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18 de maio de 2026

Fresno entrega sua Carta de Adeus para uma legião de fãs apaixonados em São Paulo

Foto: João Zitti 


Fresno – Espaço Unimed - São Paulo/SP - 18 de abril de 2026


Por João Zitti (@joaozitti.work)

Fotos: João Zitti (@joaozitti.work)


A banda Fresno, um dos principais nomes do rock nacional dos anos 2000, está prestes a lançar seu mais novo disco de estúdio, “Carta de Adeus”, programado para o dia 24 de abril. Porém, o grupo já se antecipou e iniciou sua nova fase com uma apresentação temática em São Paulo, onde tocou pela primeira vez o disco na íntegra para milhares de fãs, e mostrou o que podemos esperar da Fresno nessa nova etapa! 

Antes de começar essa resenha, gostaria de fazer algo que não costumo falar, que é abordar um pouco da importância da banda para mim: descobri a banda quando pequeno, ainda no auge do emo nacional ao lado da NX Zero - inclusive, tenho a nítida memória de quando Lucas e Di apresentaram os Meus Prêmios Nick, edição essa que talvez tenha sido a melhor do canal de televisão. Ainda sim, naquela época não escutava a banda, e com o passar dos anos acabou desaparecendo com meu radar. Quase 15 anos depois, quando comecei a estagiar na Rádio Disney Brasil, o grupo reapareceu na minha vida durante o lançamento da primeira parte de “Eu Nunca Fui Embora”, indo até a rádio para fazer uma bateria de entrevistas. A partir desse momento, meu contato se tornou frequente: tive a oportunidade de ter diversas interações com eles em eventos e shows (sendo os primeiros artistas que pude entrevistar), fotografei a banda em três apresentações diferentes e, em paralelo, fui me tornando um grande fã não só desse disco (excelente, diga-se de passagem), mas do grupo e de seus integrantes. Inclusive, foi nessa mesma época que eu comecei a entrar no mundo das coberturas de shows e da fotografia (algo que eu não tinha a menor ideia de como fazer antes desse período), então não é exagero nenhum dizer que a banda possui uma importância gigantesca para mim, especialmente como profissional. Poder estar fotografando e cobrindo a nova fase da banda dois anos depois de estar presente no início da fase anterior do grupo é definitivamente uma realização pessoal - especialmente ao ver quanto as coisas mudaram e evoluíram em tão pouco tempo. Dito isso: vamos para a resenha! 

A apresentação aconteceu no Espaço Unimed no sábado, dia 18 de abril, marcando o retorno da banda ao local após um ano e meio desde sua passagem (anteriormente, na turnê de “Eu Nunca Fui Embora”). Ainda que o show estivesse programado para começar às 22h30, a casa já estava completamente cheia uma hora antes - tanto na pista comum quanto na premium, algo que fazia um bom tempo que não via acontecer com tanta antecedência. E o público foi só aumentando ao longo de uma hora e vinte minutos (o show atrasou e iniciou próximo das 22h50), com a platéia dominada por bexigas vermelhas com o logo do novo disco. Quando as luzes se apagaram e a banda começou a subir ao palco, o público foi oficialmente à loucura, sendo essa recepção calorosa o pontapé inicial da vida de “Carta de Adeus”. 

Foto: João Zitti 

Foto: João Zitti 

Foto: João Zitti 

Foto: João Zitti 


A apresentação foi dividida em duas partes: a execução completa de “Carta de Adeus” ao vivo, e a exploração do catálogo de discos anteriores da Fresno. A princípio, tocar um álbum na íntegra que ainda não foi lançado para quase 8 mil pessoas pode ser loucura, mas a banda conseguiu reverter isso com uma ótima estratégia, liberando o acesso antecipado ao disco para todos que tivessem comprado ingressos para a apresentação. O público já conhecia previamente as novas faixas, mas ainda sim creio que teria sido mais interessante se eles tivessem lançado algumas das músicas como singles previamente - visto que os fãs já teriam mais afinidade com algumas das canções e, consequentemente, iriam engajar mais. Além disso, uma parte considerável do álbum já está disponível nas músicas do Instagram (não parcialmente, mas sim na íntegra) e o próprio disco acabou vazando justamente pela questão do acesso antecipado, então creio que essa estratégia acabou ficando meio confusa no saldo final. 

