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| Foto: Divulgação |
Khemmis celebra a essência do heavy metal em novo álbum autointitulado
Por: Mayara Abreu
Agradecimento: Nuclear Blast / Marcos Franke
Às vésperas do lançamento de seu quinto álbum de estúdio, o Khemmis mostra que continua expandindo os limites do heavy metal sem abrir mão da própria essência. Com lançamento marcado para 12 de junho via "nuclearblast.com", o disco autointitulado Khemmis representa, segundo o guitarrista e vocalista Ben Hutcherson, a versão mais completa e definitiva da banda até agora.
Em entrevista à Big Rock N' Roll, Ben explicou que a decisão de batizar o álbum com o nome da própria banda surgiu após muitas tentativas frustradas de encontrar um título que traduzisse a grandiosidade do trabalho. “Quando você faz um álbum autointitulado, está dizendo: ‘essa é a experiência definitiva da banda’”, afirmou. Para ele, o novo registro encapsula tudo o que o Khemmis construiu ao longo de mais de uma década, funcionando até como um ponto de partida ideal para novos ouvintes.
Se Deceiver (2021) nasceu de dor e escuridão, o novo álbum carrega uma energia diferente. Ben foi sincero ao relembrar o peso emocional do disco anterior, criado em meio aos impactos da pandemia e de desafios pessoais enfrentados pelos integrantes. “Foi um álbum terapêutico”, contou. “Quando você ouve aquele disco, está ouvindo três caras decidindo continuar vivendo e continuar criando arte juntos.”
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Agora, embora a sonoridade continue densa, melancólica e pesada, o motor criativo mudou. Em vez de sofrimento, o Khemmis encontrou força na própria paixão pelo heavy metal. Para Ben, alegria não significa leveza ou positividade artificial e ele faz questão de deixar isso claro. O novo álbum continua sombrio, mas abraça o prazer de tocar música pesada com intensidade e convicção. “As coisas ainda são escuras, ainda são difíceis, mas nós ainda temos o heavy metal — e temos a comunidade ao redor dele. Isso significa muito.”
Essa mudança também se reflete na composição. Banda guiada por riffs e harmonias de guitarra, o Khemmis constrói suas músicas a partir de sensações e atmosferas antes mesmo de pensar em letras. Neste disco, a intenção desde o início era clara: criar canções mais dinâmicas, com energia de palco e impacto imediato. O resultado é um trabalho que mantém o peso característico do doom, mas incorpora mais movimento, mais velocidade e um senso de grandiosidade que remete ao heavy metal clássico.
Ben cita influências que vão de Mercyful Fate e Iron Maiden até nomes extremos como At the Gates e Morbid Angel. Mais do que riffs marcantes, ele destaca algo que considera essencial nas bandas lendárias: a habilidade de escrever músicas memoráveis. “Riffs importam, mas só importam de verdade se a música for boa e ficar na sua cabeça.”
A chegada do baixista David Small em 2022 também trouxe uma nova dimensão ao som da banda. Com background em jazz, música experimental e ambient, Small ampliou as possibilidades de arranjo e ajudou a preencher espaços que, segundo Ben, o grupo nem percebia que existiam. Essa nova dinâmica permitiu ao Khemmis explorar mais camadas sem perder peso ou identidade.
Mesmo frequentemente associado ao doom metal, Ben enxerga o gênero de forma menos limitada. Para ele, o doom vai muito além de afinações baixas e andamentos lentos. Está mais ligado à sensação que a música provoca aquela combinação de vulnerabilidade emocional, catarse e contemplação que bandas como YOB, Paradise Lost e Electric Wizard conseguem transmitir. É justamente essa essência que o Khemmis continua carregando, mesmo quando acelera o andamento e flerta com estruturas mais tradicionais do heavy metal.
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Com o álbum prestes a chegar, a banda já se prepara para a turnê Forsake The Light. Entre as novas faixas, Ben destaca “Carrion King” como uma das que mais está ansioso para tocar ao vivo. Nas palavras dele, trata-se da música mais pesada que o Khemmis já compôs.
Antes de encerrar, perguntamos o que ele espera que o público sinta ao ouvir Khemmis. A resposta resumiu perfeitamente o espírito do álbum: “Espero que as pessoas sintam um pouco de alegria e um pouco de luz. Quero que esse disco lembre as pessoas do motivo pelo qual elas se apaixonaram pelo heavy metal.”
Depois de 11 anos de carreira, o Khemmis parece ter encontrado um raro equilíbrio entre peso, emoção e autenticidade. E se este álbum realmente representa sua forma mais pura, o quarteto de Denver chega a 2026 mais forte do que nunca.
Confira a entrevista na íntegra:
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