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27 de abril de 2026

De Papo Com...Bill Hudson (As I Lay Dying)

Foto: Tom Flynn


Bill Hudson comenta entrada no As I Lay Dying, novo álbum e a expectativa para os shows no Brasil


Por: Mayara Abreu 

Agradecimento: JZ Press / Dark Dimensions 


Prestes a desembarcar na América do Sul para a turnê especial de 20 anos de Shadows Are Security, o guitarrista brasileiro Bill Hudson vive um dos momentos mais simbólicos de sua carreira. Integrante atual do As I Lay Dying, ele conversa com o Big Rock N’ Roll diretamente da Rússia, onde a banda cumpre uma extensa agenda de shows antes de seguir para o Brasil. 

Conhecido por sua versatilidade, Bill é daqueles músicos que nunca param. “Eu sou guitarrista e toco com um milhão de bandas, depende de quando você me perguntar”, brinca. Além do As I Lay Dying, ele também trabalha com nomes como Doro e o projeto I Am Morbid, consolidando uma trajetória internacional construída ao longo de mais de duas décadas fora do Brasil. 

O convite para integrar o As I Lay Dying veio de forma inesperada. Bill recebeu uma ligação do vocalista Tommy Vext, que o informou que a banda buscava um novo guitarrista. “Não era algo que eu estava procurando, principalmente por tudo que tinha acontecido na época. Mas quando me ligaram, eu achei legal e aceitei”, conta. Esta já é sua segunda turnê completa com o grupo, após ter iniciado sua jornada com a banda em agosto do ano passado. 

Morando nos Estados Unidos desde os 20 anos — hoje ele tem 43 —, Bill carrega uma identidade dividida entre dois mundos. “Eu aprendi a tocar no Brasil. Fiz faculdade de música aí. Acho que o jeito de tocar brasileiro é diferente, tem uma musicalidade própria”, explica. Ao mesmo tempo, ele reconhece que sua função dentro do As I Lay Dying não é reinventar a roda. “Eu não estou aqui para mudar o som da banda. O estilo deles é muito estabelecido. O que eu faço é colocar minha personalidade dentro da caixa do que o As I Lay Dying já construiu.” 

Foto: Redes Sociais Bill Hudson


Sobre a nova fase do grupo, liderado por Tim Lambesis, o guitarrista acredita que a reformulação completa da formação trouxe um novo nível técnico e criativo. Ele destaca especialmente o baixista e vocalista limpo Chris Clancy, a quem considera “um dos melhores vocalistas do mundo” e um produtor renomado. “Cada um trouxe experiências que a banda nunca teve antes. Isso vai ficar mais evidente no próximo álbum.” 

Os singles “Echoes” e “If I Fall” já dão pistas do que está por vir. Em “If I Fall”, Bill gravou o solo e parte das bases, enquanto em “Echoes” ainda não participou das gravações. A expectativa para o novo disco é grande, mas ele reforça que a essência permanece intacta: riffs intensos, peso e melodias marcantes. 

Se musicalmente o momento é de construção, emocionalmente a turnê comemorativa de Shadows Are Security tem um significado ainda mais profundo. Curiosamente, Bill admite que não gostava do álbum na época de seu lançamento, em 2005. “Esse disco me lembra muito quando eu me mudei para os Estados Unidos. Todo mundo ouvia, mas eu não entendia muito. Achava diferente do que eu gostava.” Com o tempo, ao estudar as músicas para os shows, passou a enxergar a genialidade por trás da simplicidade dos riffs e da composição. “Hoje, cada vez que eu toco essas músicas, eu lembro daquela fase da minha vida. Tem uma carga emocional muito forte.” 

Foto: Divulgação 


A expectativa para os shows no Brasil é altíssima. Bill já passou pelo país com diversos projetos, mas garante que tocar com o As I Lay Dying será diferente. “O público brasileiro é absurdo. Quando você toca fora, entende que não é assim em todo lugar. No Brasil, a galera canta tão alto que passa pelo in-ear. É uma energia que só quem está no palco entende.” Ele também destaca o carinho que tem recebido dos fãs brasileiros desde que entrou na banda. “Eu não tinha ideia do tamanho da banda no Brasil. Recebi mensagens que me deixaram impressionado. Não vejo a hora de sentir isso ao vivo.” 

Para fechar, quando perguntado sobre a música que mudou sua vida, Bill volta à infância. Foi ao ouvir “Waste of Time”, do Skid Row, em um radinho portátil, que tudo começou. “Eu ouvi aquele refrão e pensei: ‘Meu Deus, o que é isso?’. Fiquei esperando o locutor falar o nome da banda. Aquilo mudou minha vida completamente.” 

Hoje, décadas depois, o garoto que ouvia rádio no Brasil retorna ao país como integrante de uma das bandas mais influentes do metalcore mundial. 


Confira a entrevista na íntegra:

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