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25 de setembro de 2026

Dead Poet Society fala sobre o novo álbum Monarch, influências e a vontade de tocar no Brasil

Foto: Darren Craig


Por: Mayara Abreu 

Agradecimento: ForMusic 


Prestes a lançar seu novo álbum, Monarch, o Dead Poet Society vive uma nova fase marcada por contrastes, peso e uma abordagem ainda mais emocional. O disco chega ao público em 2 de outubro pela Spinefarm e sucede FISSION, de 2024.

Antes do lançamento, a banda apresentou “Miami For The Weekend”, escolhido como o último single antes da chegada do álbum. A faixa aparece depois de “Cold”, “Roach” e “Sinner Systems”, mostrando diferentes lados da sonoridade que o grupo explora no novo trabalho.

Produzido por Paul Meany, vocalista do Mutemath, e mixado por Adam Hawkins, Monarch também aprofunda temas que, segundo o vocalista e guitarrista Jack Underkofler, foram emocionalmente difíceis de abordar.

Em entrevista à Big Rock N' Roll, Jack falou sobre a escolha de “Miami For The Weekend” como último single, o processo criativo de Monarch, as influências que ajudaram a formar a identidade do Dead Poet Society e até revelou qual música de rock mudou sua vida.

Além disso, o músico comentou sobre a relação da banda com o próprio nome, a experiência de criar o universo interativo de The House e deixou um recado para os fãs brasileiros que continuam pedindo uma apresentação do grupo no país.


Big Rock and Roll: Vocês acabaram de lançar “Miami For The Weekend”. Por que escolheram essa música como o último single antes do álbum?

Jack Underkofler: Acho que todos nós pensamos que seria uma boa maneira de mudar um pouco as coisas. Lançamos três singles e todos tinham uma certa vibe. Este álbum tem uma boa amplitude sonora. Então, para o último single antes de lançar o disco, pensamos: “Vamos fazer uma curva completamente diferente”. Foi por isso que escolhemos essa música.


Big Rock and Roll: Falando sobre o álbum, o título é Monarch. O que esse nome significa para você e por que escolheram esse título?

Jack: Na verdade, foi escolhido pelo Dylan e pelo Will. Eles provavelmente seriam melhores para responder a essa pergunta. Só posso dizer que foi um grande ponto de discussão dentro da banda. No final, esse foi o nome que acabou vencendo.


Big Rock and Roll: Você disse que queria “arriscar tudo” neste álbum. Qual foi o maior risco que vocês assumiram durante a criação de Monarch?

Jack: Acho que o maior risco para qualquer banda é decepcionar os próprios fãs. Não de propósito, mas porque você precisa se lembrar de que faz música para você mesmo, e não para qualquer outra pessoa. Isso pode decepcionar algumas pessoas. Mas, no fim das contas, prefiro decepcionar algumas pessoas e ter orgulho do que fiz a tentar agradar os outros com algo que deveria estar fazendo para mim.


Big Rock and Roll: E como Monarch é diferente de FISSION?

Jack: Acho que Monarch vem de um lugar muito mais pesado. É um álbum emocionalmente muito mais pesado. Falamos sobre muitas coisas que foram desconfortáveis para nós enquanto tentávamos colocá-las em palavras. Não é um álbum exatamente otimista.

Foto: Divulgação


Big Rock and Roll: Quando ouvi Dead Poet Society pela primeira vez, em 2021, “Into The Deep” me lembrou muito Royal Blood. Quais são as principais influências que aparecem quando vocês começam a criar uma música nova?

Jack: Você tenta, mas não importa o que faça, é uma combinação das suas influências. Com o tempo, porém, você começa a perceber que pode criar algo cada vez mais particular dentro dessas influências, e é isso que acaba formando sua identidade.

Você mencionou Royal Blood. Eles foram uma influência enorme, não posso negar isso. Mas, quanto mais escrevíamos, mais descobríamos que havia sons que começaram sendo influenciados por YouTube, Coldplay, Royal Blood e todas essas coisas, mas que foram ficando tão particulares que começaram a se transformar em algo próprio, que parece único para nós.

É como se tivéssemos evoluído dessas influências. Nós, seres humanos, evoluímos dos primatas e, em algum momento, todos fomos peixes no fundo do oceano. Viemos dessas coisas, mas hoje não nos parecemos nem um pouco com peixes. É mais ou menos onde queremos chegar.


Big Rock and Roll: O álbum tem um contraste interessante entre momentos pesados e outros mais melódicos. Como vocês encontram o equilíbrio entre esses dois lados?

