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| Foto: João Zitti |
Por: João Zitti (@joaozitti.work)
Zakk Wylde, uma das figuras mais memoráveis do mundo do rock nas últimas décadas, retornará ao Brasil mais uma vez na próxima semana para uma nova série de shows. A passagem, que se inicia em Curitiba dia 10 de outubro e se encerra em Limeira no dia 20 do mesmo mês, contará com um foco tanto no Black Label Society quanto no Zakk Sabbath, projeto cujo repertório é majoritariamente focado em covers do Black Sabbath. Além disso, marca um retorno recente ao país após o grupo ter se apresentado como uma das principais atrações do Bangers Open Air em abril desse ano, apresentação essa que a Big Rock teve o prazer de realizar a cobertura.
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| Foto: Divulgação |
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| Foto: João Zitti |
Quando falamos em Zakk Wylde, é difícil definirmos uma única característica principal: fisicamente falando, a figura do guitarrista é automaticamente reconhecível, tanto pelo seu porte de brutamontes quanto por seu característico kilt; musicalmente, a sua sonoridade também possui uma marca registrada própria, misturando timbres de peso com uma grande utilização de pitch harmonics; e, claro, seus projetos são inúmeros, indo desde o Black Label Society (onde ocupa o posto de guitarrista e vocalista) até o Pantera (assumindo o cargo deixado por Dimebag Darrell). Porém, outra figura acaba sendo uma peça-chave em toda a história do músico e de seus projetos: Ozzy Osbourne, o lendário vocalista de metal que, na virada dos anos 80 para 90, deu o pontapé inicial para que Zakk se tornasse quem é hoje em dia - e nesse texto falaremos um pouco mais sobre isso.
A história entre os músicos começou quase 40 anos atrás, em 1987, quando Zakk, aos 20 anos de idade, enviou uma fita demo para participar das audições de Ozzy. O guitarrista, que na época trabalhava em um posto de gasolina, rapidamente chamou a atenção do Madman, sendo convidado para alguns testes de estúdio e, então, integrando sua banda. Pouco depois, em 1988, Wylde já estava presente no disco “No Rest For The Wicked”, álbum esse que “só” se iniciava com a faixa “Miracle Man”. O trabalho rapidamente chamou a atenção, elevando o guitarrista a uma função de grande destaque no grupo.
O grande boom, porém, aconteceu em setembro de 1991, quando Ozzy lançou o disco “No More Tears”, que contava com um total de 11 faixas (posteriormente, 13), sendo algumas delas “Hellraiser”, “I Don’t Want To Change The World”, “Mama, I’m Coming Home” e, claro, a canção-título “No More Tears”, com pouco mais de 7 minutos de duração e que contém um dos solos de guitarra mais memoráveis da história do metal. Com tudo isso, não é de se surpreender que o trabalho foi um enorme sucesso, sendo celebrado até hoje como um dos maiores trabalhos da carreira de Ozzy.
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| Foto: João Zitti |
Quatro anos depois, em 1995, Zakk já estava emplacando seu terceiro disco com Ozzy, o “Ozzmosis”, quando recebeu uma ligação de Axl Rose. O frontman havia o convidado para algumas sessões de jam com o Guns N’ Roses, e Zakk topou - especialmente considerando a possibilidade de integrar. Porém, o tempo passou e nada aconteceu, e consequentemente Ozzy convidou outro guitarrista para ocupar o posto de Zakk na turnê desse álbum. Diante de tudo isso, o guitarrista começou a trabalhar de maneira mais focada em algumas de suas composições, e anos depois nasceu o Black Label Society.
O disco de estreia, “Sonic Brew”, trazia uma sonoridade muito mais pesada, “suja” e, claro, com suas tão características pitch harmonics. Além disso, o trabalho contava com uma certa “novidade” na carreira do músico - que era sua presença também como vocalista da banda. A faixa “Mother Mary”, por exemplo, é uma grande síntese do que o grupo era inicialmente, misturando passagens mais arrastadas com trechos de refrão mais rítmicos. Ainda que o trabalho se distanciasse bastante do que havia sido visto com Ozzy, as homenagens eram constantes ao músico, contando com um cover repaginado de “No More Tears” no encerramento do disco - uma versão que, por muito tempo, acabou ficando esquecida nas apresentações ao vivo do grupo, mas que felizmente voltou a aparecer.
Nos anos que seguiram, Zakk acabou assumindo grande importância em ambas as bandas: com Ozzy, participou tanto do álbum ao vivo “Live At Budokan” (lançado em 2002 e que contou, também, com a presença de Robert Trujillo, que posteriormente integraria o Metallica) quanto de outros discos de estúdio, como “Black Rain”, de 2007. Paralelamente a isso, o Black Label Society funcionava a todo vapor, lançando discos como “1919 Eternal” (bastante pessoal e com grandes contrastes entre peso e melancolia, como pôde ser visto em “Bleed for Me” e “Lost Heaven”) e “Mafia”, que também contava com grandes sucessos, como “Suicide Messiah” e “In This River”, que posteriormente passaria a ser dedicada ao seu falecido amigo Dimebag Darrell.
