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| Foto: Timo Maczollek / Nat Enemede |
Thomas Youngblood (Kamelot) – Entrevista sobre o álbum Dark Asylum
Por: Jair Cursiol Filho
Agradecimento: Napalm Records
O guitarrista e fundador do Kamelot, Thomas Youngblood, conversou com a Big Rock N’ Roll sobre o novo álbum da banda, 'Dark Asylum', lançado em 28 de agosto de 2026 pela Napalm Records.
Na entrevista, Thomas fala sobre o processo de criação do novo trabalho, os detalhes por trás da concepção da capa do álbum e também revela os planos do Kamelot para o Brasil.
Jair (Big Rock):
Thomas, obrigado pelo seu tempo. Meu nome é Jair, sou do Brasil. Como você pode ver, apesar de estar entrevistando você, sou um grande fã da banda. Esta é a camiseta do show no 013 [Poppodium 013, Tilburg, Holanda] do último DVD. Eu a comprei lá. Então é uma grande honra para mim estar entrevistando você, porque acompanho a banda desde antes de eu começar a fazer entrevistas e resenhas de álbuns e coisas do tipo. Para ser completamente sincero, é meio que a realização de um sonho hoje.
Thomas Youngblood (Kamelot):
É um prazer falar com você.
Jair (Big Rock):
Obrigado. Dark Asylum será lançado em cerca de 15 dias a partir do dia em que estamos gravando [a data de lançamento é 28 de agosto de 2026]. E, como é um álbum conceitual, o primeiro com uma história completa desde Silverthorn, eu gostaria de saber primeiro quem teve a ideia do conceito e se ele foi influenciado por um livro, um filme, um jogo ou algo parecido.
Thomas Youngblood (Kamelot):
Foi uma ideia que eu tive há cerca de dois anos, durante uma turnê. Sabe, muitas vezes eu caminho por diferentes lugares, ao redor das casas de show, e às vezes caminho pelas ruas, e vi essas estruturas abandonadas, como celeiros ou coisas assim, e isso despertou a ideia de uma catedral abandonada.
E eu sabia que queríamos fazer uma música, ou um álbum, meio que baseado em um asilo, mas eu não queria que fosse em um hospital. Eu queria algo diferente. Então criamos essa catedral abandonada para o Raven Hill Asylum. E isso foi apenas o começo.
A partir daquele ponto, começamos a desenvolver as ideias em torno de quem estaria nesse asilo, os diferentes personagens, e esses personagens acabaram se tornando as músicas do álbum.
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| Foto: Divulgação |
Jair (Big Rock):
Legal. Já que eu mencionei Silverthorn, que também é um álbum conceitual com uma história e também situado mais ou menos na era vitoriana. Como sou um grande fã da banda, tenho muita coisa de vocês. Na verdade, eu queria perguntar sobre a capa, porque há um conceito muito parecido na capa, com o personagem principal e os corvos. [O entrevistador mostra as duas capas.]
Isso foi algo intencional ou foi uma coincidência feliz? Porque eu vi a capa e adoro Silverthorn. Acho que foi um álbum muito importante para a banda e, imediatamente, minha mente foi para os sentimentos que tive quando ouvi Silverthorn. Isso antes mesmo de começar a ouvir Dark Asylum.
Thomas Youngblood (Kamelot):
Interessante. Na verdade, não. Quer dizer, o que eu queria trazer de volta para este álbum eram alguns dos elementos góticos de Silverthorn e de Ghost Opera. E queríamos que ele fosse ambientado nessa era mais vitoriana, o que eu acho ótimo porque ela tem essa sensação romântica e gótica.
Mas acho que os corvos fazem parte disso de certa forma. Sempre que fazemos algo mais gótico, de algum jeito há um corvo envolvido.
E, com este álbum, eu também queria trazer de volta alguns elementos folk que não tínhamos há algum tempo. Temos algumas músicas com uma influência folk maior, que poderiam facilmente estar em The Fourth Legacy ou até mesmo em Eternity.
