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28 de fevereiro de 2019

Wacken Winter Nights 2019 - Alemanha

Foto: Divulgação

Na nossa cobertura oficial do Wacken Open Air em agosto passado, mencionei o quão grande em escala o festival é. Porém, não é só de WOA que vive a empresa que promove o festival, a ICS Festival Service GmbH. Entre as crias, estão o site de venda de ingressos Metaltix, o Full Metal Cruise é um cruzeiro metal nos mares espanhóis, o Full Metal Mountain é um festival de metal nas montanhas, o Hamburg Metal-Dayz é mais um festival de metal, dessa vez em Hamburgo, e temos o Wacken Winter Nights, irmão mais novo do Wacken Open Air.

Saí de casa na sexta-feira de manhã (22) sem ter muita noção do que me esperava além das bandas do festival e cerca de cinco horas de viagem de trem até o norte da Alemanha, munido de uma barraca estilo pop-up (nunca fui muito de acampar), um sacão de dormir para inverno, três celulares e bastante curiosidade.
A intenção do Wacken Winter Nights não é a de ser uma cópia de inverno do seu irmão maior. Ele está, na verdade, mais para uma mistura de feira medieval (algo muito comum por aqui) com festival de metal focado em folk e medieval e tem crescido ano após ano: nesta terceira edição, foram cerca de 4 mil pagantes (quase nada perante os 75 mil do irmão maior). 


Foto: ICS Marketing / WWN


TrolfesT

Cheguei por volta das duas da tarde, pronto para metal, que começaria às 3 da tarde no palco Ice Palace (Eispalast em alemão e Palácio de Gelo, em tradução livre) com os noruegueses do TrollfesT, que não havia conseguido ver no WOA de 2018. Antes de vir para o festival, criei uma playlist com as músicas mais tocadas de cada uma das bandas do festival no Spotify. “Toxic”, o cover de Britney Spears gravado pela banda, acabou com a minha seriedade no momento em que o ouvi. Espalhei o clipe para namorada, amigos, grupo de RPG e até a Juliana, editora-chefe do Big Rock.
Qual não foi a minha surpresa quando entrei no Eispalast para ver o vocalista Jostein “Trollmannen” Austvik vestido de rei, com uma coroa de bexigas e o restante da banda vestido de princesas Disney – tenho bastante certeza que os dois guitarristas eram Cinderelas e o tecladista/sanfoneiro havia roubado a peruca da Penélope do Castelo Rá-Tim-Bum.
Quando você está abrindo um festival, há uma bela probabilidade de que a maior parte do público não te conhece o suficiente, ainda mais se você canta quase todas as músicas em uma língua fictícia chamada Trollspråk, mistura de norueguês, alemão e sabe-se lá mais o quê. Então a banda compensou com uma loucura que vi poucas vezes numa banda de metal (talvez o Knorkator no WOA 2018 se compare). O baixista Øyvind Bolt Strönen "Lodd Bolt" Johannesen desceu do palco para puxar um trenzinho que saiu da tenda que protegia o palco e pegou quem estava do lado de fora completamente desprevenido e sem entender nada. Ele também se jogou do palco em outro momento para ser carregado pela plateia enquanto tentava tocar seu instrumento. 
O caos completo surgiu quando Trollmannen pediu para parte do público correr em triângulos em torno de uma das pilastras que segurava a tenda, outra parte do público correr em quadrados em torno de outra pilastra, para uma terceira parte se sentar enquanto uma quarta parte deveria pular. A cereja no bolo foi pedir para uma pessoa no meio exato do público ficar parada sem reação nenhuma. No meio desse caos organizado (eu estava no triângulo que logo evoluiu para um círculo), o TrollfesT conseguiu alegrar o público, fazendo um dos melhores shows do festival. Com certeza ganhou fãs, incluindo este que vos escreve.



Helsótt

Saí de lá e fui direto para o palco Theatre of Grace (Teatro da Graça, em tradução livre) ver o Hellsót, que já estava terminando a primeira música quando cheguei. Faltou aqui algo ao vivo que havia me chamado a atenção no estúdio. Talvez a parte dos teclados estivesse baixa demais no show, por ser pré-gravada e isso alterou a sonoridade da banda, que o site Metal-Archives classifica como folk e death para algo que soava só como death. Não é, infelizmente o tipo de som que eu gosto, então depois de um tempo a banda californiana me cansou. Ademais, o baixista Michael “Doc” Beaulieu me pareceu também estar tocando de improviso em um baixo de 5 cordas que faltava uma corda, no caso a B (sí).


