Rádio Big Rock

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terça-feira, 29 de agosto de 2017

20 anos depois de Mmmbop: Hanson prova que tem carreira sólida

Vou usar uma frase que está na moda atualmente para começar esta resenha: precisamos falar sobre o Hanson! A aparência ingênua, o som com pegada pop e o fato de terem sido lançados pela Mercury Records na mesma época em que a Jive disparava em vendas no mercado das boy-bands com os Backstreet Boys e o *NSYNC, pode ter contribuído para a interpretação de que os três irmãos faziam parte exatamente do mesmo nicho de mercado. Na verdade, apesar de participantes da onda teen, os integrantes do Hanson desde muito cedo compunham suas letras e melodias, tocavam seus próprios instrumentos e cantavam suas músicas muito bem aceitas comercialmente, fazendo mais parte do gênero pop rock.
O “sumiço” de uns quatro anos depois do lançamento de Mmmbop ajudou a reiterar a associação da banda ao mundo teen pop dançante por conta do conhecido “prazo de validade” que as boy/girl-bands naturalmente têm. A verdade é que o trio decidiu seguir carreira independente e lançar seu próprio selo, o 3CG Records, através do qual lançou seus álbuns seguintes: Underneath, The Walk, Shout it out e Anthem.
Então não. O Hanson não havia chegado ao fim do prazo de validade, apenas decidiu fazer as coisas à sua própria maneira, o que para um artista pode ser a realização de um sonho, contudo a perda de espaço na mídia pode ser algo inevitável, tornando-se, portanto, um passo muito importante a ser dado.
Pela sensação que venho tendo dos shows, a banda parece estar muito feliz com sua escolha, pois, no decorrer dos anos, demonstram entusiasmo em todos os shows e sempre contam com casas cheias, ainda que não lotadas. Isso quer dizer que ainda tem muita gente de olho no trabalho que os caras vêm fazendo nos últimos 20 anos. Sim! Já faz vinte anos desde que você viu o clipe de Mmmbop pela primeira vez na televisão e mostrou para a sua irmã mais nova, prima/primo, amiga/amigo, achando que eles iriam gostar. E sim! Mesmo depois de 20 anos lá estão eles curtindo a vibe do show com as letras na ponta da língua.
No último sábado, dia 26, a sensação não foi diferente, mas foi definitivamente intensificada. Para muitos foi a primeira vez, para alguns a terceira (eu me incluo aqui hehe) e para um número menor, a quinta (sim! A quinta!), mas para todos foi a realização de poder trazer de volta à vida as crianças e adolescentes da época de Mmmbop e uni-los aos adultos da época de I was born (o mais novo single lançado há algumas semanas).



Com muito mais divulgação do que nos anos anteriores, o resultado foi uma casa lotada e fila que contornava o Citibank Hall, na zona sul de São Paulo. Se comparado aos shows anteriores, apesar de também contarem com a casa cheia, a diferença foi significativa: mal havia espaço para se mexer, mas isso não impediu a galera toda de curtir as quase duas horas e meia de apresentação.
Apesar do pequeno atraso de uns 15 minutos, a energia, o talento e o carisma dos irmãos Hanson compensaram todas as horas de espera (havia gente acampada na fila muitas horas antes de o show, que estava com início previsto para as 21h30, começar).
A banda abriu com Already Home, faixa contagiante do álbum Anthem, e, na sequência, já emendou em Waiting for this, do álbum Shout it out, e Where’s the love, do álbum Middle of Nowhere, que completa 20 anos em 2017. Foi nessa hora que a plateia, já muito animada, explodiu! Foi possível ver a alegria da galera relembrando a infância, afinal o que era legal em escutar Hanson (pelo menos na minha experiência aos 10 anos de idade) era ser criança e poder ouvir deliciosas letras que, ao mesmo tempo em que expressavam a ingenuidade de crianças (devemos lembrar que quando Mmmbop foi lançada Zac, Taylor e Isaac tinham 10, 14 e 17 anos respectivamente), falavam de temas legais e tinham um ritmo contagiante, além do forte apelo popular.
Mesmo escutando Hanson há vinte anos e podendo ver como eles evoluíram como banda e o quanto são talentosos, acredito que o que me marca cada vez que vou vê-los ao vivo é o reencontro que consigo ter comigo mesma. Me pego lembrando do discman que meus pais me deram em alguma comemoração naquela época e o quanto escutei aquele CDzinho de capa amarela absorta em meus pensamentos e sentimentos de criança. Sentimentos que eu não sabia (ou não tinha maturidade) para expressar, mas que eram bem reais e meus. Me pego lembrando da inocência que tinha e o quanto aquelas músicas conseguiam dialogar com o meu eu de dez anos... Acho essa sensação muito nostálgica e gostosa. 