Essas são as coisas que eu queria trazer de volta, além de tornar o álbum mais cinematográfico e um pouco mais melódico em algumas músicas.
O álbum é... quer dizer, se você ouviu o álbum inteiro mais de uma vez, sabe que ele está cheio de música. Há uma enorme quantidade de coisas ali que o ouvinte certamente vai precisar descobrir ouvindo mais de uma vez.
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| Foto: Divulgação |
Jair (Big Rock):
Sim, eu o ouvi umas cinco ou seis vezes até agora. Tenho ele no meu celular.
E eu queria perguntar justamente sobre isso. Você mencionou a parte folk e estou tentando encontrar o nome da música aqui. Beneath the Moon. Beneath the Moon é, na verdade, minha favorita do álbum porque, enquanto o álbum, como eu disse, soa um pouco como Silverthorn e Ghost Opera, que foi o disco através do qual ouvi Kamelot pela primeira vez. Beneath the Moon... antes de mais nada, parabéns, porque a música é fantástica. A ideia de ter uma música que é em islandês, acredito eu, e que não tem Tommy [Karevik] como vocalista principal, completamente sem Tommy, e ainda fazê-la se encaixar na história, é fantástica. Eu adorei a música.
Então, de onde veio isso? E, se minha pesquisa está correta, acredito que uma das cantoras... não vou tentar pronunciar o nome dela porque vou massacrá-lo... mas acho que ela também trabalhou com vocês em The Fourth Legacy quase 30 anos atrás.
Thomas Youngblood (Kamelot):
Isso está correto, sim. Rannveig [Sif Sigurðardóttir], e a filha dela cantou na música. Beneath the Moon é totalmente em islandês.
E a maneira como isso aconteceu foi a seguinte: elas estavam no estúdio com Sascha [Paeth, produtor] trabalhando em alguns outros projetos enquanto Sascha estava meio que trabalhando comigo em demos e coisas do tipo.
E ele mencionou que estava trabalhando com elas, e disse que seria legal trazê-la de volta. E eu fiquei tipo: “Sim, isso seria incrível. Tenho essa ideia folk que poderíamos, sabe, desenvolver”.
E havia essa parte de violão em ré menor e então nós... sabe, expandimos aquilo para uma música completa. Eu escrevi a letra em inglês, elas a traduziram para o islandês e acabou se tornando uma música muito única, muito legal.
E também é especialmente legal porque ela está cantando com a filha na música. As vozes delas funcionam muito bem juntas. Então é muito legal que você tenha mencionado isso.
Jair (Big Rock):
Sim, ela é realmente a minha favorita porque é tão diferente que foi a música que mais se destacou para mim como fã da banda desde sempre. Já são quase 20 anos acompanhando o Kamelot. Então essa foi a que realmente, realmente chamou minha atenção.
A outra coisa é que sou sul-americano. Então fiquei muito feliz há alguns meses quando Ignacia Fernández se tornou um sucesso na internet por causa do fato de ela ser modelo, mas também cantora de metal. E você provavelmente sabe que a cena no Chile é muito menor do que a cena de metal no Brasil, então isso torna as conquistas dela ainda maiores. E a minha surpresa foi que a primeira banda que decidiu convidá-la para participar como convidada foi o Kamelot, foram vocês. E não apenas no álbum, mas também no primeiro single e no primeiro videoclipe. Então, de onde veio essa ideia? Como foi trabalhar com ela? Vocês chegaram a se conhecer pessoalmente ou foi tudo online? Resumindo, como isso aconteceu?
Thomas Youngblood (Kamelot):
Nós conhecemos a Ignacia há dez anos. Nós a conhecemos visitando Santiago [Chile], e ela sempre aparecia nos shows.