Foto: Jair Cursiol Filho

The Dread Crew of Oddwood

Saí para ver o que tinha na parte feira do festival e é aí que encontrei a real experiência do Wacken Winter Nights. Além dos dois palcos, existem três outro mini-palcos (mini mesmo!) espalhados onde várias bandas se apresentavam em formato acústico e às vezes até sem microfone, no gogó. Dois deles ficavam nas Mystic Woods (Floresta Mística, em tradução livre), enquanto o outro se chamava Old Village Chapel (Capela da Vila Velha, também livre). Esse segundo nome inclusive me causou uma confusão e chateação no sábado.
Eis que dei de cara com The Dread Crew of Oddwood, banda americana de metal pirata acústico – sério, não tem um instrumento “plugado” nos shows deles, eles usam ukulele, buzouki irlandês, sanfona, mandolin e um piano de brinquedo. Eles tem até um single encomendado pela Ubisoft para o jogo Assassin’s Creed IV: Black Sails! A música se chama The Ballad of Edward Kenway (https://www.youtube.com/watch?v=ruJU9XXD-2c).
Como a banda teve 10 (sim, dez) apresentações espalhadas pelo festival, vi eles pelo menos umas três ou quatro vezes quando não tinha nada mais interessante para fazer. Foi a segunda banda a ganhar um fã aqui. E talvez tenham ganho muitos mais, pois a cada show a plateia aumentava – chegaram a, no domingo, ter mais público em um palco acústico do que os mexicanos do Cemican em um show elétrico. Entre os destaques, ficam “Side Quest”, “When I Sail’d” e pérolas que só no YouTube: “Careless Whisper”, cover de Goerge Michael e “They’re taking the hobbits to Isengard”, cover de um remix anônimo de quando o Yahoo era maior que o Google.

Foto:  ICS Marketing / WWN

Heilung

Da playlist que fiz no Spotify, saquei o Heilung (“cura” em alemão), o qual nunca tinha ouvido falar – depois descobri que eles haviam tocado no Wacken Open Air em agosto, mas em meio a quase 150 bandas, não os guardei na memória. A banda tem origem alemã e dinamarquesa, no vocalista Kai Uwe Faust e no produtor Christopher Juul, respectivamente, com adição da vocalista alemã Maria Franz e teve seu segundo show, no festival norueguês Midgardsblot em 2017 eleito pela revista Metal Hammer como um dos dez melhores do ano. Os três fazem o que eles chamam de “história aumentada” e realmente é impossível classificar o Heilung. Não existe metal ali, apenas instrumentos históricos e letras tiradas em sua maioria de antigas poesias vikings.
Existe muito pouco que possa explicar a experiência de um show do Heilung que não seja você se sentir dentro de um ritual pagão viking. É hipnótico, algo que parece te tirar de onde você está, transcendendo espaço e tempo. E ainda que eu tenha saído de lá sem saber o que presenciei, tenho voltado para escutar o disco ao vivo LIFA para ter a experiência outra vez. Quer saber como é? Tem no YouTube como vídeo oficial da banda: https://www.youtube.com/watch?v=h1BsKIP4uYM 


Foto:  ICS Marketing / WWN

Turisas

Depois da experiência do Heilung, o Turisas foi um sopro de normalidade com o a mistura de power, sinfônico e viking. Quase seis anos depois do último disco de estúdio, os finlandeses parecem em forma para a tour que estão fazendo justamente com TrollfesT e Korpiklaani – não é surpresa que as três tocaram no mesmo dia no Wacken Winter Nights. A banda, que está com novo/velho tecladista e nova violinista, é extremamente competente e diverte o público, trazendo um setlist de clássicos, enquanto os fãs esperam o novo disco para talvez esse ano. Os destaques do show ficaram para a versão acústica de “The March of the Varangian Guard” e, obviamente, “Rasputin”, cover do grupo Boney M.




KorpiklaanI

Falar de folk sem falar dos também finlandeses do Korpiklaani, é como falar de churrasco sem falar de picanha. Já havia tido o prazer de ver um show de Jonne Järvelä e cia. no Wacken em 2018. Há pouco a se falar, tirando que o vocalista faz o show, fazendo toda a diferença no que a banda é no palco. A se destacar o fato de que a banda acaba de lançar uma edição especial do último disco, Kulkija, com um disco bônus chamado Beer. Esse disco contém 14 versões diferentes da música “Beer Beer”, incluindo versões com os parceiros de tour Turisas e TrollfesT.