Neste show foi possível ter esse gostinho de memórias prolongado ainda mais: com a comemoração de 25 anos de banda, 8 das 13 faixas de Middle of Nowhere e mais 4 de 13 faixas de This Time Around foram tocadas, isto é, 12 das 28 músicas tocadas eram da época entre os anos de 1997 e 2000, época em que a maioria ali estava começando a sair da infância para entrar na adolescência.
Memórias à parte, o resto do show foi uma explosão de animação e homenagens: Taylor – o irmão do meio – perguntava, a cada nova música, quem era do fã clube, quem já havia ido a mais de um show, quem estava ali pela primeira vez, quem havia viajado para vir ao show e, a cada pergunta, uma música era dedicada para os grupos presentes na plateia. Os três irmãos também mostraram grande versatilidade: Zac ia da bateria ao piano ao violão, Taylor do piano à bateria ao violão à gaita, cantaram à capela, enfim, mostraram que são, de fato, músicos entusiastas e que gostam do que fazem. Fica claro que trabalham como gostam e valorizam seu público, mesmo que não lotem estádios.
Antes de Strong enough to break, faixa que abre o primeiro álbum independente, Underneath, Taylor comentou a decisão tomada: “Quando decidimos nos tornar independentes, muitas pessoas disseram que estávamos loucos, mas sabíamos que poderíamos contar com vocês aqui presentes”. Entretanto, o que é legal da banda é o fato de não rejeitarem o sucesso de hits como Mmmbop, Where’s the love e I will come to you depois de adultos, afinal elas foram a porta de entrada dos meninos para as paradas de sucesso da época. Muito querida e aguardada, Mmmbop foi cantada do início ao fim com entusiasmo por todos na plateia e a empolgação foi ainda maior quando, logo em seguida, Taylor agitou o público com o início de If only na gaita, tocada aos pulos. Haja fôlego!


Ao final, agradeceram, saíram, voltaram para a tão aguardada Save me e encerraram a noite com o trato feito em todos os shows: “Se vocês prometerem que voltam, nós prometemos que voltamos também”. Enfim, uma noite para relembrar, curtir, pular, dançar, namorar ao som de um pop rock gostoso e animado. Portanto, para aqueles que curtem um rock mais suave com letras divertidas, refrões cativantes e riffs melodiosos, vale a pena tirar seu Middle of Nowhere da gaveta ou dar uma pesquisada no Youtube para conhecer os novos trabalhos da banda. Quem sabe você não acaba descolando umas coisinhas novas para o seu setlist do celular, né?


 Setlist:
  1. Already Home
  2. Waiting for This
  3. Where's the Love
  4. Look at You
  5. Tragic Symphony
  6. Thinking 'Bout Somethin'
  7. Weird
  8. This Time Around
  9. Runaway Run
  10. Madeline
  11. Go
  12. Juliet
  13. I Don't Wanna Go Home
  14. Strong Enough to Break
  15. Penny & Me
  16. Watch Over Me
  17. I Will Come to You
  18. On and On
  19. I Was Born
  20. Get the Girl Back
  21. Crazy Beautiful
  22. Man From Milwaukee
  23. MMMBop
  24. If Only
  25. Fired Up
  26. In the City

BIS:

    28. Save Me



Por: Marcela Monteiro
Fotos: Marcela Monteiro

2 comentários:

  1. Obrigada por escrever bem e por expressar o sentimento de muitas pessoas, Marcela.
    Fui ao show do Rio e participei do MOE. Ver como eles são acessíveis e carinhosos com as fãs esse tempo todo é demais! (os grupos de whatsapp estão frenéticos com fotos e vídeos, é legal demais esse sentimento de admiração total!)
    Abs!
    Emily
    @opss

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    Respostas
    1. Querida Emily, muito obrigada pelo elogio e fico muito feliz que você tenha se identificado com meu texto. Acho que esse sentimento gostoso que temos deve sempre ser lembrado. E fica ainda melhor quando a nossa admiração continua a ser cativada por artistas que, como você mesmo disse a respeito da banda, mostram-se "acessíveis e carinhosos". Um grande abraço, Marcela Monteiro.

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