Então, cerca de quatro anos atrás, ou não sei exatamente quantos anos, ela começou a fazer os vocais de uma banda de death metal [Decessus] em Santiago, e isso acabou entrando no meu radar.
Então, basicamente, estivemos discutindo ideias por vários anos. Quando chegou a hora deste álbum, ela foi a primeira da nossa lista. E foi muito fácil simplesmente mandar uma mensagem e perguntar: “Você está disponível? Aqui estão as músicas. Me diga se você quer participar”.
E sim, o resto é história.
Jair (Big Rock):
Então isso aconteceu antes mesmo de ela ficar mundialmente conhecida na internet!
Isso me dá espaço para outra pergunta que eu tinha, porque você parece ter um talento para encontrar convidados talentosos que ainda não são tão conhecidos. Vocês já tiveram duas cantoras que depois foram para o Arch Enemy [Alissa White-Gluz e Lauren Hart] antes de elas serem conhecidas pelo mundo, e você parece encontrar essas pessoas de alguma forma.
Isso é algo importante para você? É um talento que você tem? Qual é a explicação?
Thomas Youngblood (Kamelot):
Quer dizer, deve haver alguma coisa aí, certo?
Jair (Big Rock):
Sim.
Thomas Youngblood (Kamelot):
Não sei. Sou uma pessoa humilde, mas obviamente eu... quando vejo alguém ou ouço alguém, penso: “Ok, essa é uma pessoa única e especial”. Eu me lembro da primeira vez que o The Agonist saiu em turnê conosco, muitos anos atrás, com a Alissa [White-Gluz]. Eu estava observando ela e pensando: “Essa garota é única e especial. Ela vai se tornar uma superestrela”. Não sei exatamente o que é, mas tenho um histórico razoavelmente bom quanto a isso, eu diria.
Jair (Big Rock):
Sim, eu acredito nisso. Agora, ainda sobre as participações femininas no álbum, vocês têm a Clémentine [Delauney], do Visions of Atlantis, e o Visions of Atlantis vai abrir alguns shows do Kamelot em determinadas datas. Não me lembro exatamente de quais países agora. A ideia da turnê veio antes das gravações ou uma coisa levou à outra? Os fãs podem ter esperança de vê-la participando ao vivo em Sanctuary caso a música seja tocada?
Thomas Youngblood (Kamelot):
Sim. Quero dizer, não sei se planejamos exatamente dessa forma. Temos conversado com a Clémentine há alguns anos. Ela já se juntou a nós em alguns shows no passado e eu sempre quis tê-la em um álbum do Kamelot. Então ela estará conosco. O Visions of Atlantis fará uma turnê conosco na América do Norte. Depois, o Exit Eden, do qual ela também é cantora, estará conosco na Europa. E acabou sendo algo conveniente, sabe? Porque ela também poderá participar do nosso show. Então vocês vão vê-la no palco conosco. Quanto à Ignacia, estamos conversando. Ela está extremamente ocupada agora, com toda essa agenda ligada ao Miss World e tudo mais, mas estamos procurando maneiras de fazê-la participar conosco também.Mas nós sempre temos convidados muito especiais e únicos nas turnês, seja quem for.
Jair (Big Rock):
Sim, a Clémentine é fantástica. Eu a vi ao vivo alguns anos atrás e ela é realmente fantástica. E o Exit Eden é incrível. Eu gostaria que muito mais pessoas conhecessem o Exit Eden porque o trabalho delas é fantástico. E elas também têm uma cantora brasileira na formação.
Para encerrar o assunto dos convidados, claro que vocês têm Tobias Sammet, do Avantasia, o que não chega a ser uma surpresa, já que ele trabalha com Sascha há vinte anos ou algo assim no Avantasia. E o Tommy também participa dos álbuns e das turnês do Avantasia. Então não é exatamente surpreendente vê-lo por ali.
