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| Foto: Paulo Rafael Rodrigues |
Weather Systems - Carioca Club - São Paulo/SP - 8 de fevereiro de 2026
Por Paulo Rafael Rodrigues
Fotos: Paulo Rafael Rodrigues (@paulorafaelphoto)
A primeira apresentação da Weather Systems no Brasil, realizada no Carioca Club, em São Paulo, foi tudo menos protocolar. A noite carregava o peso simbólico de uma estreia aguardada e a delicadeza de um encontro emocionalmente denso entre banda e público — muitos deles profundamente ligados ao legado artístico de Daniel Cavanagh, fundador e principal compositor do Anathema.
Ainda na fila para entrar no Carioca, o clima era de expectativa reverente. Eram comuns diálogos como: “Será que vão tocar as músicas mais antigas do Anathema?” ou “Como será que vão soar as músicas do álbum Ocean Without a Shore ao vivo?”. Havia fãs vindos de diversos estados do país, muitos deles viajando especialmente para acompanhar a estreia da banda no Brasil. Fato é que o Anathema construiu, ao longo dos anos, uma base de fãs extremamente fiel, que aguardava ansiosamente para se conectar com esse novo momento na carreira de Daniel Cavanagh, especialmente considerando o atual hiato da banda.
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Com um pequeno ajuste no horário, as portas do Carioca abriram às 18h15 e, pontualmente às 19h35, a música All Eyes on Me, do músico Bo Burnham, começou a tocar. Era o sinal: o show estava prestes a começar. Lentamente, com o celular em mãos registrando o momento, Daniel Cavanagh entrou no palco, seguido pelos demais companheiros: o baixista André Marinho, o baterista Daniel Cardoso — produtor e diretor musical desde os tempos do Anathema — e a talentosa e carismática Soraia Silva nos vocais.
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Seguindo o padrão do setlist apresentado ao longo da turnê sul-americana, o show em São Paulo foi construído como uma narrativa cuidadosamente encadeada. Nada soou aleatório. Cada música parecia ocupar um lugar preciso dentro do arco emocional da apresentação.
A abertura com Deep (Anathema) e Still Lake estabeleceu o tom introspectivo da noite, aprofundado por Synaesthesia e Do Angels Sing Like Rain?, que resgataram a melancolia luminosa tão característica da trajetória de Cavanagh.
Na sequência vieram Springfield e, logo depois, uma das grandes surpresas do setlist: One Last Goodbye. A canção do Anathema, que não havia sido tocada em nenhuma apresentação da turnê sul-americana até então, foi dedicada por Daniel à sua mãe, provocando uma reação imediata e comovida do público.
O show seguiu com A Simple Mistake (Anathema), Closer (Anathema), Ocean Without a Shore e Flying (Anathema). Aqui, vale destacar que Flying certamente figurava entre as músicas mais aguardadas da noite, recebida com entusiasmo e emoção pela plateia.
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Logo em seguida, veio uma tríade que representa talvez o auge da fase mais recente do Anathema: Untouchable – Part 1 e Part 2. Nesse momento, o Carioca Club soou em uníssono. Todos cantaram e foram surpreendidos quando Soraia desceu do palco e caminhou até o meio do público para interpretar a primeira parte da música, que antecede o tom mais dramático e melancólico da segunda.
Esse bloco foi encerrado com Untouchable – Part 3, faixa presente no álbum do Weather Systems. Daniel dividiu os vocais com Soraia e, ao final, lágrimas, olhos fechados e abraços deixaram claro que a emoção havia tomado conta do Carioca Club.
Visivelmente emocionada, Soraia fez um relato que afirmou nunca ter compartilhado antes. Em português, disse: “Assim como vocês, eu também sou fã de Anathema. Quando eu era iniciante, eu me reunia com meus amigos no carro para ouvir Untouchable 1 e 2, e agora estou aqui cantando para vocês.” O momento foi seguido por aplausos calorosos, com seu nome sendo entoado por alguns minutos.
Ali, uma verdade simples, porém poderosa, tornou-se evidente: as músicas, uma vez lançadas ao mundo, não pertencem mais inteiramente a quem as escreveu, mas a quem as vive.
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Wherever I May Roam, do Metallica, surgiu como uma referência inesperada. Em entrevista recente ao canal colombiano Colonia Records, Daniel revelou que, no último mês, praticou guitarra por cerca de três horas todos os dias tocando músicas do Metallica, além de afirmar que James Hetfield é o melhor guitarrista base do metal que já vimos. Destaque para a condução vocal do baixista André Marinho.
Antes do encerramento com Fragile Dreams — um hino absoluto que deixou o Carioca Club imerso em uma mistura de gratidão, emoção e nostalgia — a banda apresentou A Natural Disaster. Daniel pediu ao público que ligasse a lanterna dos celulares, criando um cenário visual marcante. Nesse momento, a abordagem vocal de Soraia estabeleceu uma identificação profunda e imediata com o público.
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| Foto: Paulo Rafael Rodrigues |
Ao final da noite, ficou claro que a estreia da Weather Systems no Brasil não foi apenas a apresentação de um novo projeto, mas a afirmação de um caminho possível entre memória e movimento. Sem negar o passado, Daniel Cavanagh e seus companheiros mostraram que essas canções ainda respiram, se transformam e encontram novos significados ao vivo. No Carioca Club, o público não assistiu apenas a um show — participou de um capítulo vivo de uma história que segue sendo escrita, agora sob um novo nome, mas com a mesma honestidade emocional que sempre definiu essa música.
Setlist – Weather Systems | Carioca Club (São Paulo)
1. Deep (Anathema)
2. Still Lake
3. Synaesthesia
4. Do Angels Sing Like Rain?
5. Springfield (Anathema)
6. One Last Goodbye (Anathema)
7. A Simple Mistake (Anathema)
8. Closer (Anathema)
9. Ocean Without a Shore
10. Flying (Anathema)
11. Untouchable – Part 1 (Anathema)
12. Untouchable – Part 2 (Anathema)
13. Untouchable – Part 3
14. Wherever I May Roam
15. A Natural Disaster (Anathema)
16. Fragile Dreams (Anathema)
Apartes
- Daniel comentou que a banda pode retornar ao Brasil em 2027.
- Na mesma entrevista, revelou ter escrito 22 músicas em apenas três meses; nove delas devem compor o próximo álbum, já batizado de "Carnival of the Broken Hearted".
- Daniel também contou que disse ao irmão Vincent Cavanagh, vocalista e fundador do Anathema, que não gostaria de continuar a banda sem ele. Ao perguntar se Weather Systems seria um bom nome para o novo projeto, recebeu um “sim” imediato.
Agradecimentos: Caveira Velha Produções, Talent Nation Latinamerica e Acesso Music pelo credenciamento e atenção













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