Foto: Jair Cursiol Filho


SEGUNDO DIA:

Pensa em frio, aí aumenta mais um pouco. O Camping do festival fica no mesmo lugar onde foi o Wacken Open Air, com estrutura para banho, banheiro e café da manhã. Com a minha tendinha ruim e só o saco de dormir, a hora que a temperatura caiu abaixo de zero, dormir tornou-se uma dificuldade. Aí toca levantar, tomar banho (quente, graças a Odin), um café quente e um lanche. Aproveitei o festival low-profile pra ir dar uma volta na vila de Wacken, conhecer a cidade como é num final de semana relativamente normal. Há uma rua principal que se se chama “rua principal” (Hauptstraße em alemão), um supermercado, uma igreja luterana. Quem acompanhou o Instragram do @bigrocknroll pode ver tudo, incluindo a cervejaria Beer of the Gods e a fantástica loja Battle Merchant, com espadas, elmos, armaduras e tudo o que dá pra imaginar de apetrechos medievais. Parti para o festival tendo menos bandas que me interessavam muito e pensando em ver a parte mais feira do lugar.



Dragol

Eis que minha primeira surpresa do dia foi no palco 2 das Mystic Woods, no duo Dragol, que tem um ano de carreira e ainda não conseguiu lançar um disco. As músicas estão no YouTube em versão demo, mas o show dos dois trouxe a atmosfera perfeita para as árvores de Wacken. Runa e Vhandill esbanjaram felicidade em contraste aos temas tristes e melancólicos de sua música, tocada em violão, piano e bumbo, em um estilo que eles chamam de dunkel Mär, algo como “conto de fadas sombrio”. A música “Das letzte Mal” pode ser vista aqui em uma gravação da banda no próprio Wacken: https://www.youtube.com/watch?v=YGfL8qiJJFs . E a minha favorita do set, “Lieber tot als ein Sklave” neste link: https://www.youtube.com/watch?v=_Sz8apN3p2Q .


Foto: Jair Cursiol Filho

Vogelfrey

Corri para o Vogelfrey no Ice Palace, muito por causa da música “Schuld ist nur der Met”, ou “a culpa é só do hidromel”, uma das mais divertidas do festival todo (https://youtu.be/cp9qZjCY92g). A banda é boa, com um violista e uma violoncelista (sim, eu procurei como se escreve), além do vocalista ficando com flauta e buzouki irlandês. Mas o melhor dela foi uma atitude que nenhuma outra banda tomou: para várias das bandas do Ice Palace, a organização do Wacken arrumou duas pessoas para ficarem ao lado do palco traduzindo as letras das músicas e interações com o público para a linguagem de sinais, permitindo um melhor entendimento para portadores de deficiência auditiva. O que foi uma ótima ideia dos produtores, transformou-se num exemplo do Vogelfrey: eles colocaram a garota no palco junto com eles (e não do lado) durante o show todo e a apresentaram como o sétimo membro.


Foto:  ICS Marketing / WWN

Eluveitie

O show do Eluveitie acabou sendo um “must do”, devido aos recentes problemas de cancelamento de turnê no meio da turnê no Brasil. Em um resumo da ópera: faltando três shows, um desentendimento sobre dinheiro e estado do camarim resultaram na banda cancelando um show em Belo Horizonte e a produtora cancelando os próximos dois shows da turnê. O pronunciamento da produtora pode ser lido aqui. Da minha parte, como alguém que está aprendendo a lidar com a cultura alemã, da qual a Suíça, país natal do vocalista/dono Chrigel Glanzmann, creio que várias outras bandas da região teriam cancelado o show, visto a falha da produtora em providenciar itens de contrato.
Há uma discussão entre os fãs brasileiros sobre se não houve uma reação excessiva por parte da banda, já que a produtora citou “chá” e comida vegana como alguns dos problemas e o fato de que mais de 90% do cachê da banda já estava pago. O fato se mantém que um lado do contrato não foi cumprido e o outro lado apenas usou o direito de não cumprir a sua parte também. Se eu tivesse que apostar dinheiro, apostaria que várias bandas brasileiras fariam o show (vide o tanto delas que tocaram no fiasco chamado Metal Open Air anos atrás), mas a característica mais “preto no branco” da cultura daqui me faz crer que vários alemães, austríacos e suíços teriam feito o mesmo e cancelado o show. Hey, eu tive que mandar um e-mail para um dos meus colegas de apartamento oficializando meu desejo de trocar de quarto para um quarto menor, para que ele pudesse providenciar um novo contrato.
Começou o show, e o que vi foi um projeto solo. O Eluveitie é extremamente competente e toca, com o perdão do trocadilho, como um relógio suíço. Mas só. Tudo é muito ensaiado, falta emoção, falta Glanzmann deixar os outros membros da banda serem eles mesmos no palco, que parecem ter medo de fazer qualquer interação e o chefe não gostar. Diferentemente da ação super legal do Vogelfrey, Glanzmann ignorou a tradutora até o último minuto, apenas informando a plateia sobre a existência dela ao fim do show. Pra terminar, a cereja do bolo de antipatia veio na reclamação de que havia acabado de chegar do Rio de Janeiro e que lá estavam “malditos 35 graus” de temperatura.