De qualquer forma, vamos falar sobre o show: ao longo de 40 minutos, o grupo tocou as 10 faixas que integram o disco, iniciando com a melancólica e introspectiva “Eu Não Vou Deixar Você Morrer”, e finalizando com a explosiva e quase que “otimista” (sonoramente falando) “Eu Não Sei Dizer Não”. O tracklist, inclusive, conta com um cover da canção “Pessoa”, de Dalto, o que serviu para trazer ainda mais um ar de nostalgia e emotividade para a performance. Em suas letras, a banda aborda temas comumente presentes em sua discografia, como recomeços e frustrações em relacionamentos, mas com uma visão mais madura, o que mostra que a banda se manteve em constante evolução ao longo das décadas. Algumas das músicas se destacaram mais no show, como “Eu Não Vou Deixar Você Morrer”, “Carta de Adeus (Bye Bye Tchau)”, “Tentar de Novo e de Novo” e “Sóbria”, mas ainda é difícil dizer quais serão as canções que, realmente, terão uma vida longa - algo que começaremos a ter uma ideia somente quando o disco for lançado. Pessoalmente falando, um dos principais destaques se deu para a canção “Se Foi Tão Fácil”, descrita pela banda como uma faixa inspirada pelas novelas brasileiras. Além de ser uma canção bem mais delicada e “quieta” sonoramente, foi feito um excelente trabalho na sua letra ao abordar um término de relacionamento, mas focada na “facilidade” que tudo foi feito pelo par (e a dor que isso causou no protagonista), sendo talvez uma das canções mais bonitas da banda e que muito  provavelmente terá uma presença duradoura no imaginário dos fãs, que cantaram a canção em coro na noite. 

A segunda parte da apresentação, conforme mencionado anteriormente, focou majoritariamente nos principais sucessos da banda, executando músicas como “Diga, Parte 2” (um dos maiores hinos da sofrência da Fresno), “Sua Alegria Foi Cancelada”, “Eu Nunca Fui Embora” e “Eles Odeiam Gente Como nós”. O principal destaque (tanto desse bloco quanto da apresentação como um todo) se deu na reta final do show, quando o grupo executou a excelente sequência formada por “Eu Sou A Maré Viva”, “Casa Assombrada”, “Quebre as Correntes” e “Desde Quando Você Se Foi”, encerrando com maestria uma performance com quase duas horas de duração e mais de 20 músicas tocadas. 

Foto: João Zitti 

Foto: João Zitti 


Tecnicamente falando, podemos dizer que a apresentação contou com coisas muito interessantes, mas com alguns pontos fracos. A parte visual foi muito focada no minimalismo, quase não contendo elementos cenográficos em cima do palco. O grande destaque se deu no telão ao fundo da banda, que, ao invés de focar em artes gráficas e ilustrações para as faixas, foi para um caminho bem mais cinematográfico ao exibir quase que por completo filmagens estilizadas e em câmera-na-mão dos músicos enquanto performavam, o que trouxe uma ideia quase que de filme-concerto para o show (gerando ótimos registros que, quase certamente, verão a luz do dia no futuro). Sonoramente falando, a apresentação foi ótima, apresentando uma qualidade sonora que se manteve em todos os pontos da casa, com uma nitidez que se mostrou presente tanto nas laterais do palco quanto ao fundo da pista. O único ponto negativo, porém, se deu na iluminação: formada majoritariamente de contra-luzes e luzes de preenchimento, a falta de luzes de ataque muitas vezes criou um ambiente escuro e soturno, muito marcado por silhuetas. Isso, de certa forma, pode ser argumentado como um recurso para criar um ambiente mais melancólico e intimista (o que combina com algumas das faixas), mas para a apresentação inteira acaba destoando, especialmente por conta das explosões sonoras de algumas das canções, que acabam sendo representadas por luzes brancas estouradas, não conseguindo encontrar um equilíbrio realmente interessante. Talvez a banda devesse ter seguido por um caminho mais parecido com o que traçaram no show de 2024, que contou com uma certa estilização, mas no geral com uma iluminação mais nítida e equilibrada. 

Ainda que com um excelente repertório, o que realmente faz com que a Fresno siga mais viva do que nunca e lotando casas de shows é sua conexão com o público: nos pontuais momentos de conversa, Lucas, Vavo e Guerra fizeram questão de, repetidas vezes, agradecer todo o carinho e suporte por parte de sua fan base em todas as suas empreitadas, desde a realização de um show para um disco ainda não lançado, até a sua loja temática na Galeria do Rock que, desde que estreou, tem sido um sucesso. O ápice disso se deu durante a música “Eu Sou A Maré Viva”, em que Lucas desceu do palco e tocou a música inteira sentado na grade juntamente dos fãs, criando um momento muito especial que certamente vai ficar por muito tempo na memória do público. Eles ainda fizeram questão de reforçar que, ainda que o disco se chame “Carta de Adeus”, a banda está definitivamente longe de acabar, e que esse é um de mais inúmeros discos que o grupo planeja produzir. 

Foto: João Zitti 

Foto: João Zitti 


Iniciando sua nova fase, a banda Fresno apresentou sua ótima “Carta de Adeus” para uma legião de fãs extremamente apaixonados em São Paulo, mostrando que a banda, juntamente de seus seguidores, forma uma maré mais viva do que nunca, e que ainda tem muita coisa pra contar. 


Agradecimento a Acess Midia e Espaço Unimed pelo credenciamento e atenção. 

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