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6 de agosto de 2026

Tuska Festival 2026 – Helsinki, Finlândia

 

Foto: Tuska Festival 


Por Giovanna Marques

Fotos gentilmente cedidas por Sigryd Bagon / A Ilha do Metal 


Mais um verão chega às terras geladas do norte da Europa e, com ele, tem início a temporada de festivais. Como já é tradição, o Big Rock and Roll marcou presença em mais uma edição do maior festival de metal da Finlândia: o Tuska 2026.

Retornamos mais uma vez à histórica região de Suvilahti, casa do festival desde 2011, para acompanhar três dias intensos de muito peso, grandes produções e uma atmosfera única que consolidou o evento como um dos principais festivais de metal da Europa.

Após mais um ano de expectativa, o Tuska abriu seus portões reunindo milhares de fãs vindos de diferentes partes do mundo para celebrar o metal em todas as suas vertentes. A edição de 2026 foi ainda mais especial por registrar um feito histórico: 66 mil pessoas passaram pelo festival ao longo dos três dias, estabelecendo o maior público de toda a história do evento e reafirmando sua posição como a principal referência do heavy metal no norte da Europa.

Além de um line-up repleto de nomes consagrados e novas promessas, o festival manteve o alto padrão de organização que se tornou uma de suas principais marcas.

Os preparativos começam muitos meses antes da abertura dos portões. A escolha das atrações, a estrutura dos palcos, a montagem das áreas de alimentação, merchandising e espaços de convivência são cuidadosamente planejadas para oferecer uma experiência confortável tanto ao público quanto aos profissionais de imprensa. Como de costume, o processo de credenciamento e retirada das pulseiras acontece antecipadamente, facilitando o acesso ao festival e evitando grandes filas na entrada.

Como em toda cobertura de festival, vale lembrar que acompanhar absolutamente todos os shows é simplesmente impossível. Diversas apresentações acontecem simultaneamente, exigindo escolhas difíceis ao longo dos três dias. Além disso, a distância entre alguns palcos faz parte da dinâmica do evento, tornando inevitável perder o início — ou até parte — de determinados shows para conseguir registrar outros por completo.

Foto: Sigryd Bagon / A Ilha do Metal 

Foto: Sigryd Bagon / A Ilha do Metal 


Em 2026, o Tuska manteve sua tradicional divisão em quatro palcos, oferecendo espaço tanto para grandes headliners quanto para artistas em ascensão e representantes da cena underground:


•     Karhu Main Stage (palco principal)

•     Nordic Energy Stage (palco secundário a céu aberto)

•     Radio City Stage (palco coberto)

•     KVLT Stage (dedicado a bandas emergentes, artistas locais e nomes da cena underground)


Agora, é hora de relembrar os principais shows, os destaques e tudo o que aconteceu durante mais uma inesquecível edição do Tuska Festival.


Sexta-feira, 26 de junho:


A 27ª edição do Tuska Festival começou confirmando aquilo que o line-up prometia desde o anúncio das atrações: um primeiro dia equilibrado entre grandes nomes da história do metal, artistas em plena ascensão e uma forte presença da cena finlandesa.

Com o Suvilahti novamente tomado por milhares de fãs logo nas primeiras horas da tarde, Helsinque recebeu um público disposto a aproveitar cada minuto da programação, transformando a abertura do festival em uma das mais movimentadas dos últimos anos.

Ao contrário de outras edições, em que o público costuma chegar aos poucos, desta vez as filas já eram longas antes mesmo da abertura dos portões. A expectativa em torno do retorno do Megadeth à Finlândia, somada ao excelente momento vivido por bandas como Gatecreeper e Pain, fez com que a sexta-feira tivesse clima de sábado desde cedo.

Outro aspecto que chamou atenção foi a diversidade do público. Camisetas de bandas clássicas dividiam espaço com fãs de grupos mais recentes, refletindo um festival que, há anos, deixou de apostar exclusivamente nos grandes classicos para construir uma programação capaz de dialogar com diferentes gerações do metal.

Ainda no início da tarde, os quatro palcos começaram a funcionar praticamente de forma simultânea. Como de costume, o KVLT Stage manteve sua proposta voltada ao underground e às vertentes mais experimentais do metal extremo, enquanto o Nordic Energy Stage recebeu artistas da cena finlandesa e nomes emergentes que encontraram no Tuska uma vitrine importante para alcançar um público internacional.

