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| Foto: Daniel Bianchi |
NAZARETH - MANIFESTO ROCK BAR - São Paulo/SP - 21/07/2026
Por: Daniel Bianchi e Ramires Almeida (AM Produtora)
A apresentação da banda escocesa Nazareth na capital paulista reafirmou a solidez de uma trajetória que atravessa mais de cinco décadas de dedicação ao rock.
Realizado no palco do Manifesto Rock Bar, na Vila Olímpia, o show integrou a etapa brasileira da Latin America Hits Tour 2026 — também designada em território nacional como Brazil Hits Tour 2026 —, sob organização da produtora Top Link Music. Essa já é a 13ª visita do Nazareth ao país desde a primeira turnê em 1990, mantendo o Brasil como um dos mercados globais mais expressivos na história de circulação do quarteto.
A responsabilidade de abrir a noite coube ao grupo porto-alegrense Phornax. Focando integralmente na divulgação de seu álbum de estreia “Hellforge”, lançado apenas quatro dias antes da data do show, a banda gaúcha apresentou um repertório calcado no heavy metal clássico tradicional.
A execução de faixas como "Seeds of Strife", marcada pelo uso de bumbos duplos, e os solos de guitarra em "A Matter of Time" garantiram uma recepção calorosa da plateia paulistana. Sem firulas cênicas e muita técnica, o quinteto cumpriu o papel de preparar o recinto para a atração principal.
Por volta das 22h o Nazareth sobe ao palco trazendo de volta a aura do hard rock britânico dos anos 1970. A gravação introdutória da faixa instrumental "Caoineadh Cu Chulainn (Lament)", composta por Bill Whelan, preparou o público para a entrada enérgica da banda com "Telegram", composição de abertura do álbum Close Enough for Rock 'n' Roll (1976). Emendando diretamente a densa "Miss Misery", o grupo estabeleceu desde cedo o protagonismo do aclamado disco Hair of the Dog (1975) na estrutura do show. A resposta do público presente se intensificou durante a execução em sequência de "Razamanaz" e "Shanghai’d in Shanghai", faixas marcadas por refrãos cantados em uníssono.
O set ainda abriu espaço para nuances melódicas durante "Love Leads to Madness", canção em que o uso discreto de cowbell e a postura relaxada de Pontillo, bebendo vinho em cena, conferiram uma atmosfera elegante à interpretação. O alcance do novo vocalista atingiu seu ponto mais exigente em "Dream On", cuja sustentação vocal em notas agudas preservou o peso emocional da balada lançada originalmente em 1982. Após a descontração de "Holiday" e o peso da clássica releitura de "This Flight Tonight", de Joni Mitchell, uma breve pausa técnica para ajustes no equipamento de Pete Agnew foi habilmente contornada com brincadeiras no palco antes da introdução cadenciada de "When the Lights Come Down".
O trecho final concentrou uma sequência de composições do álbum Hair of the Dog: o blues-rock de "Whiskey Drinkin’ Woman", a versão crua de "Beggars Day" (original do Crazy Horse) com um belíssimo solo de Jimmy Murrison, e uma versão de quase dez minutos de "Changin' Times". O ápice do show veio na dobradinha formada pelo hino "Hair of the Dog" e pela consagrada balada "Love Hurts", de autoria de The Everly Brothers, e que foi eternizada pelo Nazareth em uma das canções mais emblemáticas do rock global, cantada apaixonadamente por todo o recinto.
O encerramento contou com a acelerada "Turn On Your Receiver", seguido do bis composto pela balada oitentista "Where Are You Now" e "Go Down Fighting".
Um dos destaques do show foi a performance do vocalista italiano Gianni Pontillo, anunciado oficialmente como integrante em 2025 para substituir Carl Sentance. Pontillo demonstrou domínio expressivo ao conduzir as exigências tonais do catálogo clássico da banda, apresentando um timbre rouco e rasgado que remete bastante ao saudoso Dan McCafferty.
Ao final da apresentação o Nazareth mostrou extrema capacidade em manter sua autenticidade no palco sem depender apenas da nostalgia.
Agradecimento à LP Metal Press e Manifesto Bar pelo credenciamento e atenção.

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