandro criaram a pequena e bem estruturada casa de shows, o Canil Pub, também na Baixada. As bandas mais significativas do chamado underground carioca dos anos 1990 e de outros cantos do Brasil e até da Argentina tocaram por lá, como Second Come, Planet Hemp, Piu Piu e sua Banda, Gangrena Gasosa, Dementia e tantas outras. Apesar do sucesso, resolveram encerrar as atividades do Canil Pub naquele mesmo ano.

A partir de 1995, a banda iniciou uma reformulação no som e nas composições. Foi quando o Unabomber gravou sua primeira demo, com produção própria. A repercussão foi forte, com resenhas em todas as revistas especializadas e zines. A imprensa roqueira na internet ainda engatinhava. O segundo tape foi gravado em agosto de 1997, com a produção do então iniciante Rafael Ramos (hoje um nome de peso da indústria da música no Brasil, sócio da gravadora Deck). O material foi lançado oficialmente em janeiro de 1998, novamente com bom eco na imprensa, que destacava a originalidade do som. *

Os músicos da Unabomber foram classificados para as três edições do Festival Skol Rock, entre os anos de 1996 e 1998, e obtiveram o 2º lugar na etapa Rio, em 1997. No período, abriram shows de bandas como Titãs, Raimundos, Charlie Brown Jr., Paralamas do Sucesso, Lemonheads e outras, em casas como Imperator, Metropolitan e Mistura Fina, no Rio, e Ginásio Álvares Cabral, em Vitória (ES).

Mostraram a cara em programas de rádio e TV, como o "Ultrassom", da MTV, e "Caderno Teen", da TVE. As músicas “Sociedade Aberta e seus Inimigos” e “Só Hoje” foram executadas em emissoras como a Cidade FM (Rio) e Brasil 2000 FM (São Paulo). *

Em 1999, apresentaram-se algumas vezes na capital paulista pelo Festival Lollapalooza Playcenter. Unabomber foi a única banda fora do estado de São Paulo classificada para gravar uma faixa no Be Bop Studio para a coletânea oficial do festival, com outras 12 bandas como o Nitrominds e o End of Dread. No mesmo ano, Unabomber encerrou as atividades. O batera PC foi o único que seguiu na música. *

Em 1º de maio de 2017, Unabomber voltou com a energia que o rock precisa e já nos deu de presente o EP "Massas & Manobras S/A", formado por releituras de algumas composições lançadas nas demo-tapes "Unabomber" (1996) e "R" (1997), a última com produção do então iniciante Rafael Ramos. Já o EP contou com produção musical de Celo Oliveira, além de projeto visual do fotógrafo Marcos Hermes.

Paulo, Sandro, André, Alan e Jeff voltaram para fazer barulho. No reencontro surgiu o desejo de dizer algo mais. Foi assim que, em meio ao xadrez sociopolítico vivido no presente, a banda compôs e gravou "Silêncio", produzida por Celo Oliveira e lançada como single no final de 2017. Jeff, o segundo guitarrista, deixa a banda pouco após esse single. 

Primeira inédita após o retorno e concebida no calor dos escândalos políticos, a composição expressa uma espécie de catarse da banda relacionada ao momento atual do Brasil. “Talvez a música seja uma forma de preservar a sanidade e continuar mantendo a esperança em um país melhor, além de estímulo à reflexão das pessoas, no sentido da percepção quanto ao perigo da resignação paralisante”, dizem os artistas.

Depois, veio “Pesadelo”, composta por Paulo César Pinheiro e Maurício Tapajós, gravada originalmente pelo MPB4 em 1972 (ainda sob o peso da ditadura militar). A letra é atual e passeia por velhas preocupações ressurgidas e a necessidade de novas perspectivas, em meio a maior polarização política, social e ideológica jamais vista no país. O single foi mais um trabalho com a mão do produtor Celo Oliveira.


* Por Bernardo Araújo (Segundo Caderno/O Globo)




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Agradecimento: Adriana Baldin

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