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| Foto: Roberio Lima |
NDP Fest - Espaço Usine - São Paulo/SP - 15 de março de 2026
Por: Roberio Lima
Fotos: Roberio Lima
Precisamos falar de NDP Fest - festival que chegou a sua segunda edição, e pelo que tudo indica, veio para ficar! O evento idealizado pela New Direction Production, tem o hardcore como mote, e não é exagero afirmar que já se estabelece como a maior referencia em eventos do estilo no país. E antes de falarmos efetivamente sobre os detalhes do rolê, é preciso enaltecer a curadoria realizada para escolha das bandas, e ainda enfatizar o capricho nos detalhes da produção. Os caras trouxeram simplesmente o Speed para ser o headliner do fest! A escalação dos australianos, por si só, já causou um impacto absurdo, mas o que dizer dos demais nomes que completaram o line up? Path Of Resistence (EUA), Clique (EUA), Bayside Kings (BR), Distante (ARG), Eskrota (BR) e Last Warning (BR) – definitivamente não é pouca coisa! Por isso, a afirmação a seguir, pode até não fazer sentido para alguns, mas com esses nomes, a prioridade seria passar por todas as respectivas apresentações com a integridade física intacta - e já me adianto em informar que não foi nada fácil cumprir essa missão. Por isso, raríssimo leitor, preciso registrar que esse texto será pautado pela mais pura emoção, pois de outra forma, não seria capaz de transcrever em palavras o forte sentimento de alegria que me tomou de assalto no histórico dia 15 de março de 2026.
O clima nas imediações do Espaço Usine no início da tarde de um domingo de temperatura agradável, não fazia jus ao que se sucederia dali a algumas horas na parte interna da casa de shows. No local, somente alguns vendedores - que já se posicionavam em frente ao espaço para comercializar o merchandising ‘alternativo’ das atrações – prática corriqueira em qualquer evento dessa natureza.
Não demorou muito, e a liberação do acesso ao interior do Espaço Usine possibilitou a tradicional visita as banquinhas de merchandising das bandas, e também foi uma ótima oportunidade para rever amigos e tomar algumas cervejas bem geladas. Com essa sessão ritualística devidamente concluída, já podemos falar das bandas, afinal, foram elas as responsáveis por elevar os ânimos do público ao limite do inconcebível.
Os mineiros do Last Warning abriram os trabalhos já sob fortes expectativas do público, e com uma trajetória devidamente estabelecida na cena de BH (a banda existe desde de 2013), despejaram referências do hardcore, do Thrash e do Death Metal – em um set list que agradou a audiência que se posicionava em frente ao palco. O destaque se deu com cover de “Slave New World” do Sepultura. A aparição foi curta, mas já deixou indícios de como seria o clima dali em diante.
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Rapidamente a produção se mobilizou para que a segunda atração do dia subisse ao palco. A Eskröta - power trio com base na cidade de São Carlos - interior do estado, deu o ar da graça com seu Thrash Metal/Crossover, praticado de forma visceral, e foi muito bem recebido pelo publico. O trio possui um discurso afiado, e Yasmin (vocal/guitarra), vociferava a todo o momento as indignações contidas nas letras da banda. Assim como no álbum “Atenciosamente, Eskröta” (2023), Milton Aguiar (Bayside Kings), se juntou ao trio para tocar “Pertencer e Conquistar”. Nessa altura dos acontecimentos, o Mosh Pit já tomava forma, diante da sonoridade intensa que a já mencionada Yasmin, Thamirys Leopoldo (baixo/vocal) e Jhon França (bateria) extirpavam de seus respectivos instrumentos. O set foi curto, mas a apresentação foi irretocável.
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A primeira banda internacional a se apresentar foi o Distante, formação clássica do Straight Edge argentino. Pauli Ramirez, assim como as minas da Eskröta, enalteceu com sua presença todas as mulheres que apreciam o hardcore, e foi muito bem sucedida nessa empreitada! Com movimentações frenéticas e sonoridade rápida, deu o recado através de suas letras com criticas contra o uso de drogas e álcool – inevitavelmente, esse fato culminou em uma versão do hino “Straight Edge Revenge “ do Project X. Com essa aparição no palco do NDP Fest, os argentinos acenderam a fagulha que faltava para ânimos alcançarem um outro patamar.