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| Foto: João Zitti |
Com isso, Zakk se tornava cada vez mais um dos principais nomes no cenário do metal internacional, desenvolvendo um estilo muito característico e próprio com Black Label Society, ao mesmo tempo que se tornava o parceiro criativo mais longevo de Ozzy. Em 2009, porém, as coisas acabaram sofrendo um desvio de rota, quando o Príncipe das Trevas demitiu o músico de sua banda. A justificativa dada era justamente essa: Ozzy sentia que a sonoridade de Zakk Wylde já estava muito atrelada ao que ele fazia com o Black Label Society, e para o que ele queria trabalhar já não fazia muito sentido.
Apesar de isso ter acontecido, o relacionamento entre os músicos continuou, se mantendo extremamente próximos e assumindo uma relação de carinho quase que de irmãos, como o próprio Zakk comentaria posteriormente. A afinidade com o universo de Ozzy, porém, passou a integrar os palcos alguns anos depois, quando Wylde e alguns colegas do Metal All Stars decidiram iniciar o projeto “Zakk Sabbath” em 2014. O motivo? A frequência com que os músicos ensaiavam canções do Black Sabbath nos bastidores das apresentações. Ao longo dos anos, a banda passou por várias reformulações em sua formação, mas sempre foi liderada por Zakk Wylde, que assume parcialmente o nome do grupo. Em 2024, o projeto chegou a lançar o disco “Greatest Riffs”, que tinha um maior foco nos quatro primeiros discos do Sabbath e trazia versões reimaginadas de “N.I.B.”, “War Pigs” e “Into The Void”. O grupo, inclusive, visitou o Brasil no ano de 2024, quando se apresentou no Best of Blues and Rock.
Em 2017, Zakk Wylde voltou a fazer parte oficialmente da banda de Ozzy Osbourne, especialmente nas suas apresentações seguintes. Porém, nos anos seguintes, o Príncipe das Trevas passou a enfrentar uma série de problemas de saúde que levaram ao seu maior afastamento do mundo da música. Em 2022, o vocalista lançou o que seria seu último disco de estúdio, “Patient Number 9”, que reuniu diversas colaborações ao longo de seu tracklist (incluindo Zakk e Tony Iommi), lhe rendendo diversas nomeações no Grammy.
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| Foto: João Zitti |
No ano de 2025, Ozzy anunciou que se apresentaria ao vivo uma última vez tanto em carreira solo quanto com a formação clássica do Black Sabbath no evento “Back to the Beginning". Diversas bandas e músicos do universo do rock se reuniram para tocar ao longo daquele dia, no que acabou se tornando um festival, incluindo o próprio Zakk Wylde — presente tanto com o Pantera quanto ao lado de Ozzy durante sua apresentação solo. A performance, que contou com momentos emocionantes como em “Mama I’m Coming Home”, foi memorável, marcando um último adeus do vocalista ao público.
Poucas semanas depois, o mundo do rock entrou em choque ao receber a notícia de que Ozzy, infelizmente, havia falecido. A partida do músico gerou comoção e homenagens ao redor do mundo inteiro, incluindo momentos das próprias apresentações do Pantera, grupo esse que Zakk participa ativamente até hoje. Foi nesse momento que, então, uma última homenagem surgiu: a “Ozzy’s Song”.
No início de 2026, Black Label Society lançou o single “Name In Blood” e anunciou o disco “Engines of Demolition”, que marcava o primeiro trabalho de estúdio da banda em mais de cinco anos. O álbum inteiro foi extremamente marcado pelos tão característicos timbres e riffs de guitarra do grupo, sendo instantâneamente aplaudido pelos fãs. Porém, na última música, a sonoridade sofreu uma virada de chave quando as primeiras notas de piano de “Ozzy’s Song” começaram a ser tocadas, acompanhadas também por coros e acordes de violão. Ao longo de toda a faixa, Zakk abre seu coração ao falar sobre o forte sentimento de perda após a partida de seu amigo, relembrando todos os anos que viveu com seu amigo e mostrando que, mesmo diante dessa dor, ele continuará seguindo em frente, sendo extremamente grato por tudo que eles compartilharam.
Assim como o primeiro disco do grupo, “Engines of Demolition” encerra com uma grande homenagem a Ozzy Osbourne, celebrando sua história e afirmando, com toda certeza, que se depender de Zakk Wylde seu legado nunca será esquecido, seja através do Zakk Sabbath ou das apresentações do Black Label Society, celebrando sempre os laços que foram muito além da música.






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