Foto:  ICS Marketing / WWN

Saltatio Mortis

Virtualmente desconhecido fora de países de língua alemã, o Saltatio Mortis é muito grande aqui para uma banda de folk. O fato de tocar depois do Eluveitie e fechar a noite diz muito sobre isso. A banda era facilmente a que aparecia mais em camisetas do público. A voz do vocalista Jörg Roth (que usa o nome artístico Alea der Bescheidene) é peculiar e acaba sendo um gosto adquirido, como é possível notar no vídeo de “Wo sind die Clowns?” https://www.youtube.com/watch?v=MimMHq2tGnc do recente disco ao vivo “Zirkus Zeitgeist – Live aus der Großen Freiheit”. A estranheza da voz é compensada por uma energia quase infinita. Ele pula, grita, se comunica, toca gaita-de-foles e segura o show. O restante da banda se diverte e diverte o público, com dois tocadores de gaita-de-foles o tempo todo e até quatro quando Alea e mais um se juntam. A banda usa também piano, viela de roda, bouzouki irlandês, gaita irlandesa e algumas flautas. As letras da banda ainda contém várias vezes situações políticas atuais, incluindo críticas ao extremismo de direita que tem assolado o mundo.




Foto:  ICS Marketing / WWN

TERCEIRO DIA:

Novamente fui eu me deitar, esperando talvez uma noite melhor. Belo engano. A temperatura caiu mais. Não vi app de celular (estava ocupado demais tentando me aquecer, com 3 calças e incontáveis blusas dentro do meu saco de dormir. Cinco da matina a situação se tornou insustentável. Saí da tenda e fui andar pelo Camping para tentar me aquecer. Café, banho, mais café e um donut fizeram o tempo passar e um tímido sol sair. Solução: colocar um tapete na grama e deitar no sol.




Foto:  ICS Marketing / WWN

The O’Reillys and the Paddyhats

Se você espera algum tipo de criatividade vindo dos Paddyhats, passe longe. Essa banda alemã tem um som exatamente como se espera de uma banda fazendo rock irlandês. Sem tirar nem por. Se o que você espera é exatamente rock irlandês, você achou o que estava esperando – com um pouco de sotaque alemão, mas nada nível Klaus Meine (Scorpions). Se não há criatividade no show, o que os Paddyhats fazem, eles fazem muito bem. O show é extremamente competente e quem rouba a cena é o vocalista de apoio Ian McFlannigan. Ele não toca nada e nunca faz a primeira voz, apesar de a banda alternar Sean O’Reilly, Dwight O’Reilly e a violinista Mia Callaghan nos vocais principais. Porém o cara é uma figura, com o cabelo punk pintado de verde, indo para lá e para cá e agitando o público, adicionando algo para a banda que não existe nos discos.