Jack: Você simplesmente sente. Não existe um processo de pensamento em que você diga: “Agora vou fazer algo pesado” ou “Agora vou cantar algo melódico”. Acho que você apenas segue esse fluxo de sentimento. Quando ele diz para você ficar mais pesado, você fica mais pesado. Quando diz para recuar, você recua.


Big Rock and Roll: A arte e o universo criado ao redor de Monarch também chamam bastante atenção. Como surgiu a ideia de The House, esse mundo interativo que acompanha o álbum?

Jack: Originalmente, o Will teve a ideia de: “E se tivéssemos um site assim, uma coisa interativa em que as pessoas pudessem clicar e encontrar todos esses segredos?”. O Dylan e a gravadora, junto com uma equipe que trabalha lá, ajudaram a desenvolver tudo.

Eles fizeram a maior parte do trabalho pesado e o Dylan guiou o processo. Então os dois trabalharam juntos para realmente dar vida à ideia.

No começo, era apenas um conceito, quase como uma ferramenta de divulgação. Mas está se transformando em algo mais profundo do que isso, e tem sido muito legal ver essa evolução.


Big Rock and Roll: O que você espera que os fãs sintam ao ouvir Monarch do começo ao fim?

Jack: Acho que catártico. Essa seria a melhor maneira de colocar.

Falar sobre coisas ruins que aconteceram com você traz uma profunda sensação de catarse. É assim que você chega a outro lugar. É assim que você trabalha essas coisas. E é disso que boa parte deste álbum trata.

Foto: Divulgação


Big Rock and Roll: Vocês construíram uma identidade muito forte como banda. Quando começam a escrever uma música nova, pensam no que é o som do Dead Poet Society ou simplesmente seguem a ideia e deixam o processo acontecer?

Jack: Você simplesmente começa com alguma coisa que faz você pensar: “Puta merda”. E então segue a partir daí. Às vezes isso leva a algum lugar e, às vezes, simplesmente morre no caminho. Mas você precisa prestar atenção nesses momentos quando eles aparecem.


Big Rock and Roll: O que você acha que as pessoas ainda não entendem sobre o Dead Poet Society?

Jack: Só porque nos chamamos Dead Poet Society não significa que você deva descartar a banda imediatamente.


Big Rock and Roll: Por causa do filme?

Jack: Sim. Acho que não é segredo que todos nós meio que nos arrependemos do nome. Mas ele se torna outra coisa quando você está por tempo suficiente e constrói algo grande o suficiente. Você começa a redefinir o que aquilo significa.

Acho que o Foo Fighters também odeia o próprio nome. Mas ninguém fica pensando “o que é Foo Fighters?”. As pessoas simplesmente ouvem isso e é isso que o nome significa para elas.


Big Rock and Roll: Aqui na Big Rock and Roll, temos uma pergunta que fazemos para todas as bandas que entrevistamos. Você se lembra da primeira música de rock que mudou sua vida?

Jack: “Find The Real”, do Alter Bridge.

Essa música foi enorme para mim. Acho que ouvi quando estava na quinta série. Coloquei a música para tocar e fiquei repetindo.

Naquela época, o iTunes já existia e acho que ouvi a prévia, porque eles davam uns 30 segundos da música. Eu me lembro de ouvir aquele trecho e ficar com medo de pedir para minha mãe comprar. Então ficava apertando o repeat na prévia e ouvia aquela parte de novo, de novo, de novo e de novo.

Acho que sabia que acabaria levando uma bronca, mas eventualmente pensei: “Quer saber? Vou pagar aquele US$ 1,29 ou 99 centavos, seja lá quanto custava”. E simplesmente ouvi aquela música sem parar.

Era muito pesada, mas não era exatamente metal. E eu pensei: “Eu amo essa merda”. Eu era só uma criança cantando junto com a música.


Big Rock and Roll: E para finalizar: vocês têm fãs no mundo inteiro, inclusive aqui no Brasil. O que você gostaria de dizer para os fãs brasileiros?

Jack: Nós queremos muito ir para aí. Continuem comentando “come to Brazil”, porque isso mantém o Brasil na nossa cabeça e vamos encontrar um jeito de chegar aí.


Big Rock and Roll: Então vou continuar fazendo isso, Jack.

Jack: Façam isso!


Big Rock and Roll: Muito obrigada pela entrevista, Jack. Foi um prazer conversar com você sobre Monarch, as músicas e o processo criativo.

Jack: Obrigado pela oportunidade.

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