Mas One Last Masquerade tem algo que chamou minha atenção. Não apenas por causa dele, mas porque, pelo menos desde The Fourth Legacy ou Epica, o Kamelot não usa linhas vocais de power metal tradicional.
Roy [Khan, ex-vocalista] e Tommy cantam de uma forma muito diferente da maioria das bandas tradicionais de power metal. E agora vocês têm Tobias, que é um dos vocalistas mais característicos do power metal, especialmente por causa dos dois primeiros álbuns do Avantasia e dos primeiros discos do Edguy nos anos 1990 e 2000.
Então é uma música que, instrumentalmente, é mais gótica, mais próxima do Kamelot moderno, mas ter o Tobias nela cria uma sensação de retorno ao passado. É quase como se você tivesse o Roy da época de The Fourth Legacy cantando junto com o Kamelot atual. O resultado é muito legal.
O Tobias teve alguma participação na composição da música? Ou vocês a compuseram já pensando nele como cantor? Porque ela combina perfeitamente com ele.
Thomas Youngblood (Kamelot):
Isso é legal. Sinceramente, eu nem tinha pensado nos vocais como sendo power metal ou qualquer coisa assim. A música já estava basicamente escrita e mixada. E eu senti uma vibração muito Kamelot e Avantasia na música como um todo. Então pensei: “Vou perguntar ao Sascha”. Porque eu sei que o Tobias normalmente não faz muitas participações especiais. Mas somos amigos há anos e pensei: “Vamos tentar”. E ele aceitou. Ouviu a música e disse: “Sim, eu faço”. E, para mim, é a música perfeita deste álbum para ele participar. Parece que ela foi escrita para ele. Realmente parece. E é muito legal tê-lo no álbum. O Edguy tocou conosco muitos anos atrás na América do Norte e acompanho a carreira dele há bastante tempo, vendo o quanto o Avantasia se tornou gigantesco.E, obviamente, com o Tommy sendo uma parte importante do Avantasia hoje em dia, é uma forma muito legal de manter a família unida.
Jair (Big Rock):
Sim, é como se fosse um círculo que se fecha, certo? Foi uma verdadeira surpresa porque, quando ouvi o álbum pela primeira vez, eu não estava olhando a lista de faixas. Eu simplesmente dei play e deixei o disco entrar na minha cabeça. E eu adorei a música antes mesmo de perceber que o Tobias estava nela. Então foi justamente o estilo da música que chamou minha atenção.
Ainda sobre o álbum. Eu sou baixista, não guitarrista, mas alguns dos meus amigos são guitarristas, e isso provavelmente vai interessá-los. Você encontrou alguns plugins novos, algum timbre novo para a guitarra ou algum equipamento novo para as gravações deste álbum? Ou você tenta se limitar para manter aquele som característico do Kamelot?
Thomas Youngblood (Kamelot):
Sim. Quero dizer, de modo geral, meu som é baseado no meu antigo amplificador Ampeg VH-140C. É algo que eu usei por muitos anos. Depois comecei a usar Kempers, nos quais clonei meu Ampeg. E agora, com o [Neural DSP] Quad Cortex, tenho um som que é uma mistura desses elementos. Quero dizer, é simplesmente um som ao qual me acostumei ao longo do tempo. E acho que, para os fãs, seria estranho ouvir algum timbre totalmente diferente de guitarra. E, para mim, a abordagem com a guitarra sempre foi ser compositor primeiro e guitarrista depois. Então os solos e tudo mais que aparece no álbum têm a função de servir à música.
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| Foto: Divulgação |
Jair (Big Rock):
Sim, às vezes você nem coloca solos em algumas músicas porque consegue perceber que eles não necessariamente se encaixam. E isso é algo de que gosto muito na sua forma de tocar.
