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| Foto: Divulgação |
Por: Thayz Figueiredo
Antes de falar das minhas expectativas para essa edição, acho que vale explicar por que o Ohana é um festival tão especial, especialmente para quem é fã do Pearl Jam.
Criado em 2016 pelo próprio Eddie Vedder, o Ohana nasceu em Dana Point, na Califórnia, com uma ideia que vai muito além de colocar grandes artistas em um palco. O próprio nome vem do conceito havaiano de ohana, que significa família, e desde a primeira edição o festival mistura música, comunidade, arte, meio ambiente, ativismo e cultura.
Eddie é, essencialmente, o coração e o curador do festival. Ele se apresenta todos os anos e transformou o Ohana em um espaço onde seus amigos, artistas que admira, músicos que estão começando e algumas das maiores bandas do mundo podem dividir o mesmo palco. Desde a primeira edição, em 2016, isso já rendeu encontros completamente improváveis, e é justamente essa possibilidade do inesperado que faz o festival ser tão especial.
Esse ano o Ohana acontece entre 25 e 27 de setembro, e no domingo, dia 27, o Pearl Jam fecha o festival. E talvez seja difícil pensar em um show mais carregado de expectativas do que esse.
O Pearl Jam não sobe ao palco desde 18 de maio de 2025, no último show de Matt Cameron com a banda, depois de 27 anos atrás da bateria.
Então a primeira, e talvez maior pergunta seja inevitável: quem vai estar atrás do kit?
A banda ainda não revelou o nome do novo baterista, e Stone Gossard parece estar se divertindo bastante com o mistério. Em uma entrevista recente, ele disse que gosta justamente do fato de ninguém saber quem vai tocar bateria com eles e que a banda está empolgada por voltar a tocar depois de tanto tempo.
E, claro, a internet já fez o que a internet faz.
Entre os nomes mais especulados pelos fãs estão Josh Klinghoffer, que já integra a equipe de turnê do Pearl Jam; Richard Stuverud, parceiro de longa data de Jeff Ament, Brad Wilk, ex-RATM, Josh Freese, e até Kahokiss , a ex-baterista da banda japonesa Otoboke Beaver. O rumor mais recente seria de que Abe Laboriel Jr, baterista da banda de Paul McCartney, seria o escolhido.
Também aparecem outros nomes nas especulações, mas nada disso foi confirmado pela banda. Na verdade, o único fato concreto é que Dave Krusen, o baterista de Ten, ao ser perguntado se ele era o novo velho baterista da banda, chegou a dizer que não, e que o Pearl Jam já havia escolhido alguém, e apagou a publicação depois, o que levantou muitas suspeitas.
Mas o baterista não é a única coisa que me deixa curiosa.
Outra pergunta é: o que exatamente será o “Eddie Vedder & Friends”?
Na sexta-feira, Eddie aparece no line-up como Eddie Vedder & Friends. Não como Eddie Vedder, e nao como Eddie Vedder e Earthlings. E isso já abriu espaço para todo tipo de especulação sobre quem serão esses “friends” e, principalmente, sobre que tipo de show estamos prestes a ver.
Vai ser um show solo do Eddie, no estilo das apresentações acústicas que ele já fez tantas vezes?
Vai ser uma super banda formada especialmente para o festival?
Ou será que, de alguma maneira, veremos mais uma espécie de show do Pearl Jam disfarçado de “Eddie & Friends”?
Essa última possibilidade ficou ainda mais interessante depois que Mike McCready, durante uma conversa sobre seu novo projeto Farewell to Seasons, comentou que o Pearl Jam tem “a couple of shows” no Ohana.
Então… um show do Pearl Jam no domingo está confirmado.
Mas será que existe mais Pearl Jam escondido naquele line-up?
E então existe uma ausência que vai ser impossível não sentir.
Glen Hansard.
Glen estava profundamente ligado ao universo do Ohana e ao próprio Eddie. Esteve no festival em diferentes edições, participou de apresentações do Eddie e dos Earthlings e, em 2025, estava novamente no palco com ele.
Só que faz um mês que Glen morreu em um acidente de moto em Dublin.
E pensar no Ohana sem ele é difícil, é estranho. É impossível não imaginar que a memória dele esteja presente de alguma maneira no Ohana deste ano.
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| Foto: Divulgação |
Outro nome que me interessa muito é Jeff Ament.
A banda paralela dele, P.E.S.T., toca no festival no sábado, e ele também vai fazer o lançamento de Since Forever, um livro que reúne mais de 250 fotografias, sendo a maioria inédita, principalmente dos primeiros anos do Pearl Jam.
Ou seja: para os fãs do Pearl Jam, praticamente um pequeno evento dentro do evento.
E falando em artistas que têm uma ligação especial com Eddie, tem uma que eu quero muito ver: Linka Moja.
Ela toca no domingo, antes do Pearl Jam, e tem uma história que parece roteiro de filme.
Emma Routhier, que hoje se apresenta como Linka Moja, era estudante de economia na UCLA quando estava em um acampamento de surfe de Kelly Slater. Eddie estava por lá e ela simplesmente perguntou se poderia tocar algumas músicas no violão dele.
Ele deixou.
Os dois acabaram tocando “Where Is My Mind?”, do Pixies, juntos.
Um ano depois, ela estava tocando no Ohana.
Hoje, ela própria brinca que Eddie é uma espécie de “fairy godfather” de sua carreira.
E, depois do Ohana, Linka Moja ainda estará no Best of Blues and Rock, em São Paulo, em novembro, em um dos dias em que o Eddie toca.
Além dela, o line up ainda tem Pixies, Fontaines D.C., Alabama Shakes, Jon Batiste, Maná, Billy Idol, Bad Religion entre outros
É muita coisa! Então acaba que minha maior expectativa é que eu finalmente vou conhecer o Ohana.
Depois de acompanhar esse festival de longe por tantos anos, assistir a vídeos, setlists, participações inesperadas, encontros improváveis e todas aquelas cenas que parecem acontecer quase exclusivamente naquele pedaço de praia em Dana Point, finalmente vou estar lá. E justamente em uma edição que promete ser histórica.
Falta um mês.
E eu já estou contando os dias.


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