Cemican

A banda mexicana Cemican é extremamente difícil de classificar em termos de estilo: o site Metal-Archives os classifica como “prog/power com elementos de folk”, algo que eu não poderia discordar mais. Há muito mais metal extremo do que qualquer relação com prog/power ali. E chamar de folk é discutível. A palavra inglesa folk vem do proto-germânico fulką e que também gerou a palavra alemã “Volk”, cuja pronúncia é a mesma e ambas tem o sentido de algo que veio ou é do povo, popular, da cultura e tradição de um povo (hey, Volkswagen se pronuncia “Folksvaguen” e significa “carro do povo”). Então, numa interpretação literal, a banda usar elementos astecas e cantar várias de suas músicas em Náhuatl, língua asteca, os classifica como folk metal – do mesmo jeito que uma banda que misturasse música caipira com metal seria o folk metal brasileiro (onde estão vocês? Quero um solo de viola caipira no metal!). 
Porém, convencionou-se chamar de folk metal o metal misturado com a cultura de países europeus, principalmente nórdicos e proto-germânicos. Isso faz com que o peculiar som do Cemican soe alienígena num festival de folk medieval. A escolha por vocal gutural aumenta ainda mais a distância para o público, que acaba olhando o Cemican mais como uma curiosidade do que algo que pertence ao lugar. A hora que a curiosidade passa, as pessoas começam a deixar o Theatre of Grace e ir se divertir com os pirates de Oddwood nas Mystic Woods. Piora o fato de que os mexicanos não falam nem inglês direito e que o som dos instrumentos astecas estava extremamente abafado.


Foto: Jair Cursiol Filho

Feuerschwanz

Voltei ao Ice Palace uma última vez para ver a penúltima banda do dia, cujo nome pode se traduzir como “rabo de fogo” ou “pinto de fogo”. Sou fã da banda desde pelo menos 2008 e este foi o segundo show que consegui ver. Vestidos como guerreiros medievais, eles cantam sobre sexo, hidromel e rock’n’roll, sem muita profundidade. Pense em Velhas Virgens ou Matanza na idade média. O diferencial da banda acaba ficando no fato de que existem dois vocalistas, com tipos de vozes diferentes e que dividem igualmente a atenção do público nos shows. Os destaques do show acabam ficando com “Ketzerei”, “Krieger des Mets” e “Die Hörner Hoch”.


Foto:  ICS Marketing / WWN

Quem eu queria ver e não consegui:

Acabei não conseguindo ver o Faun, banda folk que está comemorando 15 anos de carreira e que é uma das maiores do estilo, por questões de horário da viagem de volta: o show da banda estava marcado para terminar 20 horas do domingo, o que tornava impraticável a minha volta para casa. Também não consegui ver o Serenity, banda que já cobri para o Big Rock na Holanda no ano passado. Estava muito curioso com isso, pois fariam um show acústico no sábado, mais ou menos no mesmo horário do Eluveitie, e que estava marcado para o palco Wacken Church. Se você entende inglês, sabe que church é igreja. E havia o palquinho Old Village Chapel, ou capela da vila. Na minha mente, eram ambos o mesmo palco. Então o que aconteceu foi que, às 19 horas do sábado, não havia nada no palco da capela e apenas depois de 15 minutos fui entender que o Wacken Church era literalmente a única igreja da cidade. Como levaria de 15 a 20 minutos a pé para chegar na igreja, isso significava que ia acabar pegando apenas os 25 minutos finais do show do Serenity e ainda não teria tempo hábil para voltar ao festival para ver o Eluveitie. Considerando que o Eluveitie foi o pior show no Ice Palace, deveria ter ido ver 25 minutos de Serenity…


Foto: Jair Cursiol Filho


Atrações menores fazem o festival:

Parte da graça das feiras medievais alemãs está em você se sentir na idade média, com pessoas vestidas em roupas de época e grupos musicais e circenses se apresentando no meio do povo. Quanto a se sentir na idade média, o Wacken Winter Nights ainda tem muito o que melhorar visto que a ambientação não é a mais imersiva. Não chega nem perto do Phantasticher Mittelalterlicher  Lichter Weihnachtsmarkt (“Fantástico Mercado de Natal Medieval das Luzes” ) em Dortmund, mas em termos de atrações musicais e circenses, o Wacken Winter Nights está muito bem.
Além dos já citados Dragol e The Dread Crew of Oddwood, que eu espero que cresçam para palcos maiores no futuro, vi pequenos shows do Duo Hyttis, um casal onde ele toca gaita de foles e ela bumbo, fazendo músicas tradicionais de vários países, Maccabe & Kanaka, Comes Vagantes, Pill und Pankratz, três grupos que além da música usam muito bom home, além de shows de duelos de espadas e dança com fogos.

O festival já teve a sua quarta edição anunciada para 14-16 de fevereiro. Se você está pensando em vir, uma dica: venha preparado para muito frio!!!  



Por: Jair Cursiol Filho

Agradecimento pelo credenciamento: Gunnar Sauermann - ICS Marketing GmbH

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