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O Bayside Kings vem construindo uma história brilhante no cenário hardcore nacional. O número de seguidores da banda vem aumentando gradativamente nos últimos tempos, e não por acaso, já figuram como uma das atrações mais requisitadas no circuito underground. Por isso, sua apresentação foi uma das mais concorridas do dia. O repertório totalmente em português foi uma escolha positiva por parte dos músicos, pois enquanto os mais exaltados alternavam ‘voadoras’ e a “Stage dives” a banda mandava ver com pérolas dos EP’s “Tempo” (2022) e “(R) evolução” (2024). Os caras foram ovacionados, e sem dividas, podemos ‘cravar’ que foram um dos grandes destaques do evento.
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Não conhecia o Clique até então, mas bastou uma introdução rápida de “Gostava Tanto de Você” (Tim Maia), para tudo virar de ponta cabeça. “Communique” foi o cartão de visitas de uma apresentação curta, intensa e brutal – prova disso, foi o crowdkilling (dança que consiste no giro dos braços, socos no ar, chutes e giratórias), que o público praticava de forma descontrolada, mas que tem total sentido em apresentações dessa natureza. Os discursos politizados entre uma canção e outra, elevavam ainda mais o clima de indignação e ódio contra o sistema vigente. “Seditionist” do EP “Death Is Not Our Only Option” (2025), encerrou uma apresentação literalmente perfeita e arrebatadora. Meus joelhos já não correspondiam mais aos meus comandos...
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O Path Of Resistence foi a penúltima atração a subir ao palco, e nada do que vi até hoje - em termos de shows ao vivo, se equipara ao nível de violência e caos que os estadunidenses conduziram naquela noite. Um número sem fim de “Stage Dives” e “Mosh Pits”, que transformou o local em um campo de guerra. A banda conta em sua formação com integrantes do Earth Crisis - que foi o headliner da primeira edição do festival. Os vocais alternados entre os três vocalistas, funcionavam com efeito de foice, dilacerando tudo no seu entorno. “Fallen Prey”, “Broken Heroes”, “Loyal”, foram só algumas das ‘pedradas’ do set. Em certos momento, cheguei a me questionar se aquilo era realmente possível, e se as pessoas naquele recinto haviam perdido a racionalidade, visto que muitos se jogavam do palco como se fosse o último ato da vida. Aliás, foi nos primeiros acordes do hino “Firestorm” do já mencionado Earth Crisis, que o “leite quase azedou”. Um fã, ao se jogar do palco, se feriu com certa gravidade, e teve que ser removido do local de ambulância. Quase trinta minutos se passaram, até que a situação fosse normalizada e os músicos, pudessem finalizar a execução de “Firestorm”. Redundâncias a parte, mas só posso dizer que esse show foi brutal e histórico!
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| Foto: Roberio Lima |
Diante de todos os acontecimentos descritos até aqui, poderíamos pensar que não haveria mais nada a dizer, mas ainda tivemos o Speed! Os australianos são a sensação do hardcore atualmente, e fazem por merecer! Inicialmente uma certa apreensão pairou no ar, devido ao acidente no show do Path Of Resistence, mas bastou as primeiras notas de “REAL LIFE LOVE”, emanadas da flauta transversal, tocada pelo carismático ‘Frontman’ Jem Show, para que o pandemônio fosse restabelecido no Espaço Usine. É possível afirmar, que o público naquela altura dos acontecimentos, entregou as últimas forças em prol do ritual conduzido pelo Speed. “DON’T NEED” deu sequência a escalada de violência sonora que foi se intensificando ainda mais com as ‘pedradas’ “KILL CAP” e “SHUT IT DOWN”. Não se tratou apenas de uma apresentação musical, foi um ato político, em todas as suas nuances. Enquanto agradecia a receptividade do público brasileiro, Jem (vocal), também reiterou o posicionamento da banda contra práticas, machistas, racistas e homofóbicas – sinceramente é tudo que se espera de pessoas minimante sensatas. O final do set teve um clima mais descontraído, em que os músicos mudaram suas posições palco, e trocaram de instrumentos para “encerrar a fatura” com “THE FIRST TEST”.
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Depois do fim, não podemos deixar de exaltar os envolvidos na realização do NDP Fest, pois é um evento realizado com a “cara e a coragem”, e sem o apoio que outros festivais famosos possuem. Só por isso, a menção se faz mais que necessária, e agora só nos resta torcer para que a terceira edição desse evento seja ainda mais devastadora, oremos !!!
Agradecimento a Tedesco Comunicação e Midia pelo credenciamento e atenção.















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