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31 de agosto de 2026

Shawn James se reafirma como um dos maiores nomes do folk atual com um show potente e especial no Cine Joia

Foto: João Zitti 


Shawn James – Cine Joia - São Paulo/SP - 7 de agosto de 2026


Por João Zitti (@joaozitti.work)

Fotos: João Zitti (@joaozitti.work)


A reta final do ano se aproxima, mas o cenário de música ao vivo não para de crescer: no início de agosto, o país contou com a passagem do artista Shawn James por três capitais brasileiras, sendo elas Porto Alegre, São Paulo e Curitiba. A vinda ocorreu em meio a sua mais recente turnê, a “Flew Too Close To The Sun Tour 2026”, que também marcou presença em outros países da América Latina. Realizada pela Move Concerts, a apresentação de São Paulo reforçou a proximidade e história que Shawn James possui com o público brasileiro - revelando também a sua grande importância nos próximos passos da carreira do músico.

Para quem não conhece, Shawn James é um músico norte-americano que transita entre os gêneros musicais de folk, blues e country. Tendo lançado seu primeiro disco, “Shadows”, em 2012, alcançou a popularidade alguns anos depois por conta de uma mídia um tanto quanto inusitada: os jogos. Isso porque uma das canções desse álbum, “Through the Valley”, esteve presente no trailer de anúncio de The Last Of Us Part II em 2016, em uma versão interpretada pela personagem Ellie, o que fez com que a faixa se tornasse a queridinha automática dos fãs da franquia e, consequentemente, seu maior sucesso. A parceria com o jogo perdurou, com o próprio Shawn lançando uma faixa original para o game em seu lançamento, a “The Guardian (Ellie’s Song)”. A carreira do músico, porém, não se define a isso, tendo lançado quase 10 álbuns ao vivo e de estúdio ao longo desses 14 anos, com o mais recente deles sendo o excelente “Passage”, que saiu em junho deste ano. 

Foto: João Zitti 


A apresentação, que ocorreu no Cine Joia (casa de shows localizada na região da Liberdade, em São Paulo), teve uma surpresa para os fãs: a presença de uma equipe completa de filmagens no local, contando tanto com câmeras profissionais quanto com uma grua para a realização de gravações da performance. O cantor havia comentado sobre isso poucas horas antes do show no Instagram, mas não havia entrado em maiores detalhes sobre o propósito desses registros - informação essa que seria compartilhada mais para o final da noite. Vale ressaltar a excelente iluminação que o show teve por conta desses registros, o que agregou ainda mais à performance. 

Pouco após as 21h e com o local já praticamente cheio, Shawn e sua banda de apoio subiram ao palco para iniciar a apresentação. O primeiro bloco do show contou com uma maior presença de canções dos discos “Passage” e “The Dark & The Light”, sendo encabeçado por faixas como “The Curse of the Fold”, “Burn The Witch” e “Icarus”. O personagem do homem que voou perto demais do sol, inclusive, foi a principal peça da arte de divulgação da turnê do músico pela América Latina, estampando também a grande maioria dos merchandisings da apresentação. A escolha foi muito bem acertada, visto que o impacto visual da figura quase angelical de Ícaro é enorme, e sua canção é uma das melhores desse último trabalho de estúdio do artista. O primeiro bloco, então, foi encerrado com um “flashback” para o primeiro disco de Shawn, o “Shadows”, sendo executadas as canções “Flow” e “The Thief and the Moon”. Essa segunda foi muito eficiente em preparar o terreno para o bloco que viria a seguir, sendo esse majoritariamente acústico. 

Foto: João Zitti 

Foto: João Zitti 


Nesse trecho seguinte da apresentação, a grande maioria da banda de apoio se retirou para que James assumisse os holofotes, sendo acompanhado eventualmente pelo violinista Sage Cornelius. Ainda que o local contasse com toda essa estrutura mais “chique” e megalomaníaca das gravações, o clima do show foi completamente na contramão, trazendo uma atmosfera muito mais intimista, de proximidade e comemoração, quase como se fosse uma apresentação em um bar cheio de conhecidos, e esse momento deixou isso bem nítido. Ao abrir esse trecho acústico, o cantor comentou sobre uma promessa de dedinho que ele fez com um de seus fãs quando retornasse ao Brasil, que fez questão de relembrá-lo e, inclusive, recebê-lo quando chegou ao local. Shawn, é claro, cumpriu a promessa, dedicando a raridade “When I’m Gone” ao fã - mostrando, também, que seria uma noite com várias surpresas. 