Também tenho muito interesse pelo lado comercial da música. Desculpe, como nunca te entrevistei antes, tenho alguns assuntos que não estão diretamente ligados a Dark Asylum e queria aproveitar a oportunidade. Mas me interesso muito pelo lado comercial das coisas. Claro que, quando você lança um álbum, não se trata apenas de uma decisão artística, mas também de uma decisão de negócios. E, pelo que eu sei, você também é a mente de negócios por trás do Kamelot.
Então vou dar um exemplo antes da minha próxima pergunta: Lá em 2013, quando Fabio Lione entrou no Angra, a banda decidiu fazer uma turnê comemorativa dos 20 anos de seu primeiro álbum. E, claro, Andre Matos, o vocalista daquele álbum, também decidiu fazer uma turnê de 20 anos para o mesmo disco no mesmo ano. Então nós tivemos, durante um ano no Brasil, duas bandas excursionando basicamente com o mesmo repertório, tocando o álbum inteiro.
Acho que você sabe onde quero chegar, mas, com Roy fazendo a turnê de 20 anos de The Black Halo, e eu sei que vocês precisam conversar porque vocês possuem os direitos de quatro álbuns, se não me engano...
Também é uma decisão de negócios sair em turnê com material novo enquanto Roy está fazendo a turnê de aniversário de The Black Halo? Assim vocês evitam uma concorrência direta pelos mesmos fãs, se é que você me entende?
Thomas Youngblood (Kamelot):
Nós nunca fazemos esse tipo de turnê comemorativa de qualquer maneira. Nunca fizemos. Isso não é uma decisão de negócios. Nós sempre focamos no álbum novo. É por isso que o Kamelot não é uma banda de legado ou uma banda de tributo. Não tenho interesse em tocar apenas músicas de 25 anos atrás. Para mim isso seria completamente... e também mostraria uma falta de confiança no seu novo álbum e nas suas novas músicas. E uma das razões pelas quais o Kamelot se tornou relevante e continua relevante é justamente porque focamos no disco novo. Sempre no presente e no futuro.
Sim, tocamos músicas do passado? Claro. Mas, em cada ciclo de turnê, temos cinco ou seis músicas do álbum novo. E eu gosto de olhar para cada álbum e cada turnê como se fossem o nosso primeiro disco. É assim que você aumenta sua base de fãs. É assim que mantém os fãs antigos. É assim que passa a tocar em casas maiores. Se você toca apenas músicas do passado, acaba se tornando mais uma banda de tributo. E isso não é o que nos interessa.
Então eu não quero falar sobre outras turnês, mas, para o Kamelot, sempre se trata do álbum atual e do material novo. Quero dizer, eu poderia ter feito uma turnê de 20 anos, ou de 30 anos, ou qualquer coisa desse tipo. Acho esse tipo de coisa mais uma forma de ganhar dinheiro. Não acho particularmente interessante do ponto de vista artístico. Mas outras pessoas podem adorar isso. Não cabe a mim dizer. Para o Kamelot, sempre foi sobre o novo álbum e o novo material.
Jair (Big Rock):
Justo. Eu queria perguntar isso não necessariamente por causa da sua opinião sobre esse tipo de turnê, mas porque gosto de olhar para o lado comercial da questão. Eu vi isso acontecer aqui e eram duas bandas basicamente disputando os mesmos fãs e tocando praticamente o mesmo repertório. Então algumas pessoas iam ao show do Angra porque era a banda e outras iam ao show do cantor porque era o cantor. Então é interessante saber disso.
Eu queria perguntar sobre o passado, mas antes do Roy, na verdade. No ano passado, os três primeiros álbuns da banda, que têm um som enormemente diferente do que vocês fazem hoje, foram remasterizados. Como foi para você trabalhar nessas remasterizações, tendo que revisitar esses álbuns com atenção?
Thomas Youngblood (Kamelot):
Foi algo legal para mim, na verdade. Porque, inicialmente, eu não estava muito interessado. Como eu disse, não penso muito nessas questões ligadas ao legado. Mas a BMG queria lançar esse material. E eles queriam que eu estivesse envolvido em tudo, inclusive no processo de remasterização. Então eu disse: “Ok, quero que Jacob [Hansen, produtor e engenheiro de masterização] remasterize as músicas”.
