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28 de maio de 2026

Robert Plant transforma noite do C6 Fest em aula de presença e música


Foto: Paula Cavalcante 


C6 Fest - Parque do Ibirapuera - São Paulo/SP - 24 de maio de 2026


Por: Mayara Abreu (@mayabreuq)

Fotos: Paula Cavalcante (@eyeofodin.photo)


Nem todo grande show funciona na base do impacto imediato, a apresentação de Robert Plant no C6 Fest 2026 passou longe disso e talvez tenha sido justamente esse o motivo de ela ter se tornado uma das experiências mais especiais do festival.

Ao lado do Saving Grace e de Suzi Dian, o ex-vocalista do Led Zeppelin subiu ao palco do Ibirapuera para um show completamente diferente da ideia clássica de “lenda do rock tocando hits”. O que aconteceu ali foi mais íntimo, detalhista e, em muitos momentos, quase contemplativo.

Enquanto parte do público tentava mergulhar na atmosfera folk e acústica construída pela banda, conversas paralelas atravessavam alguns momentos do show, com um contraste inevitável para uma apresentação baseada justamente em nuances, silêncio e construção lenta.

Aos 77 anos, o cantor já não tenta reproduzir no palco os excessos vocais da época de ouro do Led Zeppelin. O caminho agora é outro: menos explosão, mais controle. E funciona impressionantemente bem. A voz segue firme, adaptada ao tempo de forma inteligente, sem soar presa à nostalgia.

Foto: Paula Cavalcante 


“Ramble On” foi um dos primeiros momentos de reação imediata da plateia. Sem tentar copiar o peso original da versão clássica, a música apareceu reinventada dentro da proposta mais folk do show. O mesmo aconteceu com “Friends” e “Four Sticks”, que ganharam novos contornos ao vivo.

O Saving Grace também teve papel fundamental na construção da noite. Suzi Dian roubava a atenção em diversos momentos, enquanto os arranjos conduzidos por banjo, mandola, violoncelo e acordeon criavam uma sonoridade distante do rock tradicional, mas completamente coerente com a fase atual de Plant.

Entre versões de Neil Young e Low, além de músicas do disco “Saving Grace”, o show caminhava quase como uma viagem por referências folk, blues e música de raiz.

Foto: Paula 


Quando “Rock and Roll” surgiu no bis, o clima contemplativo deu lugar a uma explosão coletiva instantânea. Pela primeira vez na noite, parecia que todo o festival estava exatamente na mesma frequência. O coro veio alto, os celulares apareceram no ar e até quem passou boa parte do show disperso finalmente se entregou ao momento.

No fim, ficou aquela sensação rara de assistir um artista que já não precisa provar absolutamente nada e justamente por isso consegue subir ao palco com total liberdade para fazer o show que realmente quer fazer.


Agradecimento à Canivello Comunicação e C6 Fest pelo credenciamento e atenção.

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