O bloco foi marcado tanto pelas faixas mais lado-B (como nas canções “Son of the Wolf” e “American Hearts”, um dos poucos covers do show) quanto pelos diversos momentos de interação com o público, contando um pouquinho mais sobre cada uma das canções antes de tocá-las. E foi nessa hora que ocorreu um dos momentos mais esperados da performance: a apresentação de “The Guardian (Ellie’s Song)” e “Through the Valley”. O cantor contou que essa segunda canção havia sido uma das primeiras que ele havia composto, mas que infelizmente não conseguia tocá-la tanto no início de sua carreira, pois na maioria das vezes estava se apresentando em bares, o que exigia que ele tivesse que incluir mais covers em seu repertório. Anos depois, a Naughty Dog entrou em contato com ele solicitando o uso da canção para um projeto misterioso, e o resto é história. Ele comentou sobre a repercussão que isso trouxe em sua vida, destacando inclusive as inúmeras tatuagens que os fãs fizeram em homenagem à protagonista Ellie, e dedicou ambas as canções para todos que, em algum momento de suas vidas, não haviam se sentido importantes.  

Foto: João Zitti 

Foto: João Zitti 


Em “The Guardian (Ellie’s Song)”, Shawn James trouxe o que foi um dos momentos mais delicados e emocionais da noite (ao lado de “When I’m Gone” e “Muerte mi amor”, que falaremos mais para frente no texto), transportando o público direto para a diegese pós-apocalíptica e vingativa do jogo e deixando alguns dos fãs presentes com os olhos bem marejados durante toda sua execução. Já em “Through the Valley”, a potência da passagem bíblica musicada e dos vocais de Shawn dominaram o ambiente, sendo ainda mais amplificados pelo gigantesco coro do público ao longo de toda a canção. Em seu encerramento estendido, o músico mostrou que domina não só a arte do som, mas também do silêncio, sabendo os momentos ideias de deixarem as notas ressoarem e falarem por si só. Ao final da última nota, o local foi dominado por aplausos e gritos eufóricos dos fãs, encerrando enfim o set acústico. 

Poucos segundos depois, o Cine Joia foi dominado por uma explosão sonora e energética protagonizada por “Headed for the End”, mais um dos principais sucessos de “Passage”. Nessa reta final, a apresentação contou com um breve momento mais romântico - encabeçado por “My Juliet” (canção essa que Shawn disse ser a única do tipo que ele já compôs em sua carreira, tendo como inspiração sua esposa), mas foi bem mais marcada pela presença do rock e do blues, como foram as canções “Peace of Mind” (que contou com a introdução completa da banda e com os agradecimentos estendidos de Shawn aos apoiadores e organizadores da turnê), “No Blood From a Stone” e “The Devil’s Daughters”, uma canção intensa, rebelde e agressiva que contou, inclusive, com o violinista pulando na galera, proporcionando um dos momentos mais icônicos da noite e, então, encerrando o set principal. 

Pouco após os músicos saírem do palco, Shawn retornou para dar início às últimas faixas da noite. A primeira música foi a já citada “Muerte mi amor”, que trouxe um tom mais emocional tanto pela sua melodia (que é bem melancólica, ainda que bela e delicada) quanto pela fala de Shawn ao introduzir a canção, refletindo sobre temas como morte e a sua presença inevitável ao longo da vida, e também sobre os diversos desafios e obstáculos que enfrentou em sua trajetória para chegar até ali, sendo essa quase que uma trilha sonora de sua superação. Pouco depois disso, os integrantes retornaram ao palco acompanhados por um amigo de Shawn, que não era ninguém mais ninguém menos que o responsável por trazê-lo pela primeira vez ao Brasil anos atrás. O cantor comentou sobre sua paixão e conexão com o público brasileiro, e então revelou qual era o projeto que estava sendo gravado na noite: nada mais nada menos do que um documentário sobre a sua trajetória com o país, o que tornou a noite ainda mais especial e que, em breve, poderemos revisitar nessa obra. O show então foi encerrado com “John the Revelator”, em um momento no qual os instrumentos foram dispensados e a melodia foi inteira executada com batidas rítmicas de palmas e pés no chão juntamente do público, encerrando com maestria uma apresentação que durou mais de duas horas e meia ao todo. 

Foto: João Zitti 

Foto: João Zitti 


Com um show extenso e repleto de hits e raridades, Shawn James se reafirmou como um dos maiores nomes do folk atualmente, abraçando todo o carinho do público brasileiro em uma das melhores fases de sua carreira. 


Agradecimento à ForMusic pelo credenciamento e atenção. 

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