E acabou sendo muito legal porque, ao ouvir Eternity, redescobri algumas coisas de que gostava no Kamelot. Mesmo que tenhamos evoluído em termos de estilo, existe aquela coisa mais clássica e folk que temos no álbum novo e que me passou pela cabeça depois de ouvir Eternity novamente. Então há muitas coisas legais nesses três primeiros discos. E acho que, se as pessoas que conhecem o Kamelot de hoje voltarem a eles com a mente aberta, vão encontrar algo de que gostem.
Jair (Big Rock):
Sim, para ser completamente sincero, eu adoraria ouvir Call of the Sea ao vivo porque é uma das minhas músicas favoritas da banda.
E temos apenas dois minutos restantes, então tenho uma última pergunta. Também não quero tomar mais do seu tempo, é claro. Imagino que você ainda tenha outras pessoas com quem falar. Eu queria perguntar sobre Richard Warner e Mark Vanderbilt. Esses caras saíram do Kamelot e também deixaram a cena metal. Eles foram uma parte enorme daquele som inicial da banda.
E eu realmente adoro aquela música que você fez com Mark no começo dos anos 2000. Acho que o nome do projeto era Monarque [projeto com Thomas Youngblood e o ex-vocalista do Kamelot Mark Vanderbilt]. O que aconteceu com eles? Você ainda mantém contato?
Thomas Youngblood (Kamelot):
Eu falo com o Mark ocasionalmente. Não sei o que o Richard está fazendo. Mas converso com o Mark de vez em quando e o incentivo a fazer música nova porque ele também é um guitarrista muito bom. Eu sei que ele tocou em algumas bandas em Tampa e coisas assim, mas, além disso, realmente não sei o que eles estão fazendo hoje em dia.
Jair (Big Rock):
Ok, justo. Eu queria perguntar isso porque sou realmente, realmente curioso sobre essas pessoas que saíram da banda. E eu gosto muito daquele som. Mas, por favor, diga ao Oliver [Palotai, tecladista do Kamelot] que foi muito cruel da parte dele tocar o começo de The Fourth Legacy no solo de teclado e depois parar [no show de gravação do DVD I Am the Empire]. Isso partiu meu coração.
Thomas Youngblood (Kamelot):
Sim. Quero dizer, um dia vamos tocar essa música, mas será você e talvez mais umas cinco pessoas que a conheçam.
Jair (Big Rock):
Sim, eu percebi que era uma das poucas pessoas que começaram a reagir naquela hora.
Thomas Youngblood (Kamelot):
Todo mundo olhando em volta, tipo...
Jair (Big Rock):
E todo mundo tipo: “O que é isso?”. Estavam todos pensando: “O que está acontecendo?”.
Thomas Youngblood (Kamelot):
Mas o que eu quero dizer para você e para o pessoal do Brasil... Sim, é sempre um dos nossos países favoritos para fazer turnês.
E teremos um grande anúncio de turnê em breve, relacionado ao nosso retorno ao Brasil em 2027.
Então, pessoal, fiquem atentos, fiquem preparados. Vai ser algo enorme.
Estou muito ansioso por isso.
Jair (Big Rock):
Muito obrigado, Thomas. Eu certamente estarei lá, seja como repórter ou como fã, dependendo da minha agenda, mas com certeza estarei lá. Obrigado pelo seu tempo. O álbum é incrível. Realmente acho que é o meu favorito com o Tommy. Então foi uma enorme surpresa, e parabéns mais uma vez.
Obrigado pelo seu tempo.
Thomas Youngblood (Kamelot):
Obrigado, irmão.
Jair (Big Rock):
Nos vemos em breve.
Confira a entrevista na íntegra:




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