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| Foto: Divulgação |
Por: Jair Cursiol Filho
O Beyond the Black é uma banda que eu nunca parei para escutar com muita atenção. Vi um show deles em 2018 ou 2019 no Wacken Open Air fazendo cobertura pela Big Rock. Foi um show competente, mas não o suficiente para eu virar um fã da banda. O line-up da banda é basicamente o mesmo daquela época: Kai Tschierschky na bateria e os guitarristas Chris Hermsdörfer e Tobi Lodes, todos desde 2016 na banda (que não tem um baixista oficial desde 2021). Isso gerou estabilidade desde a grande mudança ocorrida em 2016 após o lançamento do segundo álbum, quando apenas a vocalista Jennifer Haben continuou da formação original.
Confesso ter alguns problemas quando esse tipo de coisa acontece, pois a banda deixa de parecer uma banda e passa a parecer um trabalho solo. Mas isso são águas passadas e a formações está estável já há quase 10 anos, então vamos para o review deste novo disco, que se chama Break the Silence, o sexto da discografia.
De conclusão direta, o instrumental de Break the Silence não foge do metal sinfônico que aparece nas peças de marketing da gravadora Nuclear Blast e é repetido da descrição da banda nas plataformas de streaming. Cai para um lado mais moderno e flerta com o gótico, muitas vezes me lembrando uma versão mais pesada do Evanescence.
Uma característica que diferencia o grupo dos grandes nomes do estilo é a duração das músicas: as 10 canções de Break the Silence totalizam menos de 38 minutos e apenas 3 músicas batem os 4 minutos. Para comparação, o último disco do Nightwish chega a 1h 9min e sua menor música e (ignorando a introdução) apenas 3 das 12 canções tem menos do que 5 minutos, enquanto o último do Epica também passa de 1 hora e apenas 4 das 11 canções tem menos do que 5 minutos.
O Beyond the Black encontrou um nicho que as gigantes clássicas do estilo não conseguem atingir: músicas curtas, para consumo rápido e que não demandam muitas ouvidas para o ouvinte encontrar nuances. É mais fácil gostar (ou não gostar) de uma música do Beyond the Black na primeira ouvida do que algo das outras bandas de metal sinfônico.
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| Foto: Heilemania |
Mas o principal item acessível (e a maior diferença da banda) é a vocalista Jennifer Haben. Para o bem e para o mal, ela tem características mais próximas de cantoras de pop do que das vocalistas líricas que dominam o estilo. Várias das linhas vocais de Break the Silence cairiam perfeitamente na voz de Katy Perry, por exemplo – e isso não é um demérito. Ao contrário, atinge com mais facilidade aquela pessoa menos acostumada ao metal do que, por exemplo, a excelência quase operática de Tarja. Esta é uma característica que outras vocalistas do estilo possuem, como Anette Olzon (ex-Nightwish) e Elize Ryd (Amaranthe, que inclusive foi convidada do disco Hørizøns do Beyond the Black).
Break the Silence também é a primeira obra da banda após conseguir fazer sua primeira turnê pela América Latina, então é óbvio que estão em crescimento comercial – algo que se vê pelo fato de que 5 músicas (metade do disco) já tinham ou clipe ou lyric video lançados antes do disco sair em 9 de janeiro e um sexto vídeo foi lançado desde então. Os seis clipes estão linkados ao final do review.
O álbum, de acordo com a banda, temas como comunicação, força interior, resiliência e a necessidade urgente de reconexão em um mundo dividido, focando em influências étnicas. Essas são visíveis na quantidade de canções que são em parte cantadas em outras línguas.
Isso começa com "Let there be Rain"...
O tema de línguas que não o inglês envolve depois a cantora Asami (Lovebites) cantando em japonês em "Can You Hear Me"...
...depois com a própria Jennifer cantando francês em "(La vie est un) Cinéma" e fecha o disco com alemão em "Weltschmerz". Esse tema foi o que mais me chamou a atenção no disco, algo que raramente vi feito (normalmente bandas quando quere usar idiomas diferentes, colocam apenas um em um disco, não quatro de uma vez). Ponto para o Beyond the Black pela coragem.
O restante das canções (as 100% em inglês) não fogem do que a banda já fez antes. São excelentemente produzidas, mas não devem ser estas a trazer novos fãs. Se você já gosta de Beyond the Black, irá gostar do trabalho aqui. Se não gosta, não são estas canções que o tornarão um fã.
Agora falta um disco ao vivo, né?
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| Foto: Heilemania |
Nota: 7.0
Kreator - 'Break the Silence'
Data de lançamento: 09/01/2026
Gravadora: Nuclear Blast
Tracklist:
1. Rising High - https://www.youtube.com/watch?v=sxSQx9lR8cY
2. Break the Silence - https://www.youtube.com/watch?v=oaGyQTA8q5s
3. The Art of Being Alone (com Lord of the Lost) - https://www.youtube.com/watch?v=SicvAsWi3A8
4. Let There Be Rain (com The Mystery of the Bulgarian Voices) - https://www.youtube.com/watch?v=PR0BmiZ6Mis
5. Ravens - https://www.youtube.com/watch?v=R-0fv0StQIw
6. The Flood
7. Can You Hear Me (com Asami da banda Lovebites) - https://www.youtube.com/watch?v=2xymyldgiI4
8. (La vie est un) Cinéma
9. Hologram
10. Weltschmerz



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