Já o Radio City Stage rapidamente concentrou algumas das apresentações mais comentadas do dia, consolidando-se, mais uma vez, como o palco dedicado às bandas que vivem seu melhor momento artístico, mesmo sem ocupar necessariamente o posto de headliners.

No Karhu Main Stage, reservado às maiores atrações do festival, a expectativa era grande, culminando em uma sequência de shows que manteve a área principal lotada até o encerramento.


Quem abriu as atividades do palco principal foi o Gatecreeper, banda de death metal de Phoenix, Arizona, que vem conquistando cada vez mais espaço na cena europeia. Apesar do curto tempo de apresentação, o grupo entregou um show intenso e suficiente para deixar sua marca entre aqueles que ainda não conheciam seu trabalho.

Foto: Sigryd Bagon / A Ilha do Metal

Foto: Sigryd Bagon / A Ilha do Metal

Foto: Sigryd Bagon / A Ilha do Metal


Em seguida, foi a vez do Aurorawave inaugurar a programação do Nordic Energy Stage. Para minha grata surpresa, a banda foge completamente do convencional ao misturar riffs pesadíssimos com o groove característico do reggae, sendo considerada uma das pioneiras do chamado Reggaecore. Foi uma apresentação extremamente divertida, capaz de fazer muito headbanger trocar o mosh por alguns passos de dança.


Voltamos entao ao palco principal para ver os queridinhos do Tuska: Lost Society, que fez com que a área destinada ao público fervesse de nativos prestigiando um dos orgulhos nacionais. Agora, longe da imagem de jovens prodígios do thrash metal que marcou o início da carreira, a banda fez uma animadíssima apresentação, e o vocalista dedicou a aguardada "Into Eternity" (gravada junto com o Apocalyptica) ao seu falecido pai.

Porém, dessa vez, a multidão presente também contava com muitos curiosos para conhecer ao vivo o vocalista Samy Elbanna, que estreou como frontman na volta do Children of Bodom aos palcos. Sim, está confirmado: Children of Bodom de volta aos palcos em 2027 e de volta ao palco do Tuska!

Foto: Sigryd Bagon / A Ilha do Metal 

Foto: Sigryd Bagon / A Ilha do Metal 

Foto: Sigryd Bagon / A Ilha do Metal 


Antes de encerrar a apresentação do Lost Society, tivemos que correr para o Nordic Energy Stage para conseguir um bom lugar e assistir à apresentação do Ensiferum, que, como esperado, não deixou a desejar. O show das lendas do Folk Metal finlandês não deixou ninguém parado e arrastou uma multidão enorme para dançar o bom folk. A banda transformou a área principal em uma verdadeira celebração coletiva. Rodas se abriram durante as músicas mais rápidas, enquanto os refrões foram cantados praticamente em uníssono. A banda encerrou a apresentação com "In My Sword I Trust" e deixou aquela sensação de que o tempo não foi suficiente, pois o público queria ainda mais!

Foto: Sigryd Bagon / A Ilha do Metal 


Rumo ao palco principal, era a vez de Peter Tägtgren e companhia entrarem em cena. O projeto musical Pain, liderado pelo frontman do Hypocrisy, era aguardado com ansiedade por muitos dos presentes, mas acabou não empolgando o público como se esperava. Apesar de reunir uma multidão diante do Karhu Main Stage, os suecos não conseguiram envolver boa parte dos espectadores.

Ainda assim, as músicas mais conhecidas foram recebidas com entusiasmo pelos fãs que aguardavam a apresentação, enquanto a mistura entre riffs pesados, bases eletrônicas e refrões fáceis de acompanhar manteve o público em constante movimento. A performance da banda foi firme, carismática e sarcástica, como de costume, confirmando por que o Pain continua sendo presença frequente nos principais festivais do continente, embora os artistas tenham precisado se esforçar bastante para conquistar o tradicionalmente exigente público finlandês. A apresentação foi encerrada com a tão aguardada "Shut Your Mouth", acompanhada por uma grande festa de bolas infláveis e confetes.

Foto: Sigryd Bagon / A Ilha do Metal 


Em seguida, no Nordic Energy Stage, o Skindred subia ao palco com uma enorme quantidade de pessoas já à sua espera. E que show foi aquele, meus amigos!

Formada em 1998, em Newport, no País de Gales, a banda mistura Heavy Metal com diversos gêneros, sendo o Reggae sua principal influência. Também é possível identificar elementos de Hip-Hop, Blues e Funk ao longo das músicas e até mesmo nos intervalos entre elas. Muito disso se deve ao vocalista Benji Webbe, que, além de ter uma voz incrível, possui uma presença de palco como eu nunca havia visto em nenhuma apresentação no Tuska.

Seu engajamento com o público é simplesmente insano e transforma o show em um verdadeiro espetáculo que mistura música, stand-up comedy e ativismo político. Benji conversa, brinca, improvisa e conduz a plateia do início ao fim, tornando impossível desviar a atenção do palco.

A banda encerrou a apresentação com "Warning", contando com a participação especial do vocalista Nathan Aurora, do Aurorawave, fechando um dos shows mais divertidos de toda a sexta-feira.


De volta ao palco principal, chegou a vez dos dinamarqueses do D-A-D. Sem recorrer a grandes efeitos de palco, a banda apostou em um repertório repleto de clássicos da carreira e entregou um show descontraído, sustentado pela experiência de músicos que sabem exatamente como conquistar um público de festival. A interação constante dos integrantes com a plateia fez toda a diferença e manteve o público envolvido durante toda a apresentação.

O hard rock do quarteto funcionou como o aquecimento ideal para uma programação que ficaria progressivamente mais pesada ao longo da tarde.


Ainda no palco principal, chegou a hora do headliner da noite: Megadeth!

Quando as luzes do Karhu Main Stage se apagaram, a área principal já estava completamente tomada. A expectativa era enorme e, embora Dave Mustaine permanecesse como a grande figura da banda, era impossível ignorar a ansiedade do público em relação ao guitarrista Teemu Mäntysaari.

O músico finlandês voltou a tocar diante de seus conterrâneos e, desde os primeiros minutos, ficou evidente que a noite teria um componente emocional. A cada solo executado por Mäntysaari, a resposta da plateia era imediata, com aplausos e gritos que muitas vezes rivalizavam com aqueles direcionados ao próprio Mustaine.

Musicalmente, o Megadeth apresentou um show concentrado nos grandes clássicos de diferentes fases da carreira. A banda demonstrou um incrível entrosamento entre a dupla de guitarras, enquanto Mustaine manteve uma performance mais contida, conduzindo o repertório sem excessos. Também foi possível perceber o quanto seus problemas de saúde o afetaram nos últimos anos: o vocalista se movimentava pouco pelo palco e, em diversos momentos, especialmente durante os refrões, simplesmente deixava o público assumir os vocais.

Foto: Sigryd Bagon / A Ilha do Metal 


Além dos clássicos já esperados, o setlist trouxe algumas raridades, como "Puppet Parade", executada em pouquíssimas apresentações ao longo da carreira da banda. Mas, claro, o grande momento da noite foi "Ride the Lightning", música que Dave Mustaine coescreveu ao lado dos demais integrantes do Metallica em 1984, contribuindo com o famoso riff criado utilizando a técnica conhecida como spider chord. Desnecessário dizer que o público foi à loucura. Era possível ouvir o coro da multidão cantando o refrão a plenos pulmões, transformando aquele em um dos momentos mais marcantes de toda a sexta-feira.

Foto: Sigryd Bagon / A Ilha do Metal 

Foto: Sigryd Bagon / A Ilha do Metal 


Embora o Megadeth tenha encerrado a programação do primeiro dia, a sexta-feira mostrou que o Tuska continua apostando em uma distribuição inteligente das atrações, oferecendo opções para diferentes perfis de público dentro da cena metal e demonstrando que o festival vai muito além de seus headliners.

Mais do que abrir o festival, o primeiro dia estabeleceu um padrão de qualidade bastante elevado para o restante do fim de semana. A organização funcionou com eficiência, a resposta do público foi excelente desde a abertura dos portões e a programação conseguiu agradar tanto aos fãs do heavy metal tradicional quanto àqueles que buscavam propostas mais modernas e experimentais. Se a sexta-feira serviu como termômetro da edição de 2026, o Tuska estava apenas começando e já havia mostrado por que continua entre os festivais de metal mais respeitados da Europa.


Agradecimento à produção e assessoria do Tuska Festival pelo credenciamento e atenção. 

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